Desde seu último evento, no Chipre, em 25 de outubro, Adam Port não havia se pronunciado nas redes sociais. A noite ficou marcada pela frustrada tentativa de implementação da “no phone policy test”, que não foi respeitada pelo público e rendeu diversos vídeos nas redes sociais. Em um deles, o integrante do Keinemusik se vê obrigado a parar o som, pegar o microfone e pedir que o público respeitasse a regra do show para seguir à imersão, o que gerou um constrangimento coletivo.
Na manhã de hoje, em seu Instagram, Adam compartilhou que, no dia seguinte ao episódio, seu sistema vestibular direito havia parado de funcionar e, por conta disso, precisou passar um tempo no hospital para se recuperar. Além disso, comentou sobre o ocorrido em Chipre e afirmou que, apesar do fracasso, eles vão evoluir para tornar a experiência ao vivo do público ainda melhor. Confira a nota:
“Estou um pouco quieto desde o Chipre 🏥
No dia seguinte ao show, meu sistema vestibular de equilíbrio do lado direito simplesmente parou de funcionar e eu passei alguns dias no hospital para me recuperar. Precisei de um tempo off-line para resetar, corpo e mente…
Teste 1 da política de “sem celular”: Chipre
Não saiu exatamente como planejado, mas aprendemos muito e vamos continuar melhorando. Por favor, tenham paciência conosco — vai levar um pouco de tempo, mas tenho certeza de que isso vai tornar a experiência ao vivo melhor para vocês e para nós.
Escrevo isto de Paris enquanto espero meu voo para Buenos Aires, onde tocaremos com a Keinemusik. É bom reencontrar meus amigos e nossa equipe novamente ❤️”
A partir disso, vale entender o que pode ter causado o problema. Estresse extremo, queda de imunidade e overwork estão entre as causas mais comuns nesses casos, especialmente em DJs, artistas e atletas, que podem sofrer com desgaste físico e burnout. A fórmula é simples: o corpo fica frágil com as agendas super corridas → pega um vírus ou inflamação → o ouvido interno desregula → o equilíbrio “desliga” de um dos lados.
O caso traz à tona um tema que vem sendo amplamente discutido na cena eletrônica e ganhando cada vez mais notoriedade: a importância do autocuidado e da saúde mental dos artistas. Em uma indústria marcada por rotinas intensas, fusos horários trocados, pressão constante por entrega e agendas que não permitem pausas, episódios como esse acendem um alerta sobre os limites do corpo.
Cada vez mais, DJs e performers expõem a necessidade de desacelerar, estabelecer fronteiras e priorizar bem-estar para sustentar carreiras de longo prazo e não apenas sobreviver ao ritmo frenético dos palcos.
Além disso, Adam hoje está entre os artistas mais prestigiados globalmente não só na música eletrônica. Após muito tempo sendo o cara do momento ao lado de sua crew, se viu em uma posição de críticas por parte do público e em uma situação desconfortável para ele também. Com certeza parar o seu show não foi uma atitude que ele planejou ou gostou de fazer, mas foi necessário naquele momento, principalmente em respeito aos contratantes que pensaram em uma proposta para a noite.
No fim das contas, a situação de Adam Port não é um caso isolado, mas sim um espelho do que ocorre na prática. Situações como essa nos lembram que, por trás da luz, do som e da energia das pistas, existem pessoas lidando com seus próprios limites. A saúde física, mental e emocional não é um detalhe, é a base de tudo.
Talvez o verdadeiro passo à frente da indústria não seja só inovar no som ou na experiência, mas entender que nenhum set vale mais do que a saúde de quem o conduz.
Por Paulo Rollemberg
