Por Mulheres da cena
Edição Alexandre Albini
Para o Dia Internacional da Mulher, que como se sabe não é apenas uma data para felicitações ou gentilezas, e sim para celebrar (e dar mais força) a luta das mulheres por igualdade de direitos — além de outras reivindicações também fundamentais — ao longo dos anos, pedimos para que algumas personalidades relevantes do mercado do entretenimento nacional dessem depoimentos pessoais sobre outras profissionais também importantes e que servem de inspiração para suas vidas e carreiras.
Camila Giamelaro para Erika Palomino, Claudia Assef, Flávia Ceccato e BLANCAh
“É muito gratificante ter grandes mulheres do nosso mercado como inspirações pra minha carreira. São tantas mulheres batalhadoras para citar que fica difícil fazer um depoimento curto. Algumas pessoas não sabem, mas além de produzir com o Rene no Binaryh sou profissional de comunicação. A parte boa da história é que sempre tive essas referências e inspirações incríveis, desde o momento em que coloquei na minha cabeça que queria unir o amor que sempre tive por música com a minha formação. Eu sempre quis me espelhar naquelas mulheres que via em ação, que não paravam nunca… Sempre trabalhando.
Lembro que um dos primeiros livros que li sobre a cena eletrônica foi o ‘Babado Forte’, da Erika Palomino. Mesmo ela atuando hoje em outro segmento de Jornalismo, lembro que fiquei encantada com a maneira que ela escrevia, bem despojada, e então ficava admirando as fotos que ilustram o livro com ela no meio daquele povo que quebrou barreiras na noite paulistana. As histórias da Erika me faziam sentir como se tivesse nascido na década errada, pois teria sido genial fazer parte das noites que ela descreveu no livro.
Logo na sequência veio o “Todo DJ já Sambou” da Claudia Assef. Detalhista, descolada e ainda por cima arriscava como DJ… Como não se apaixonar? Na época fiquei sabendo que ela fazia parte de um grupo chamado AME (Amigos da Música Eletrônica), e organizou a Parada AME (que veio logo depois que pararam de realizar a Parada da Paz) e tentei estagiar lá, já que na época eu estava na faculdade, e tudo o que mais queria era poder aprender com a Claudia, muito mais do que aprendi no livro. Não rolou, mas graças a Deus a internet evoluiu e pude continuar acompanhando o trabalho dela até hoje, sempre impecável.
E já que estamos falando lá do início dos anos 2000, como não lembrar de Flávia Ceccato, a mulher à frente do club Lov.E? Inovou em tantos sentidos, experimentou tanta coisa e trouxe os melhores dos melhores pra cá. Experimentem procurar no YouTube os vídeos com entrevistas que ela deu com a história do club, é lindo! Junto dela tinha a Eli Iwasa, que de promoter se tornou DJ e cresceu como uma grande empresária. Toca, viaja, administra dois clubs, produz outros eventos. São mulheres de sucesso como elas que devíamos enaltecer, porque só o trabalho nos faz chegar onde a gente quer. Hoje acho que me espelho muito nela, por essa garra, por esse fôlego…
E outra mulher que não poderia ficar de fora dessa seleção de memórias é a BLANCAh. A imaginação dela em estúdio e o complemento conceitual do seu trabalho no design, fotografia e a entrega dela a cada projeto é lindo de ver, ouvir e dançar. Tenho a sorte e o privilégio de ter me tornado amiga dessa mulher incrível, que é uma artista completa.”
De Blancah para Camila Giamelaro
“Na nossa cena atual uma profissional que aprendi a admirar é a Camila Giamelaro, o toque feminino que equilibra e da leveza a dupla Binaryh, composta por ela e pelo seu companheiro de vida, o Rene Castanho. Percebo com clareza o amadurecimento da Camila nesses últimos anos e aposto muito no projeto dela. Ela é super envolvida na pesquisa musical da dupla e produz junto com o Rene músicas incríveis. Também acho ela extremamente antenada no nosso mercado, e sempre que preciso de um conselho relacionado a comunicação recorro a ela. Além de tudo a chamo de ‘A Barsa humana’, pois ela sabe tudo sobre qualquer assunto no mundo. É o tipo de pessoa com a qual você senta e não para de conversar. Minha homenagem, portanto, vai pra ela, essa mulher incrível que hoje tenho a sorte de poder chamar de amiga.”
De Aninha para Claudia Assef
“Estou aqui pra registrar minha admiração por Claudia Assef. Uma das mulheres mais ativas e envolvidas na cena da música eletrônica brasileira. Desde 1996 atuando como jornalista, escritora, DJ, curadora/ desenvolvedora de festivais, publisher e empresária. Você já deve ter ouvido falar no programa de rádio Clubtronic (97FM), nos clubs Lov.e e Vegas em São Paulo, nos festivais Skol Beats, Nokia Trends, Moto Mix, Sonarsound. Também já ouviu sobre o portal Rraurl, nas revistas Bizz, Bravo, DJ World, MTV e no blog Music Non Stop. Se Cláudia não estava à frente dos projetos, estava colaborando de alguma forma com todas estas marcas. ‘E Todo DJ Já Sambou’, você chegou a ler? Este clássico escrito por ela, é um presente para todos os amantes da música eletrônica nacional e sua história. Além de outros projetos que deixei de citar aqui (porque a vida dela daria um lindo livro), Cláudia Assef atualmente se dedica – com sua sócia Monique Dardenne – ao Women Music Event’s (WME), um evento que destaca e promove a inclusão das mulheres no mercado da música. Feliz dia das mulheres Cláudia e obrigada por existir. Beijos!”
Ju Cavalcanti para Monique Dardenne
“Uma mulher que admiro bastante é a minha grande amiga Monique Dardenne! Ela é uma ótima profissional, super dedicada em tudo que faz. É uma mãe incrível, super engajada no mundo da música e no mundo feminino e me enche de orgulho todos os dias! O evento dela, o Womens Music Event, é a prova viva da garra e determinação que ela tem!”
De Monique Dardenne para Fátima Pissarra
“A Fátima Pissarra, CEO da VEVO Brasil, é uma das mulheres do mercado que admiro muito por sua trajetória, inteligência e força de negociação. Ela é papo reto e não tem papas na língua na hora de dar a sua opinião. Seu humor muitas vezes sarcástico é uma assinatura, além de muito sagaz nos negócios. Não é à toa que a considero hoje uma das mulheres mais poderosas da indústria da música no Brasil e a verdadeira madrinha do ‘Behind de Scenes’ do Women’s Music Event.”
De Georgia Kirolov para Barbara Boeing
Considero a Barbara uma grande amiga, e esse não será um texto imparcial, muito pelo contrário. Quando fui convidada para falar sobre uma mulher que admiro na indústria não consegui olhar muito longe. É um tanto quanto incrível acompanhar o florescer de uma pessoa dentro de si mesma quando – por uma combinação potente de talento, dedicação e timing – isto é acompanhado por um paralelo direto na indústria. Ao mesmo tempo que a vejo engenheira e DJ, entregando-se cada vez mais às suas paixões, e me chocando com a capacidade de lidar com tudo, vejo o público a recebendo com cada vez mais carinho. Entre as muitas tristes realidades brasileiras de hoje, podemos contar com uma coisa boa: a cena nacional está ficando cada vez mais interessante e nossa querida BBB, para íntimos, é peça chave nessa tendência.”
De Kisy para Alicinha Cavalcanti
Sobre mulheres que inspiram, um nome que merece ser mencionado é da promoter Alicinha Cavalcanti. Ela começou sua carreira aos 20 anos, em 1983, no Gallery, apadrinhada pelo proprietário da casa, o respeitado produtor de eventos José Victor Oliva. Alicinha é considerada por inúmeras pessoas a promoter mais famosa do Brasil e seu poder de influência ultrapassa barreiras de cidades, Estados e do país. Exemplo verdadeiro de uma profissional que trabalha para as marcas e que não as usa em benefício próprio, a verdadeira promoter com ‘P maiúsculo’. Menciono isso pois o grande segredo de um bom promoter de eventos, sejam eventos sociais ou corporativos, é deixar a marca do contratante aparecer – porém, nesses meus anos de trabalho, já vi muito o contrário… Essa é a postura correta com que me identifico e que acaba por gerar um vínculo de lealdade e credibilidade mútua entre promoter e marca, refletindo diretamente na fidelização e no desejo do público.
Alicinha é low profile, observadora, dona de um mailing repleto de nomes desejadíssimos das mais diferentes tribos e uma mulher completamente versátil, capaz de entregar um evento sério como de uma marca para um patrocinador internacional da Copa do Mundo, ou um evento descolado como o camarote da Sapucaí e Rock in Rio. No meu ramo de atuação, ela é sem dúvida uma das minhas grandes referências. Desde novembro ela está sendo tratada de uma séria doença degenerativa que, infelizmente, a afastou do trabalho e do convívio social. Durante o Desfile das Campeãs deste ano, na Marquês de Sapucaí, várias pessoas prestaram homenagens carinhosas usando uma camiseta com o número 1 e o nome de Alicinha escrito. Dizem que esse meio em que trabalhamos pode ser um tanto ingrato, que ao se distanciar do ‘círculo social’, muitos deixam de ser amigos. E é nesse quesito que admiro ainda mais seu trabalho, pois dentro dele, ela construiu amizades invejáveis e nos deixa um legado sobre comportamento e entrega profissional que merece ser seguido e sempre lembrado. Saúde, melhoras e muito obrigada, Alicinha!”
De Any Brito para Marian Flow
“Marian foi a primeira mulher da cena que tive a oportunidade de conhecer. Há quase 11 anos acompanho seu trabalho e é alguém que admiro demais. Tanto por sua competência profissional, mas também pelo seu lado pessoal que ainda é mais magnífico. Tenho o privilégio de ser amiga dela, sempre me dando ótimos conselhos, principalmente em relação a minha ansiedade e foco, já que faço diversas atividades. Lembro um dia que a vi participando de um painel no RMC sobre as mulheres na cena e disse que um dia gostaria de fazer parte também. Ano passado consegui realizar esse sonho e fui a única mulher do Nordeste a ser incluída em um painel na maior conferência da América Latina. São pessoas como ela que me inspiram e fazem querer evoluir cada vez mais.”
Marian Flow para Bel Chaves
“Existem várias mulheres na cena que admiro, e neste dia escolho a produtora Bel Chaves para homenagear. Trabalha nos principais festivais do país como Rock in Rio, Universo Paralello, Lollapalooza… e também em alguns pelo mundo. como Glastonbury. Sabe ser suave e durona ao mesmo tempo, tem espírito guerreiro, leva o trabalho a sério e busca solucionar os problemas que aparecem da melhor forma possível. Mulher de ação e atitude!”
De Adriana Costa e Silva aka DRI.K para Paula Miranda
“Há 10 anos no grupo Privilége, Paulinha é referência quando falamos de vestir a camisa. Sabe espírito de dono? Tem de sobra! Vejo o amor que ela tem por aquilo tudo… Nem parece trabalho! Dá gosto de ver essa mulher na labuta. Merecia vestir outra camisa, “Rainha da p**** toda!”
De Paula Miranda para Denise Klein
“Não poderia deixar de homenagear essa grande amiga, pois são mais de dez anos trabalhando juntas. Cuidado, capricho e muito respeito, andam juntos com o trabalho que ela tem ao lado dos seus artistas e dos Privilèges. Temos muito carinho por essa profissional!”
De Denise Klein para Paula Miranda
“A primeira mulher que vem a minha mente, com a qual me identifico e idolatro na cena eletrônica é a Paula Miranda, ou melhor, a querida Paulinha. Dizem que por trás de um grande homem existe uma grande mulher, nesse caso, a frente de um club de sucesso como a Privilege, está uma grande mulher, que sem dúvida alguma, faz parte desta história de sucesso.
Com tantas funções como booker, produtora, gerente de criação, desenvolvimento e operação, ainda é idealizadora da festa Cabaret da Miranda. Mesmo depois de mais de doze horas na ativa, lá está ela, sempre com um sorriso gigante no rosto. Meus artistas sempre comentam que ela os recebe com muito carinho, mesmo sendo a primeira vez deles no club. Não é à toa que todos querem sempre voltar e tocar por muitas horas, pois ela os faz se sentirem ‘em casa’. Tenho um imenso prazer em ter a Paulinha como minha parceira por tantos anos, e tenho certeza que ela ainda vai contribuir muito mais para a cena. São mulheres como ela que nos orgulham e incentivam.”
De Ashibah para Irena de Almeida e Juliana Faria
“Conheci muitas mulheres fortes e inspiradoras na minha jornada no Brasil. Irena e Juliana estão definidamente no topo dessa lista. A dedicação, compromisso e amor ao campo de atuação das duas é algo inspirador. Simplesmente arrebentam! E eu adoro trabalhar com elas!”
De Juliana Faria para Jô Lage
“Uma grande mulher e profissional que admiro dentro da cena eletrônica é a Jo Lage. Eu ainda atuava apenas em rádio (Dance Paradise) e sempre cruzava com ela em eventos, quando ia entrevistar os DJs. Lembro de dois que me marcaram muito: I Am Hardwell e ASOT 600, ambos em São Paulo. No meio de diversos homens, ela estava lá comandando e auxiliando as equipes dos maiores DJs do mundo, como Hardwell, Armin Van Buuren, David Guetta, etc.
Até entrar no mercado de agência não tinha noção da complexidade da função dela, organizar um tour do começo ao fim, do visto de trabalho aos diversos shows em sequência. Sempre que ouvia falar dela era com muito respeito e admiração e hoje de certa forma, faço o que ela sempre fez tão bem. Tive oportunidade de conhece-la pessoalmente apenas esse ano, quando pela primeira vez organizei a turnê do Alesso e ela foi a tour manager. Na nossa reunião pré tour, me fez uma série de perguntas que apenas reafirmaram minha admiração por ela e que mostraram o quanto ainda tenho a aprender dentro do que eu faço. O legado que ela deixou enquanto trabalhou na Plusnetwork foi muito importante e fico muito feliz de hoje poder fazer parte da agência também. Espero construir uma história tão incrível quanto a dela.”
De Luiza Serrano para DJ Caroles
“Há três anos conheci essa mulher de luz! Sua carreira como DJ já tem 10 anos e já havia a visto tocar no Deputamadre. Mas como ainda não tinha conversado com ela?! Como a vida nos leva até pessoas que vibram na mesma energia que a nossa, tive o privilégio de me aproximar e me tornar amiga (hoje comadre, já que ela me convidou para ser madrinha do seu casório, e claro, aceitei). Além de DJ, ela agita a cena no Rio de Janeiro com uma das festas mais repletas de boas energias que conheço: a Despretenx. Realizada por um coletivo, a festa prega o amor, a diversidade, o respeito… E a trilha sonora? Música eletrônica. Já teve barco, caverna, morro do Vidigal, sempre lugares exóticos, novos, e, na maioria das vezes, em contato com a natureza. Conversar com a Caroles, vê-la tocar ou produzir as suas festas, é ter certeza que ela ama o que faz. Agradeço sempre por nossos caminhos terem se cruzado!”
De Caroles para Luiza Serrano
“A Luiza Serrano é maravilhosa! Nos conhecemos através do Bozito, do projeto Clubbers, que eu sempre trazia (e ainda trago) pra tocar na Despretenx aqui no Rio. Foi amor à primeira vista, uma mulher inteligente, divertida, animada, sem contar a profissional incrível que ela é. Conquistou a mim e meus amigos de tal forma que virou praticamente da família! Hoje, com muito orgulho, ela é madrinha do meu casamento e morro de saudades quando demoramos muito a nos ver, a distância RJ-BH é um saco! (risos).”
De Caroles para Dri.k
“A Dri.k sempre foi a maior referência de DJ (e não digo só entre DJs mulheres) para mim, tanto musicalmente (apesar de tocarmos estilos diferentes), quanto postura, networking e marketing. Desde os tempos de Orkut (abafa!) ela sempre saía na frente lançando sets e conteúdos de forma inovadora, chamando a atenção de todos. Hoje ela não toca mais, mas toda vez que quero lançar um conteúdo tento imaginar ‘como a Dri.k faria?’ (risos). Desejo todo sucesso do mundo na nova carreira dela no ramo da moda.”
De Adriana Costa e Silva aka DRI.K para Caroles
“Nunca vi a Caroles sem aquele sorrisão estampado no rosto. Pode estar tudo desmoronando ao seu redor que ela vai conseguir achar o lado bom da coisa. A cena do RJ tá ruim? Ela inventa uma festa, reúne os amigos, liga o som e ninguém mais lembra que falta grana, que tem violência, que existe o machismo… Caroles é a alegria em pessoa. Todo mundo devia ter alguém assim por perto.”
De Adriana Costa e Silva aka DRI.K para Eli Iwasa
“Sabe aquela ‘mina de respeito’, que você observa de longe e pensa ‘essa não brinca em serviço’? É a Eli Iwasa. Não brincar não significa se divertir, muito pelo contrário. Ela trabalha super bem e ainda consegue se divertir ao mesmo tempo. Ótima DJ, empreendedora e, como se não bastasse, é uma simpatia de pessoa – do tipo que faz o bem sem olhar a quem. Precisamos de mais Elianas no mundo!”
De Tai Perez para Jana Matheus
“A mulher que me inspirou quando decidi trabalhar com artistas de música eletrônica foi a Jana Matheus, da Jam Bookings. Sempre acompanhei nas mídias sociais o trabalho incansável dela para ganhar o seu espaço no mercado, o que resultou no descobrimento de vários grandes artistas, mas que também contribuiu para que as mulheres conquistassem um certo respeito na cena. Em pouco tempo trabalhando em parceria com ela aprendi inúmeras coisas do nicho de artistas, pois a Jana basicamente acha solução pra tudo e não tem medo de trabalhar duro. Mãe, mulher, amiga e guerreira, a garra dela impressiona qualquer pessoa que a conheça ou tenha o privilégio de trabalhar com ela. Só tenho a agradece-la por fazer a diferença.”
De Jana Matheus para Tai Perez
“Uma menina/ mulher focada no que faz, que está sempre aprendendo, evoluindo e fazendo a diferença na cena, mesmo diante das adversidades e injustiças e aparecem no caminho. Designer, manager, booker ela é de tudo um pouco. Me identifico demais e admiro sua garra. Com certeza ela poderá contar sempre comigo, para o que der e vier.”
De Jana Matheus para Jeniffer Avila
“O que dizer dessa irmã que a vida me deu? Foi no Green Valley que ela foi falar comigo e virei a cara – não lembro do ocorrido (risos). Seguimos por alguns anos trabalhando no mesmo segmento, sem nos cruzarmos, até que um belo dia – aliás desde então – o ‘nosso santo bateu’. Uma taurina e uma geminiana com os mesmos pensamentos e ideias. Uma tranquila e uma brava (eu a brava, lógico!), mas a gente sempre se entendeu, e muito bem! Ela ama um desafio e tem pavor de injustiças ou julgamentos. E quanto a isso, também somos exatamente iguais. Acredito que somamos uma à outra e a admiração é recíproca. Ela não sabe, mas mudei muito graças a isso. Cresci como pessoa e como profissional, pois aprendi a ser mais razão; a ouvir mais e principalmente que tenho que confiar mais no meu potencial, o que me fez destruir barreiras que existiam. Sou grata por ela existir e estar em minha vida.”
De Jeniffer Avila para Jana Matheus
“Umas das pessoas mais fortes e moles que já conheci. Guerreira e mãe de muita gente, uma peça que faz toda a diferença no nosso mercado, a esperança de muita gente que está começando… O nome dela deveria ser trabalho, alguém que sempre terá meu apoio.”
De Jeniffer Avila para Gabriela Loschi
“Se pudesse resumir a Gabriela Loschi em uma palavra, seria LIBERDADE. Desde que a conheci, sempre foi um passarinho voando por aí, e trazendo muita coisa boa na bagagem. A conheci há mais ou menos sete anos em Nova Iorque, mas nos últimos três tive a sorte de poder tê-la como editora-chefe do conteúdo on-line da revista House Mag. Em pouco tempo nos conectamos, nos tornamos grandes amigas e colegas de trabalho. Inteligente, poliglota, responsável, poderia passar o dia escrevendo para homenageá-la. A convivência me fez a admirar ainda mais e querer sempre ela por perto. Com certeza é uma das mulheres que admiro no mercado da música eletrônica.”
De Anny B para Eleva
“Eleva é uma artista alagoana que conquistou de maneira muito sólida seu espaço na cena local, conquistando respeito de todos por sua competência e carisma. Admiro o fato dela sempre buscar novas oportunidades de movimentar o mercado, seja através de seus eventos ou residências. Isso a faz ser cada vez ser mais requisitada na região.”
De Anny B para Fernanda S
“Fernanda S, da Paraíba, é uma pessoa que visa sempre um algo a mais. Mudou de estilo desde que começou a tocar, passou a produzir e lançou a Puzzl3 Records com outros produtores da região. Determinação e paixão pelo o que faz são duas coisas que vejo nela, sempre me conta suas novidades. Ela representa bem as mulheres na produção aqui na região.”
De Camila Giamelaro para Bruna Covella
A Bruna é uma mulher muito perspicaz. Você percebe só de olhar pra ela que é ligeira, que saca as coisas rápido e tem solução pra tudo o que precisa ser feito. Mas acima de tudo isso a Bruna é uma amiga incrível. Aquela companhia pra todos os momentos, inclusive pra se trabalhar junto. Nós passamos por alguns momentos inesquecíveis e sempre vale a pena estar com ela.
De Bruna Covella para Arjana
“Gostaria de homenagear a Arjana (Vhrovac Jonsson), Relações Públicas do grupo D-Edge, pela postura que sempre teve, compreensiva e amorosa, com uma girl power quase que `maternal`. Com certeza sua essência feminina faz toda a diferença na hora de lidar com artistas nacionais, internacionais, imprensa e profissionais da área.”
De Arjana para o staff feminino da D-Edge
Fazendo parte da D-Edge, nos últimos três anos e trabalhando na posição de Public & International Relations, sinto a força e união das mulheres tanto no mercado brasileiro quanto no mercado internacional. Acredito que estamos na fase positiva e que com luta constante conseguiremos muito, com este movimento do poder feminino brilhando especialmente durante os últimos anos no mercado da música eletrônica. Energia feminina e masculina se completando harmonicamente – como deveria ser sempre neste cenário.
Este ano a minha dedicação especial vai para todas minhas colegas, mulheres fortes que trabalham comigo na plataforma do D-Edge. A equipe da D-Agency e do club é composta 70% por mulheres e isso é uma coisa que me faz orgulhosa. Elas me inspiram todos os dias e quando vejo minhas colegas, com certeza penso sobre força e empoderamento feminino. Uma delas, que está já há 15 anos no mercado é a Anna Biazin, que merece uma dedicação especial por todo trabalho árduo e amor que entregou durante de mais de uma década.”
De Amanda Chang para as mulheres na música
“Minha homenagem é para aquelas mulheres que são uma grande inspiração para mim e motivação infinita para minha carreira como musicista. Algumas pioneiras da música eletrônica, e outras, ainda em plena atividade, aplicaram as teorias, dominaram e desenvolveram técnicas e tecnologias, e souberam explorar de forma intuitiva e sensível os instrumentos e aparelhos que deram origem à música eletrônica com frequências, ressonâncias, modulações, sequências… Assumindo essa tarefa e destinação em uma atmosfera lindamente mágica; souberam e sabem explorar o divino feminino em suas subjetividades!
Um salve a todas as mulheres que fizeram e fazem, construíram e constroem – e que continuarão a construir – a história da música eletrônica. Cito algumas, dentre muitas, que já não estão mais fisicamente entre nós; outras, ainda em plena atividade…, mas todas, de alguma forma, sempre contemporâneas e inspiradoras, como Eliane Radigue, Daphane Oram, Delia Derbyshire, Laurie Spiegel, Susane Ciani, Kaitlyn Aurelia Smith… Minhas homenagens a elas, assim como a todas as demais, também lindas, criativas, dignas e perseverantes em seus ofícios. Pois, na verdade, somos todas maravilhosas, singulares, únicas e especiais!”
Gabriela Loschi para Sarah Kern –
Apesar de não estar mais trabalhando hoje na cena, Sarah desempenhou um papel importantissimo a frente da House Mag e foi uma das pessoas que eu mais curti trabalhar junto. Aprendi muito com o seu profissionalismo, mas acima disso, com sua pessoa. Nunca colocou o ego ou a competição acima de qualquer decisão (algo muito comum entre mulheres), sempre respeitou muito o meu trabalho e me abriu portas para desenvolver pautas fabulosas. Tudo de bom pra Sarinha!
Gabriela Loschi para Jeniffer Avila –
A Jeni é uma super querida, que se tornou uma amiga além de uma profissional que eu tenho um grande respeito! Ela é sempre preocupada com a diversidade e muito justa com todos ao seu redor, é um prazer enorme trabalhar com ela, uma pessoa que acreditou e apostou no meu trabalho, e com a qual também não existe essa coisa de briga de egos, muito pelo contrário, ela é pela inclusão, pelo respeito a todos, não tem tempo ruim com ela, e nem mimimi. Se tem uma mulher empoderada, é a Jeniffer, que além de tudo cuida de uma família linda. Muita energia sempre pra vc, Jeni!!
De Jeniffer Avila para Graciéle Rosso
A Graci, não é só uma promoter de Floripa, ela agrega o mercado ao seu redor da maneira que pode, literalmente movimenta a cena na Ilha, trabalha nas casas mais renomadas da região, promove eventos independentes com artistas não tão conhecidos ainda, alimentado o começo de carreira de muita gente, ela sempre veste a camisa. Precisamos de mais Gracis no mundo!
De Érica Alves para Karen Cunha
“Uma mulher que admiro muito pela sua história e trajetória é Karen Cunha. A conheci na residência Pulso na Red Bull Station São Paulo em 2015. Na época, Karen trabalhava na secretaria de cultura da cidade, e estava à frente de projetos culturais essenciais para São Paulo, como a Virada Cultural e o SP na Rua, uma espécie de ‘virada underground’ com participação dos principais núcleos de festas de rua. Sua atuação na prefeitura foi um dos fatores fundamentais para que se fizesse a liga desses movimentos e fez com que a cidade se tornasse ponta de lança e referência global na inovação da cena de música eletrônica independente. Ela estava junto com a Voodoohop (núcleo festivo que em 2009 deu o empurrão necessário na explosão cultural de festas de rua, e que teve atuação sólida por mais de cinco anos), facilitando sua influência no lifestyle do paulistano, ajudando na ‘redescoberta’ do centro da cidade como um bem público, cultural e libertário.
Ela era a única mulher curadora do Pulso, e perante a predominância masculina naquele espaço, ela resolveu que só iria convidar artistas mulheres para seu grupo. Fui convidada junto com a DJ produtora Amanda Mussi, a rainha do dancehall Lei di Dai, a produtora Raíssa Fumagalli e a cantora e saxofonista Jessie Evans. Esse simples ato fez com que discussões feministas surgissem de forma organizada e dentro de um espaço de alta circulação e de aceitação de ideias novas.
Depois de um mês de incubação, no final da residência, com a união de todas as mulheres envolvidas no Pulso, como Lourene Nicola, Monique Dardenne, Cláudia Assef e Juçara Marçal, e com auxílio de Chico Cornejo, fizemos o painel das mulheres, onde falamos sobre nossas experiências na atuação na música e lançamos as bases para a criação do Mulheres na Música, que facilitou inúmeras publicações nos meios jornalísticos e diversos projetos culturais feitas por mulheres, como Women’s Music Event, Sonora e meu projeto de workshops, Synth Gênero. Essas ações, quase três anos depois, resultaram num cenário que está cada vez mais inclusivo para mulheres, algo que está sendo feito por nós mesmas pela força do nosso trabalho e dedicação.
O trabalho e o ponto de vista de Karen esteve, ao meu ver, sempre a serviço de construção de cena, por ela não vir de um meio empresarial, pela sua atuação estar aliada a uma intenção pública, algo muito raro no nosso meio hoje em dia em tempos de crise e de sucateamento da cultura em instâncias públicas. Miro no exemplo da Karen na forma que atuo como artista na esfera pública, procurando passar pela tangente nos embates entre núcleos privados que disputam uma certa hegemonia na noite, como se os recursos humanos em cidades com milhões de habitantes fossem algo escasso, algo que vejo como ilusório e prejudicial para negócios do entretenimento e arte festivas e noturnas.
Acredito na pluralidade e na abundância, que há espaço para todo mundo se déssemos um ‘zoom out’ e nos víssemos como uma única cena, que os núcleos de festa precisam estar unidos em prol de algo maior, pela cultura, e que trabalhássemos juntos para elevar a qualidade da experiência do público consumidor, criar bases juntos e apoiar e promover artistas dedicados e talentosos. Eu, de volta no Rio de Janeiro, estou nessa missão, de facilitar essa união da forma que posso, e chamando os artistas para essa mentalidade, fazer o movimento contrário da fragmentação da cena.
O exemplo da atuação dessa mulher incrível, que não é artista, mas fez de sua atuação na secretaria uma arte, junto a uma administração pública favorável para esse tipo de articulação, é um norte, uma utopia a se seguir. Provando que é possível construir uma cena e que empresários da noite podem estar juntos em prol de algo maior, pela arte, e nós mulheres pela nossa independência (gerada pela nossa exclusão, a linda contradição inerente a setores oprimidos da sociedade), quando unidas, somos capazes de fazer essa liga e trazer mudanças fundamentais para a sociedade, construindo uma instância maior que engloba todos os núcleos!”

