Por Alexandre Albini
Foto de abertura: Reuters
O governador João Doria anunciou que o Estado de São Paulo irá realizar, entre 15 de junho e 30 de julho, em parceria com entidades do setor como ABEOC Brasil, ABRACE, UBRAFE e SINDIPROM SP, 10 eventos-piloto para testagem e acompanhamento por duas semanas dos participantes. O público em cada um estará limitado entre 100 e mil pessoas.
O intuito, de acordo com governo paulista, é realizar o monitoramento para que seja possível criar um planejamento seguro, responsável e baseado na ciência de retomada das atividades do setor no segundo semestre. A iniciativa será aplicada em duas feiras de economia criativa, uma corporativa, quatro festas sociais e três noturnas.

Um desses será uma “feira modelo” com testagem rápida por antígeno. Segundo a Biomédica Amanda Carvalho, “quando realizada no dia correto tem em média sensibilidade de 95%, quase igual a do PCR. O ‘dia correto’ é após 72h do início dos sintomas ou 7 dias do suposto contágio, se assintomático. Porém, é importante ressaltar que se o vírus estiver no período de incubação (em média 4 dias após a exposição) nenhum teste existente vai conseguir diagnosticar.”
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico irá disponibilizar também um curso de biossegurança de protocolos sanitários. A intenção é promover a capacitação de profissionais de festas, eventos, bares e restaurantes. As inscrições precisam ser realizadas a partir de agosto no www.viarapida.sp.gov.br.
“Isso não é uma retomada, não é uma abertura. São dez eventos controlados, para ter monitoramento científico. Todas as pessoas que participarem serão testadas e monitoradas por duas semanas para que possamos ter um planejamento para o segundo semestre, seguro, responsável, baseado na ciência e nos dados”, afirmou a secretária de desenvolvimento econômico de SP, Patrícia Ellen.
Barcelona, Sydney e Nova York foram citadas como exemplos para a realização dos experimentos. Na cidade catalã, para efeito de comparação, todos os 5 mil presentes usaram máscaras do tipo PFF2, consideradas mais seguras, e foram submetidos a testes RT-PCR. O Estado de Nova Gales do Sul, onde fica Sydney, registra há meses cerca de dois novos casos por dia. Já Nova York priorizou a vacinação para permitir que a população tenha acesso a grandes eventos.
O Estado de São Paulo, com média móvel de 14 mil casos diários, vive uma alta também na taxa de ocupação de UTIs. 24.386 pacientes estão internados com Covid-19, conforme atualização feita pela Secretaria Estadual de Saúde na segunda-feira (7). Em 7 de maio, o número registrado foi de 21.320 hospitalizações (um crescimento de 14,3%). A taxa de ocupação dos leitos de UTI na rede estadual está em 81,9%, enquanto nos de enfermaria está em 66,7%.
“Há um aumento de casos já hoje na cidade depois daquele pico gigantesco que nós tivemos em março e abril com a P.1, e estamos nos preparando exatamente para uma nova onda que, seguramente, vai atingir todo o Brasil e não vai ser diferente aqui na cidade de São Paulo”, afirmou Edson Aparecido, secretário municipal da saúde, um dia após o anúncio feito por João Doria.
Apesar de uma iniciativa importante, cabe frisar que a situação pandêmica segue distante de semelhança com os exemplos citados pelo governo paulista e de outro bem-sucedido nesse sentido como o Reino Unido, com cinco óbitos confirmados em 48 horas, 61% da população vacinada com pelo menos uma dose, sendo 42% com as duas, e testagem a cada milhão de habitantes, 11,7 vezes superior ao Brasil (conseguindo assim rastrear contaminados, algo nunca realizado por aqui).
Sem essa convergência fundamental, fica ainda mais complexo chegarmos ao mesmo patamar de controle ao não contar com medidas eficazes implementadas e respeitadas. Vale ressaltar que a vacina não elimina a disseminação do vírus completamente. Ter esperança de uma melhora que possibilite a retomada segura dos eventos é importante, porém, ser realista e reforçar protocolos básicos — ao usar máscara eficiente, manter distanciamento e evitar ambientes fechados/não ventilados— é ainda mais.
Essa estrada a caminho de uma retomada consciente deve ser trilhada por todos nós.
