Por: Alexandre Albini
Fotos: Ebraim Martini e Gustavo Remor
Em uma tarde quente e ensolarada, atípica do outono, a capital Paranaense foi novamente anfitriã do Warung Day Festival. Realizado através da parceria entre Warung Beach Club, Planeta Brasil e T2 Eventos, o maior palco ao ar livre da América Latina, instalado em mais de cinco mil metros quadrados de estrutura montada no cenário natural da pedreira Paulo Leminski, recebeu no último dia 16 de abril cerca de 10 mil pessoas divididas entre as áreas comuns e os três palcos — Warung, Pedreira e Garden.

Fornecedora de grandes eventos, como o Rock in Rio e Tomorrowland Brasil, a GabiSom passou a ser responsável pelo soundsystem a partir deste ano, equipando os stages com a aclamada linha JBL. Oferecendo novamente uma área dedicada especialmente à gastronomia, com assinatura do Parada Truck — um dos mais importantes eventos de gastronomia e cultura do Paraná —, o festival contou também com amplo espaço de descanso e bares bem posicionados, sendo estas algumas das muitas novidades que puderam ser conferidas nessa 3ª edição.

No palco Warung, as sonoridades ligadas ao techno deram acertadamente o tom. Porém, a impressão que ficou — pelo menos pra mim, salvo equívoco — é que as primeiras quatro horas poderiam ter sido destinadas a sons menos carregados, próximos ao micro-house/minimal, o que criaria uma crescente para as atrações que viriam a seguir. O excelente live de L_cio Vs Zopelar no palco Pedreira talvez encaixasse bem nessa perspectiva de “preparação”, num horário entre 17h e 18h30, podendo assim ser seguido pela musicalidade e introspecção de Ame, pelo live “total pista” de Recondite, do feeling de Renato Ratier, das sonoridades pesadas de Rodhad e das melodias característica de Tale of Us. Tendo grande presença de público durante todo evento, vale ressaltar o delay aparente entre as caixas frontais e traseiras deste stage, que “embolou” o som em diversos momentos.

No palco Pedreira, que permaneceu igualmente cheio e contava com o equipamento de som mais equilibrado das três pistas, as ações começaram pelo warm up de Gromma Vs Adnan Sharif. Os destaques ficaram por conta de Volkoder e Hot Since 82, que — pela linha sonora interessante que apresentaram — poderiam ter sido facilmente precedidos por Fran Bortolossi, Laurianna (que substituiu Aninha com competência), e pelos bons sets de Albuquerque Vs Boghosian, Touchtalk e Willian Kraupp.

O Garden, palco destinado em maior parte às sonoridades próximas ao deep e tech house, teve a sequência musical mais coerente. Apesar de o som ter ficado abafado (com poucos médios e agudos) em vários momentos, o problema maior acabou sendo a lotação durante as apresentações de Elekfantz, LouLou Players, Gabe e Dashdot. Mesmo classificado como “praticamente perfeito” no post criado pela organização para o feedback do público (disponível na fanpage do festival e no evento do Facebook), muitos clamaram por mais espaço para esse stage na próxima edição.

Ainda que tenha contado com um número de atrações mais enxuto em comparação ao ano passado, ao todo o Warung Day apresentou nomes nacionais condizentes, e internacionais de reconhecido destaque em suas vertentes de atuação. Mesmo com um cenário econômico desfavorável, principalmente pela desvalorização do Real, é de se reconhecer e parabenizar o esforço em se manter a qualidade do evento. Algo que ficou nítido pela ótima estrutura e excelente organização, tendo sido, sem duvida, o melhor dos três já realizados, consolidando-se definitivamente no calendário dos maiores eventos de Curitiba e entre os principais festivais da cena eletrônica no Brasil. A quarta edição, em 2017, já está confirmada; aguardaremos ansiosos até lá!
