Relatório do governo do Reino Unido indica que modelo de streaming precisa ser revisto

Por redação

Foto de abertura: divulgação

Relatório do governo do Reino Unido sobre Economia de Streaming, iniciado em outubro de 2020, concluiu que o modelo atual precisa ser revisto através de uma série necessária de mudanças fundamentais e radicais para que os artistas sejam justamente compensados, evitando agravamento do que se transformou o panorama musical britânico nos últimos 10 anos.

“Artistas bem sucedidos e aclamados pela crítica estão obtendo resultados escassos. Novos talentos são totalmente prejudicados, impactando o que deveria ser uma carreira viável”, afirma o parecer. “Os serviços absorvem 30-34% das receitas de um stream, com a gravadora recuperando 55% e o restante dividido entre artista, editor e compositor”, completa.

Embora as conclusões do DCMS (Departamento Digital de Cultura, Mídia e Esporte) tenham sido contundentes sobre fluxos de renda, foram igualmente condenatórias para as três principais gravadoras no Reino Unido —Warner, Sony e Universal— que se beneficiam “às custas de gravadoras independentes e de si mesmo, ao lançar artistas quando se trata de playlists.”

Segundo o The Guardian, Will Page (ex-economista-chefe do Spotify) apresentou evidências sugerindo que as principais gravadoras se beneficiaram com o surgimento do streaming de 2015 a 2019, aumentando receitas em 21%. “O negócio da música gravada não só ficou maior, mas também muito mais lucrativo. Os artistas, no entanto, não receberam benefícios proporcionais.”

Recomendações feitas pelo inquérito: 


* Permitir aos criadores de música recuperarem os direitos de suas obras nas gravadoras após um período de tempo e ajustar contratos se seu trabalho for bem-sucedido;

* O governo deve introduzir obrigações legalmente aplicáveis para normalizar os acordos de licenciamento aos serviços de hospedagem de conteúdo, como o YouTube;

* Editores e serviços de cobrança devem publicar informações da cadeia de royalties para fornecer transparência aos artistas sobre quanto dinheiro está fluindo pelo sistema.


YouTube também foi criticado, com dados mostrando que “responde por 51% do streaming de música, mas contribui com 7% de toda a receita”. Nos últimos meses, soluções incluindo NFTs e plataformas de streaming de música baseadas em blockchain surgiram para tentar preencher a lacuna entre o valor da música para fãs e as receitas obtidas pelos artistas que a criam.



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