Maior expoente do techno brasileiro: ANNA abriu sua vida e preparou um Podcast exclusivo pra gente


Por: Gabriela Loschi

Outubro de 2016. Pacha Ibiza lotada. Na plateia, alguns dos players mais importantes da cena mundial. Do palco, o anúncio do seu nome ecoou: ANNA! Assim foi divulgada, em uma noite especial de gala na ilha espanhola, a vencedora da categoria Artista Revelação 2016 do DJ Awards. Ao receber o troféu, nossa brasileira  foi aplaudida por nomes como Maceo Plex, Matador, Carl Cox. 

 

 

Essa e outras grandes conquistas em 2016 – ficou entre as 10 melhores artistas de Techno no Beatport e teve todos os lançamentos no TOP 10, foi eleita melhor DJ Underground pelo Rio Music Conference, teve gigs no Tomorrowland e Ultra Music Festival Brasil, foi a única mulher e brasileira convidada a tocar com Solomun no projeto +1 em Ibiza – poderiam nos fazer a supor que a frase “A nova promessa do Techno” teria sido proferida recentemente pela imprensa internacional, de olho no sucesso expoente e sem fronteiras da artista paulista – apesar da mesma discotecar desde a adolescência. Mas esse “título” foi conferido a ela há mais de uma década por um assertivo jornal mato-grossense – na mosca!

 

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Naquela época, Ana Lídia Flores Miranda – uma mulher admirada por sua determinação e foco -, assinava como Anali e tocava na Six, boate do pai em Amparo, interior de São Paulo, sua terra natal. Foi nesse ambiente vibrante e hedônico do club que seus olhos brilharam e se mostraram críticos pela primeira vez, ao observar a repetição recorrente da seleção musical nos sets de um dos residentes. “Por que você não vai lá e toca, então?”, estimulou (ou desafiou?) seu pai. Pronto! Com 14 anos ela passou a comandar 1500 pessoas na pista com a naturalidade de quem não poderia ter outro destino!

Hoje, aos 31, ANNA tem lançamentos nos label mais respeitados do mundo, como Diynamic, Kraftek, Turbo, Suara, Terminal M, Circus e Octopus e, se não bastasse figurar no TOP 10 do Beatport com todos os seus releases de 2016, sua track “Odd Concept” ainda ficou entre as 10 mais vendidas no Techno do ano!

Mas se alguém pensou que 2016 foi o seu auge, 2017 já começou com um convite especial: ANNA foi convidada a levar seu techno forte e sedutor para o aclamado Movement, em Detroit, onde pouquíssimos brasileiros já passaram, e sua agenda do ano já está bem cheia – tipo um b2b com Monika Kruse nos 20 anos de Awakenings em Amsterdam.

Com o semblante suave e a voz serena da maturidade, ANNA bateu um papo com a gente por Skype direto do seu apartamento na região de Sant Antonie em Barcelona, onde vive com o marido, amigo e companheiro de 10 anos, Wehbba, para a nossa capa da impressa #45

 

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E além da entrevista exclusiva, ANNA preparou um Podcast exclusivo:

 

 

 

House Mag – Oi Anna! É um prazer tê-la estampando nossa capa. Como está sua rotina nesse momento em Barcelona?

ANNA – Oi pessoal, obrigada pelo convite! Eu estou bem focada no trabalho, tenho viajado muito, então preciso aproveitar o tempo que tenho em casa para trabalhar no estúdio e essa acaba sendo minha rotina, estúdio e viagens. Mas eu tento balancear um pouco, tirar um tempo pra curtir a cidade, fazer esportes, fazer pequenas viagens dentro da Espanha mesmo, mas não é sempre que consigo.


HM – Já que começamos a falar em estúdio, que é o lugar onde você passa a maior parte do tempo, fale sobre o processo de construção dele e quais os seus aparelhos preferidos.

ANNA – Eu tenho meu estúdio na minha casa mesmo. Eu e o Wehbba construímos juntos. Se um dia nos separarmos, vai metade pra cada (risos). Ao mudar pra Europa, comprei muita coisa, pois os equipamentos são bem mais baratos que no Brasil e hoje tenho o melhor estúdio que tive até hoje, me sinto a vontade em trabalhar nele, conseguimos montar um set up bem legal. Nada no estúdio fica parado, todos os equipamentos que estão lá são meus preferidos, mas vou destacar a bateria Analog Rythm, o Beatstep Pro, Prophet 6, Virus TI, Super Jupter e um pedal da Eventide chamado H9 Max que acabei de comprar.


HM – Você sai para pesquisar records? Quais são as lojas de vinil e digitais mais legais que você conhece pelo mundo?

ANNA – Não tenho o costume de sair pra pesquisar records, acabo fazendo essa pesquisa online. A que mais tenho usado é a decks.de para comprar vinyl e a Juno. Claro que quando tenho tempo gosto de dar uma garimpada, quando estou em uma cidade que tem lojas boas eu sempre tento ir, mas no dia a dia faço isso online, principalmente durante as viagens.

Em Barcelona tem a  Revolver e Discos Paradiso, em Berin a Hardwax, e Melting Point. Uma vez por semana passo um tempo no Beatport e também recebo muito promo, que é da onde vem a maioria das músicas que toco. Também gosto e ouvir sets novos e antigos de artistas que eu gosto, sempre descobro coisas muito boas.

 

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HM – Vamos falar do início. Você começou tocando como Anali. Como e por que aconteceu o reposicionamento para ANNA?

ANNA – Em 2008 eu mudei de Anali para Anna Miranda, pois fui morar Europa e Anali não soava tão bem. Voltei ao Brasil em 2010, tive uma reunião na minha agência na época, a Carambola, e decidimos usar DJ Anna. Eu queria usar só ANNA, mas o Boris Brejcha tinha um projeto com esse nome. Há três anos conversei com o Boris e ele não usava mais o nome, então tirei o DJ da frente e ficou só ANNA.


HM – Você começou a tocar bem nova no club do seu pai e grande parte da sua família trabalha na indústria. Você já teve dúvidas de qual caminho seguir ou foi realmente muito natural?

ANNA – Foi tudo muito natural, eu vivi essa atmosfera de club desde muito cedo, me lembro de ir algumas vezes ver meu pai tocar, não podia ir sempre pois era muito nova ainda. Às vezes ia com ele para São Paulo e ficávamos horas escutando música na galeria 24 de Maio, ele sempre voltava com um case de vinil cheio, eu adorava. Quando comecei, alguns DJs do club me ensinaram rapidamente como mexer nos equipamentos, eu chegava da escolha e ficava o dia todo praticando, na casa da minha avó, que era onde ficavam todos os equipamentos do club. Me sinto muito sortuda em ter encontrado um trabalho que amo tanto, com apenas 14 anos de idade.


HM – Como foram suas descobertas artísticas, do início até quando experimentou o techno pela primeira vez?

ANNA – No começo eu mixava música brasileira: axé, “É o Tchan”, Los Hermanos, Djavan… de tudo. Após uns dois anos, comecei a me interessar pela pista de música underground que tinha no club. O que despertou meu interesse foi ver o Marky tocando; me apaixonei pela música e pela atmosfera que ele criava e decidi que queria ser DJ de musica underground. Depois de um tempo pesquisando e descobrindo artistas e estilos diferentes, eu me achei no Techno, depois de ouvir muito Jeff Milss, Carl Craig, Josh Wink, Laurent Garnier, Underground Resistance, Plastikman, Carl Cox e tantos outros.

 

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HM – Em uma geração em que muitos fazem sucesso com marketing pesado, o seu triunfo veio pela música e consistência. Mas o lado do marketing hoje precisa ser pensado. Recentemente você postou um vídeo em Ibiza, mostrando a gig ao lado do Carl Cox. Como você pensa sua carreira nesse sentido?

ANNA – Eu não tenho um plano em relação a isso, eu fiz o vídeo pois era algo especial, uma gig muito importante, então eu e minha manager optamos por fazer. Eu não invisto muito em marketing, talvez devesse investir mais, gasto muito pouco dinheiro no Facebook, por exemplo. Gosto de controlar todas as minhas mídias sociais, eu mesma faço as postagens, tento responder todas as mensagens, acho um canal importante de comunicação com meu público, então o faço o mais pessoal possível.


HM – Você começou a ser reconhecida principalmente quando sua música foi tocada por grandes nomes como Carl Cox, Richie Hawtin, Solomun e sua carreira decolou ao sair do país. Como a mudança para Barcelona ajudou, nesse sentido, e que principais razões te levaram a tomar esta decisão?

ANNA – No Brasil as coisas não estavam acontecendo, eu não tinha muitos shows, não tocava exatamente o que eu queria, não estava ganhando  dinheiro suficiente, e estava muito desestimulada com a cena. Então tive um pequeno sucesso com a minha track “Keep Going,” e através dela recebi o convite de entrar para a agência IMD em Londres, onde conheci minha manager, Leticia. Nos demos muito bem e pouco tempo depois fomos trabalhar na agencia Safehouse Management, de Carl Cox, Nicole Moudaber, Cassy, John Digweed… Foi quando decidi me mudar pra Europa, sem saber se teria gigs o suficiente para me manter la, as coisas ainda eram incertas. Mas não tive dúvidas. O processo de mudança foi muito rápido e quando vi, ja estava em Barcelona. Tudo deu muito certo, graças a Deus.


HM – E hoje o seu som é muito bem aceito no Brasil – seus sets no Tomorrowland, Ultra Brasil (e em Miami 2017), aniversário do Warung, Electric Zoo, foram super elogiados. Mas nem sempre foi assim. Já teve agência pedindo pra você tocar mais comercial, por exemplo. Qual o conselho que você da pra essa garotada, que acha que não vai conseguir, tem medo de falar não a um agência, de não se encaixar no mercado?

ANNA – Eu nunca culpei a minha agência. Eu falava: “Gente, to sem gigs, o que preciso fazer?” E eles me aconselhavam a fazer o que eles achavam que me traria mais gigs. Eu não vejo problema nenhum em  seguir o conselho e se adaptar ao que está na moda, o que eu acho prejudicial é um artista ir apresentar sua visão (que muitas vezes é muito interessante) para os agentes, promoters, e ser totalmente desencorajado. Temos que apoiar novas ideias, novas personalidades, temos que dar incentivo ao novo se queremos ter uma cena mais rica.  Você precisa  ter uma visão, e se comprometer com ela, mesmo incerto dos resultado, tem que apostar e trabalhar, não tem muito o que fazer. Quando me aconselhavam a fazer bootlegs por exemplo, eu jamais considerei, pois tinha bem claro o que eu queria, mesmo que não estivesse dando certo naquele momento, era a minha arte, minha verdade. É preciso ter identidade, ser firme, paciente.

 


HM – E quais foram os melhores conselhos que já te deram?

ANNA – Sempre acreditar em mim, manter os pés no chão, trabalhar com o que ama, com muita dedicação, sem focar muito nos resultados.


HM – Se por um lado sua projeção internacional se refletiu na maior aceitação do seu trabalho pelo mercado brasileiro, por outro, o techno atravessa um período de grande evidência no país novamente. Qual a sua percepção da cena hoje no Brasil?

ANNA – Quando as coisas começaram a acontecer na Europa, isso se refletiu na cena do Brasil e senti que fui mais valorizada no país. Mas eu sinto que de três anos pra ca as pessoas estão pedindo coisas novas, estão cansada de ouvir sempre a mesma coisa e estão abrindo a cabeça para outros estilos.  Uma das melhores gigs do ano foi no Ultra Music e Warung. Adorei! Toquei meu som, não foi como antes, que deixava de me expressar como queria para poder agradar público e promoter, fui totalmente EU. Há muito tempo não tocava assim no Brasil.


HM – O que falta no Brasil para que uma cultura mais “underground” se fortaleça e o momento atual não seja apenas mais uma fase?

ANNA – Sinto falta do interesse para o que não é mainstrem,. Agora o techno está em evidência, então todo mundo quer ouvir e tocar, até quem não gosta de techno vai acabar fazendo. O problema é a falta de abertura para o diferente. Acredito que seja com o tempo. É preciso mais gente apostar e criar movimentos baseados no que realmente gostam. Temos excelentes exemplos, como Mamba Negra, Caposlock, Selvagem, Gop Tun, Subdivisions, estamos no caminho certo!


HM – Enviar demos, como você já fez muito, ainda é um modelo válido? Qual o momento certo e como saber se uma produção está madura o suficiente?

ANNA –  É super válido, tem que mandar demos SIM e, se for ver um artista que gosta, tente entregar um pen drive, não tenha vergonha. As pessoas não ouvem no começo, ninguém responde, mas se continuar, uma hora um selo ouve. É importante enviar para os menores também. A Witty Tunes, gravadora que lançou minha track ‘Keep Going” não era grande, mas me abriu muitas portas. Mandar uma música soando bem é muito importante, não mande até ter a certeza disso. Se você ainda não sabe masterizar e mixar, procure alguém que o ajude, e peça feedbacks antes de mandar o demo.

 

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HM – Além da chuva de produções próprias, você já remixou artistas expressivos, de Matador a Gorgon City – já até transformou o big room da Nervo em um techno sensual para pistas obscuras. Qual dos dois formatos te agradam mais, como produtora, e qual a importância de ambos?

ANNA – Eu gosto mais de fazer originais, pois é um trabalho totalmente meu, mas também acho divertido remixar, transformar a visão de outro artista e fundir com a minha.

 

 

HM – Que artistas que mais te inspiram atualmente?

ANNA – Laurent Garnier, com certeza. Maceo Plex é uma inspiração mais recente, de 4 anos pra cá; Tale of Us, que criou algo bem legal. Mas quando estou sem inspiração no estúdio, procuro os mais antigos, Juan Atkins, Carl Craig, Kraftwek, Jeff Mills…


HM – Um tema inevitável: as mulheres na cena estão cada vez mais unidas e fortalecidas. Há uma forte campanha para bookarem mulheres e termos line ups equilibrados. O que precisa acontecer, para termos mais equilíbrio?

ANNA – O line up é um reflexo da cena toda. Para o equilíbrio acontecer , as escolas de DJ e produção tem que estar equilibradas, os sites de venda de música tem que estar equilibrados e por ai vai.  Um amigo que é professor de produção há mais de 10 anos me contou que para cada 30 homens tem 1 mulher nas classes. Claro que isso reflete nos line ups. Eu acho que o caminho é exatamente a união, criação de projetos para que as meninas que estão sem espaço se destaquem e mostrem o quanto são competentes, e inspirem outras jovens e as tragam para a cena. Hoje temos mais mulheres atingindo o sucesso do que nunca, mas ainda somos um numero inferior,  infelizmente, mas isso vai mudar, pois resolvemos agir!

O que mais me incomoda é o preconceito que sofremos até hoje, nós temos que nos provar o tempo todo, as pessoas acham que estamos na cabine por qualquer motivo que não seja nosso talento. Sinto que se uma mulher quer ser mais sexy, mais feminina por exemplo, ela é totalmente descreditada, o que não acontece com os homens.

 

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HM –Você já sentiu esse tipo de pressão, de insinuarem que você está lá por outros motivos?

ANNA – Sim, algumas vezes. Há um ano, por exemplo, o Christian Smith postou uma foto minha, orgulhoso, falando que eu estava indo muito bem. Aí comentaram: “quem produz ela?”. Se você posta uma foto de um homem, ninguém escreve esse tipo de coisa. Quando é uma mulher, as pessoas ainda têm preconceito, um pé atrás, você tem que se provar o tempo inteiro. O jeito de parar isso é mostrando trabalho e sendo o melhor que podemos ser. Eu sou mais introspectiva, sempre foquei muito na música, então isso não acontece tanto, mas se uma mulher escolhe trabalhar sua imagem, sua beleza, ela acaba sendo descreditada e isso é inaceitável.


HM – O que mais te agrada e o que mais te desagrada na cena hoje?

ANNA – O que mais me agrada é descobrir novos artistas tão talentosos todos os dias,  ver que tem muita gente boa criativa começando e enriquecendo a cena. Eu tenho ouvido tanta coisa boa recentemente, e isso me estimula muito.  O que mais me desagrada é a supervalorização de informações da internet ou virtuais, por exemplo, contratar ou deixar de contratar um artista baseado em plays de Soundcloud, views de Youtube,  likes em Facebook, que nem sabemos se são verdadeiros, e muitas vezes não dando o devido valor a realizações palpáveis.

 

 

HM – Você fez um grande ano em 2016 e continua crescendo em 2017. Ano passado foi o melhor da sua carreira? Quais foram os momentos mais marcantes de 2016?

ANNA – Com certeza! Foi o ano que eu mais toquei, que todas as minhas músicas, desde “Where Are You Now”, venderam muito bem e entraram no TOP 10 do Beatport. A gig na Pacha com o Solomun foi um dos pontos altos, foi uma honra estar naquele line up . O prêmio de artista revelação do DJ Awards, na Pacha foi muito importante, e estar no meio de tanta gente legal da cena como vencedora foi recompensador.

 

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HM – E quem, pra você, fez um grande ano?

ANNA – Adam Beyer. Apesar de não ser o meu preferido, ele está na cena há anos e alcançou o topo em 2016 com o Drumcode. Notei que no Brasil todos se interessam pelo selo, é um tipo de techno em alta no país. Ben Klock também se destacou bastante.


HM- Você sente vontade de experimentar coisas novas, outras batidas? Com o que você ainda sonha?

[ANNA – Não penso muito lá na frente, algo específico que eu queira experimentar. Quero continuar fazendo o meu som, mas sem me limitar muito. O que predomina na minha música é o Techno, mas eu faço deep house, tech house,  meu álbum tem umas músicas ambientes também. Influências novas vão surgir claro, mas tudo naturalmente. Quando eu treinava no meu quarto, 8h por dia, nunca imaginei que iria tocar na Europa, com os melhores DJs do mundo e festivais, até ganhei um prêmio. Isso é muito mais do que eu sonhei.

 


HM – E pra finalizar, o que vem pela frente? Lançamentos, parceria, álbum? 

ANNA –  Estou filmando um documentário com a DJ Sounds há 4 meses, logo logo sai. Planejo lançar meu álbum, está quase pronto, espero que saia ainda esse ano. Em Fevereiro tenho um remix para o Reboot saindo na Get Physical, um EP no selo Rukus, com remixes de Matador e Marc Houle, acabo de terminar um EP em parceria com Pig & Dan que sai em meados de Maio.

 

Muito obrigada pela entrevista querida!!            

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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