Anhanguera Warehouse: De volta às raízes: Por que o vinil segue relevante no underground

Quando o Anhanguera surgiu, a gente não tinha dúvida: era vinil ou nada. A discotecagem era feita exclusivamente com os discos, carregando peso (literalmente) e a história no case. Era ali, entre agulhas e capas bonitas e surradas, que a gente encontrava o tom certo pra pista de dança. Na época não existia fetiche ou estilo, era como a música eletrônica existia e fazia sentido pra nós. O vinil sempre foi o elo entre nosso som e a alma.

Hoje, mesmo com o digital dominando os palcos, o vinil segue sendo uma parte viva da nossa identidade. É nossa raiz. E o mais curioso é que, enquanto muitos diziam que ele estava com os dias contados, ele foi se reinventando – e voltando com força.

De fato, se comparado com o digital, a produção de um disco de vinil é quase um processo artesanal. Começa com a gravação da matriz em um acetato, passa pela galvanoplastia que cria o “stamp” metálico, até chegar na prensagem final, onde o disco toma forma. Tudo isso para que aquele som ganhe volume, textura e presença. Cada vinil é quase uma peça única, com variações mínimas que fazem parte do charme, assim como uma impressão digital.

E o mercado entendeu isso. Segundo a Recording Industry Association of America, as vendas de vinil superaram as de CDs nos EUA em 2022 pela primeira vez desde 1987 – foram mais de 43 milhões de unidades vendidas no ano, com uma receita de US$ 1,2 bilhão. E a tendência segue crescendo. No Brasil, lojas e feiras de discos se multiplicaram, novas fábricas foram abertas, e artistas independentes voltaram a lançar em vinil com tiragens limitadas.

O SoundCloud, que sempre foi uma plataforma símbolo da era digital, recentemente anunciou que vai permitir a prensagem de vinis para alguns produtores diretamente da plataforma. É o mundo digital reconhecendo o valor da mídia analógica e dando um passo pra eternizar sons que nasceram nos streamings.

Na música eletrônica, o vinil é mais que nostalgia. Ele representa curadoria, pesquisa, respeito à cultura e às origens da discotecagem. O ato de escolher um disco, colocar na agulha, mixar manualmente – tudo isso traz um outro nível de entrega. A pista sente. A gente sente.

Ver o vinil ganhar novamente espaço no mercado é como reviver um capítulo da nossa história e de toda a cultura eletrônica. Porque tem coisa que o tempo não apaga. E o som do vinil, com toda sua alma, é uma delas.

Por Anhanguera

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