She Goes Electronic by Yellow DJ Academy de Curitiba

Por Juliana Faria

Nos últimos anos, se intensificou a busca por igualdade entre os gêneros nos mais diversos setores. Seja em Hollywood, na música e dia após dia nos mais diversos ambientes de trabalho. Mas dentro do mercado de entretenimento, parece que este tema reverbera um pouco mais alto. Nos mais recentes exemplos, temos o discurso de Frances McDormand na última cerimonia do Oscar, no qual pediu para todas as demais mulheres indicadas se levantarem e lembrou aos artistas que podem incluir cláusulas de igualdade de gêneros em seus contratos.

Já no contexto da música eletrônica, quarenta e seis festivais de música do mundo se comprometeram nesta segunda-feira a aumentar a igualdade de gênero em sua programação antes de 2022, em um momento em que a falta de reconhecimento das mulheres no setor do entretenimento é alvo de debate.

Internamente também vivemos um momento muito bom de luz ao protagonismo feminino com movimentos como o Women’s Music Event, destaque nos principais veículos especializados do meio (como a Housemag especial que destacou o trabalho de 20 profissionais mulheres da cena) e com voz e participação ainda mais ativas em encontros/conferencias de mercado.

Numa segunda iniciativa da Yellow DJ Academy de Curitiba, um grupo de mulheres se reuniu para debater alguns temas, suas conquistas e desafios no dia a dia de trabalho. Dentre as convidadas estavam: Juliana Franco (Plusnetwork), Andreia Batista (Braslive Entertainment), Bruna Covella (D-Agency), Kalygan Poletto (Resonanz & Soundscape BR), Juliana Faria (Dance Paradise/Plusnetwork), Andrea Greca (Agencia Berlin), Ericka Braga (2nd Floor) e DJ Aninha (Entourage). 

 O She Goes Electronic ainda teve um pocket set de Hiorrana Amancio (DJ residente do Taj Curitiba) antes da mulherada discorrer por quase 3 horas sobre o que se deve ter para empreender no mercado da música eletrônica, quais os diferenciais do mercado brasileiro e qual o próximo grande passo. Todas as participantes já atuaram/atuam em diversas funções e sem dúvidas esse se torna um grande diferencial, além de outras características citadas como auto gerenciamento, garra, paixão e seriedade. Já nos diferenciais de mercado foram abordadas questões como o amadurecimento e profissionalização dos artistas, busca por fair play nas relações e as grandes mudanças ocorridas nós últimos dois anos com o destaque da música eletrônica nacional.

Dentre cada uma das opiniões individuais, o próximo grande passo ainda foca no aumento do profissionalismo e necessidade de mostrar que a rede de funções no mercado vai muito mais além que DJ e produtor e que boa parte das mulheres se concentram nessas funções, que nem sempre transparecem além dos bastidores.

 Nas palavras de Andrea Greca, da agencia de tendências Berlin: “O mercado da música eletrônica cresce 4% ao ano e em 2017 movimentou USS 7,5 bilhões. Os 12 DJs mais bem pagos do mundo embolsaram juntos USS 300 milhões. Infelizmente nenhuma mulher figura nessas estatísticas milionárias, embora a atuação delas nos bastidores seja responsável por fazer a engrenagem funcionar. Por isso foi um prazer conversar com profissionais tão experientes sobre a realidade, as tendências e oportunidades da cena no She Goes Electronic. Dar voz a bookers, managers, produtoras, empresárias e DJs é fundamental para desvendar a complexidade dos bastidores (majoritariamente femininos!) e mostrar que o glamour é, na verdade, do instagram pra fora. Parabéns a Yellow pela iniciativa e por facilitar o protagonismo feminino num mercado tão essencialmente masculino. E obrigada a todxs que superlotaram a plateia durante as 3 horas de discussão. Foi inspirador! Vocês arrasam meninas!”

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