Por Rodrigo Cury
Foto de abertura: divulgação
Conheci a música do Kölsch em 2013, quando estava na loja da Kompakt, na cidade de Colônia, na Alemanha, e o álbum “1977” havia acabado de ser lançado. A desejada vitrine do espaço estava toda preenchida com várias cópias, o que me chamou a atenção. Entrei no local para comprar discos da label e outros diversos, inclusive alguns usados, pois sabia que esses lugares disponibilizam ótimas sessões de “second hand” e claro, adicionei este álbum até então totalmente inédito para mim no carrinho.

Foto: acervo pessoal
Claro que assim que entrei na loja, peguei este álbum (aberto) na primeira leva de discos que separei para escutar. E quando vou ouvir um álbum, procuro sempre seguir a ordem em que foi gravado, isso quer dizer da primeira música em diante, ou a primeira faixa do lado A ou lado 1, deixando rolar a sequência. Faço isso pelo simples motivo que acredito que se um disco foi gravado nessa ordem é porque existe um porquê.

Foto: acervo pessoal
A faixa “Oma”, na hora escutei rapidamente, mas já me interessei pelo outro lado e então pelo segundo LP (os álbuns de música eletrônica costumam ser duplos). Na hora já o comparei com o Gui Boratto, um dos principais artistas da Kompakt em popularidade, junto com o Kölsch.
Comparei estes dois artistas porque achei que ambos os produtores usam e abusam de melodias profundas em suas composições, e muitas vezes com vocais marcantes. Esta matéria é sobre as músicas do Kölsch, mas quem se lembra de “Beautifull Life”, do Gui Boratto saberá direitinho aonde quero chegar.
Continuando: escutei os dois lados e na hora me liguei na faixa “Bappedekkel”, que fez parte do excelente set do Digitalismna edição de 2013 do Melt!, um dos mais importantes festivais de techno da Alemanha e de toda a Europa. E este set do Digitalism foi tão bem falado que eles fizeram uma tour durante todo aquele ano deste mesmo set. Eu mesmo pude conferir Digitalism tocando “Bappedekkel” no I Love Techno, em Gent, na Bélgica, e também no Xoyo Club, em Londres, na Inglaterra.

Foto: acervo pessoal
Fazendo um resumo do álbum “1977”, talvez a maior característica do Kölsch na minha opinião é produzir um techno que chamaria de viajante, onde é possível fechar os olhos, sorrir e mexer as mãos sem ao menos perceber que fez isso.
Depois de comprar este álbum, fui atrás de onde poderia conferir os sets dele ao vivo nos clubs e festas pela Europa, e consequentemente procurar mais coisas na internet. As apresentações logo de início não bateram – logisticamente falando, é claro. Mas no Youtube pude conhecer a fantástica “All That Matters”, em parceria com o também dinamarquês Troels Abrahamsem nos vocais. Esta na minha opinião é a melhor faixa dele, junto com uma outra música que falarei nas linhas de baixo.
“All That Matters” chamaria de um techno envolvente, mas pelas construções harmoniosa e efeitos de sintetizadores, e também não restringiria somente ao techno e sim a muitas outras variações que envolvem o gênero. Claro que depois deste fascínio todo, consegui comprar este disco alguns anos mais tarde.

Foto: acervo pessoal
Depois de “1977”, alguns EPs e Speicher (série de discos especiais da Kompakt, onde 10 em cada 10 produtores sonham em fazer parte. Anna e Gui Boratto são alguns nomes que possuem edições pela série) lançados foi a vez de “1983”, que me pareceu bem uma continuação de “1977”, afinal os títulos de ambos sugerem isso.

Foto: acervo pessoal
Para citar as produções mais marcantes, “Bloodline” é uma faixa que poderia muito bem estar em uma novela das oito, por exemplo. Vocais sedutores versus timbres envolventes, e ainda com umas notinhas de violino ao fundo. Cenário perfeito para uma viagem de carro ou de trem na estrada, ou até mesmo para dizer palavras bonitas a quem você tanto ama.
Por outro lado, “Papageno 30 years later” é uma faixa mais introdutória se considerarmos algo mais pista, mesmo que seja para um warm up. Já as faixas “Pacer” e “Unterwegs”, de kicks marcantes, são sons mais diretos e retos, mas isso não quer dizer que seja o tradicional techno quatro por quatro, no melhor sentido da palavra.
Agora a melhor música do Kölsch, junto com “All That Matters” que escolho, é sem dúvida “Dogma 1” e “Dogma 2”, produzida em parceria com Michael Mayer, um dos donos da Kompakt. O disco conta com cada uma das faixas em um lado do vinil, e marcou a estreia da IPSO, a gravadora do Kölsch, fundada em 2016. Me refiro a “Dogma 1” e “Dogma 2” como uma única música porque de fato elas são mesmo. Uma é remix da outra, e as duas versões acho sensacionais. São faixas extremamente dançantes que caberiam em qualquer noite de techno, seja nos clubs, raves ou até mesmo festivais comerciais. Synths envolventes e uma construção harmônica de muitas variações.
A continuação desta triologia de álbuns é o “1989”, mas que ainda não escutei e por isso não consigo opinar.
Espero que tenha dado uma boa impressão do quem vem por aí na próxima abertura do Ame Club, neste sábado, dia 18 de maio, com o dinamarquês Kölsch (Kompakt/IPSO), e os brasileiros Davis, Máscaro e Silvio Soul.
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