Prolífico produtor, o alemão Martin Stimming lançará oficialmente amanhã, dia 29/4, “Alpe Lusia”, o quarto álbum de sua carreira que já pode ser ouvido em streaming pelo Resident Advisor. Seu som clasusdo e experimental, que flerta com o house e com o techno, tornou-se novidade das boas no fim dos anos 2000, quando começou a chamar atenção da crítica especializada européia – e do público também. Após ganhar forte suporte de Solomun e da sua gravadora Diynamic e ter apresentado seu live (ele nunca faz DJ set!) em todos os cantos do mundo, o som de Stimming consolidou-se como uma verdadeira marca no Velho Continente – é quase impossível não reconhecê-lo logo nos primeiros beats.
“Alpe Lusia” chega às lojas três anos após o lançamento de “Stimming”, seu último álbum de estúdio completo. O álbum é inspirado em uma viagem que ele fez aos alpes do norte da Itália, em que ficou recluso somente produzindo – ele o considerou intimamente pessoal e autoral. “Eu queria criar algo único, meu, uma jornada que, além da fórmula básica do house, orientasse minimamente nas influências contemporâneas”, ele afirmou ao RA. O resultado são 10 faixas cheias do experimentalismo típico que permeia sua produção desde sempre, com menos faixas dançantes para pista e muita viagem sonora. Grande parte desse “experimentalismo”, vale dizer, vem das pesquisas de som e equipamentos que o produtor utiliza, já que também é engenheiro de som.
As quatro primeiras músicas (“Prepare”, “Pressing Plant”, “Trains Of Hope” e “Parking Lot” elucidam mais claramente a influência que Stimming carrega da música clássica, principalmente com piano marcante. O produtor de Hamburgo parece querer nos preparar um pouco para o que está por vir depois – portanto, fica o aviso: essa primeira parte não é para qualquer ouvido.
Depois disso, tracks mais eletrônicas começam a surgir. “For My Better Half” é talvez a melhor faixa do LP, que nos leva a uma trip que começa bem etérea, ganha vocal distorcido no meio e termina numa batida de techno fina. Mais dramática, “Tanz Fuer Drei” mostra como Stimming é mestre em fundir elementos da música clássica e da eletrônica. Por fim, a faixa-título é tipo uma sinfonia com synths, sinos e sussurros.
O disco recebeu comentários importantes de artistas como DJ Koze, que afirmou: “Estou maravilhado. É um álbum incrivelmente vivo, despojado, profundo, divertido e principalmente pessoal. Como se alguém sentasse em frente aos seus aparelhos enquanto navega em um bote pela imensidão do oceano, sozinho (e com Ritalina)”.
Para entender melhor o que estamos falando, aperte o play e mergulhe sem preconceitos no universo alternativo que Stimming cria com maestria.
