Após mortes no Time Warp, Buenos Aires proíbe festivais de música eletrônica até segunda ordem

Por: Alan Medeiros

O governo portenho não deixou o triste episódio registrado na última Time Warp em Buenos Aires passar em branco. Na ocasião, 6 pessoas vieram a óbito com suspeita de overdose. O segundo dia do evento foi cancelado. A superlotação do evento, o calor acima da média e a falta de bares também podem ter contribuído para que as fatalidades ocorressem. Por conta disso, o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodriguez Larreta, suspendeu o direito da empresa que produz o Time Warp de realizar qualquer evento na cidade novamente, até segunda ordem.

E ele foi além. Em comunicado, a prefeitura de Buenos Aires afirmou que não permitirá mais que festivais de música eletrônica de nenhuma espécie aconteçam na cidade até que o governo argentino aprove novas medidas para prevenção e saúde dentro dos eventos.

 
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Apesar de parecer temporária, até que novas leis anti-drogas e de segurança sejam aprovadas, a decisão aplicada pelo prefeito de Buenos Aires prova o quão despreparadas as autoridades ainda estão para lidar com questões envolvendo o consumo de drogas. Nesse caso em específico, há uma falsa ilusão de que a suspensão dos eventos irá trazer segurança aos usuários, enquanto o efeito na verdade, deverá ser o contrário. Com as grandes marcas proibidas de atuar na cidade, eventos clandestinos ganham força, sem qualquer tipo de monitoramento – isso já aconteceu em Londres, em Nova York e outras cidades pelo mundo, que sofreram com as proibições. O resultado disso? Mais mortes em uma cena à beira do colapso.

Esperamos que as coisas por lá se resolvam da melhor forma possível e não cheguem a esse ponto, mas infelizmente episódios como o da Time Warp tem se tornado cada vez frequentes. UMF, Ozora e mais recentemente Tomorrowland Brasil registraram casos de óbito possivelmente ligados ao consumo de entorpecentes. A provável solução para que esses acontecimentos não voltem a se repetir é um diálogo franco e aberto entre todas as partes. Publicamos uma matéria recentemente sobre redução de danos. Não podemos permitir que uma guerra de interesses e poder esteja acima de tantas vidas. A música eletrônica passa por um momento de luto. 

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