NOX Festival: retorno de Armin van Buuren marca o nascimento de uma nova label em Santa Catarina

Evento promete atrair pessoas de outros estados e países vizinhos

Santa Catarina consolidou-se como um dos territórios mais relevantes da música eletrônica na América do Sul. Com um ecossistema maduro, público altamente engajado e histórico consistente de grandes eventos, o estado ocupa uma posição estratégica no diálogo com o mercado internacional. Nesse contexto, as labels assumem um papel central ao estruturar cenas, criar identidade cultural e manter o gênero em constante expansão.

É a partir dessa leitura que a Opus Entretenimento, uma das maiores plataformas de shows e entretenimento ao vivo do Brasil, apresenta o NOX Festival, sua nova label dedicada à música eletrônica. O projeto nasce com ambição global, curadoria precisa e uma proposta clara de posicionamento: conectar Santa Catarina aos grandes fluxos da música eletrônica mundial, operando no mesmo nível dos principais polos do gênero.

A edição de estreia acontece no dia 7 de março, na Arena Opus, na Grande Florianópolis, e já se estabelece como um marco para o setor ao receber Armin van Buuren como atração principal. Reconhecido como um dos artistas mais influentes da história da música eletrônica, o DJ e produtor holandês traz ao Brasil, com exclusividade, a megaprodução THE ORB, um espetáculo imersivo de grande escala que integra música, tecnologia e narrativa visual, elevando o padrão das experiências eletrônicas no país.

A seguir, confira uma entrevista exclusiva com Bruno Sergio Gomes, Head of International Touring da Opus Entretenimento.

Para lançar uma label que nasce com a ambição de reposicionar a noite catarinense, vocês poderiam ter seguido muitos caminhos. Por que escolher justamente o Armin van Buuren — um artista legacy, com 16 anos sem tocar na Grande Florianópolis — como rosto da primeira edição do NOX? E como entra, nessa escolha, o fato de trazerem o The Orb com exclusividade no Brasil?

R: Para inaugurar essa proposta, fazia sentido começar com um nome que simbolizasse essa cultura. O Armin van Buuren faz parte de um grupo muito restrito de artistas que atravessaram gerações mantendo protagonismo. Ele representa a era das grandes pistas que atravessam a madrugada e são construídas com tecnologia, narrativa e intensidade.

Ele traduz esse imaginário de night club internacional que queremos apresentar ao público da região como complemento ao que já existe.

O The Orb entra como uma camada diferente dentro dessa mesma estreia. É um projeto único, mais imersivo e conceitual, que chega ao Brasil com exclusividade. Ele amplia o alcance artístico da noite e reforça que o NOX nasce com curadoria, não apenas com um grande headline.

O line-up da estreia coloca, no mesmo universo, um ícone como Armin van Buuren e nomes mais jovens como a Laura van Dam, além de artistas fortes da cena atual como Cat Dealers e Öwnboss. Que história vocês querem contar com esse encontro de gerações? O que isso diz sobre a visão de futuro do NOX para a música eletrônica?

R: O line-up do NOX não é uma soma de nomes soltos. A proposta sempre foi colocar diferentes momentos da música eletrônica convivendo na mesma noite.

O Armin representa a base dessa cultura global de clubes, alguém que ajudou a construir essa história. A Laura van Dam traz uma estética européia mais atual, conectada ao que está acontecendo hoje nos grandes centros. Cat Dealers e Öwnboss mostram a força da cena brasileira dialogando com o mercado internacional. ETTA e Moser representam uma geração que já nasce com mentalidade global.

Não é sobre dividir entre “lendas” e “novos talentos”. É sobre continuidade. A música eletrônica evolui, muda de forma, mas existe uma linha que conecta tudo isso.

Quando vocês olham hoje para a cena eletrônica de Santa Catarina, que lacuna específica enxergam que o NOX vem preencher? Em termos de experiência, linguagem e posicionamento, que impacto vocês querem causar na forma como o público daqui se relaciona com a noite e com a música eletrônica?

R:  A provocação era simples: Santa Catarina tem uma das cenas eletrônicas mais fortes do país, mas será que existe espaço para viver a noite de outra forma?

O que enxergamos foi que ainda havia espaço dentro desse ecossistema para uma experiência mais focada na noite em si, mais imersiva, mais urbana, mais conectada à cultura global de clubes.

Santa Catarina tem hoje uma das cenas eletrônicas mais fortes do país. É um mercado consolidado, que funciona muito bem dentro de um formato específico. O que percebemos é que grande parte dos eventos segue a lógica do open air, da conexão com o ambiente externo.

O NOX quer trazer  outra atmosfera. Uma experiência que começa mais tarde, que não depende da natureza como cenário e que se constrói a partir de som, luz, cenografia e energia de pista.

As referências são globais, sim. O que acontece em cidades como Las Vegas, Ibiza, Londres ou Miami mostra que existe espaço para clubes com essa intensidade. Queremos trazer essa camada para a região, adaptada à nossa realidade.

Queremos mostrar que a festa pode ter outro ritmo, outro tempo, outra construção e que a pista pode voltar a ser o centro da experiência.

O mercado de festivais no Brasil consolidou muito o formato ‘open air’. O NOX, porém, parece olhar para uma tendência global de ‘Super Clubs’ e experiências indoor de alta tecnologia, similar ao que vemos no Hï Ibiza ou no conceito do futuro UNVRS. A ideia é transformar a Arena Opus em um ‘clube gigante’? Como vocês enxergam essa lacuna no mercado noturno da região?

R: Sim, a ideia é exatamente essa: transformar a Arena Opus, em determinadas noites, em um grande clube.

A Arena não está na ilha e não é um beach club, e nunca vimos isso como desvantagem. Pelo contrário. Justamente por não competir com esse formato já consolidado, ela nos permite criar outra atmosfera.

A Arena Opus é hoje uma das maiores e mais estruturadas casas de shows do Brasil. É um espaço com padrão internacional, A parte interna é modular e pode chegar a até 18 mil pessoas, com excelente infraestrutura de serviços, acessos e tecnologia.

Essa escala, combinada com alta qualidade, permite transformar completamente o ambiente quando o NOX acontece.

Quando falamos em “superclub”, não é sobre copiar Ibiza ou Las Vegas, mas usar essa estrutura para criar uma experiência indoor de alto nível. A arena deixa de operar como casa de shows tradicional e passa a funcionar como clube

Um dos desafios das grandes estruturas é não deixar a experiência fria ou distante. Que escolhas de layout, som e luz vocês fizeram para que, mesmo dentro de 24 mil m², o público tenha aquela sensação de “estou em um superclub”, e não apenas assistindo a um show de longe?

R: Esse foi, sem dúvida, um dos maiores desafios e também a parte mais interessante do projeto.

A Arena Opus é grande, mas justamente por isso permite trabalhar o espaço de forma estratégica. O público não entra em um salão único e distante do palco. A configuração cria diferentes ambientes dentro da mesma noite.

A cenografia é essencial. Ao entrar, a pessoa não deve sentir que está em uma arena tradicional. O palco, o desenho de luz, os painéis de LED e o sistema de som são montados para aproximar o público da pista. Trabalhamos profundidade, altura e distribuição sonora para manter intensidade e clareza em todos os pontos.

Por Adriano Canestri

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