“Minha bandeira é house music e é isso que eu tento passar”, afirma Soldera em entrevista exclusiva

Por redação

Foto de abertura: divulgação

Sempre levantando a bandeira da house music, Soldera volta a hastear sua sonoridade depois de um período de pausa por conta da pandemia. Utilizando o tempo fora das pistas para aprimorar e estudar ainda mais, o DJ e produtor eleva, aos poucos, seu trabalho dentro e fora dos palcos -e o que não falta é novidade.

Dentro do que Rogério pode revelar, está seu novo lançamento, a faixa “Guns”, pela BlackBelt Department Records, com os vocais de Läu, professora de canto. Brindando uma década de sua estreia, ele traz à tona sua identidade lapidada nos primórdios da cena, repaginada com um toque moderno.

Conversamos com o artista sobre carreira, eventos, sustentabilidade e, claro, house music. Confira!

HM – Olá, Soldera, tudo bem? Você acaba de lançar sua nova track “Guns”. Ela está ligada a uma nova fase em seu projeto? Como você enquadra esse lançamento em sua carreira?

Quando eu comecei minha carreira em 2011, na Anzu, fui muito influenciado pela cena deep house que estava aflorando lá no começo, na qual Jamie Jones, Solomon e até Maceo Plex lançavam vários remixes em deep house e disco. Bom, cada um classifica de uma maneira, mas pra mim sempre foi deep house. Sempre me amarrei muito em Mileu Miles, Sandy Rivera, então sempre fui um cara do house e fui flertando com suas vertentes durante os anos. Agora, uma década depois, em 2021, eu acho que esse rolê deep house está total fazendo minha cabeça de novo, com umas pegadas africanas. Então, é uma nova fase da velha fase. Eu continuo tocando house, produzindo house, mas agora mais voltado pro deep / afro, e é isso que passo nas minhas produções, vou passar nos meus sets e, com certeza, vou ficar curtindo por muito tempo ainda.

HM – Falando em sonoridade, em todo esse tempo recluso por causa da pandemia, você estudou novos sons?

Estudei demais, principalmente produção musical na pandemia. Virei um nerd de estúdio e não conseguia produzir outra coisa que não fosse esse deep house / afro house. Não me imagino hoje fazendo outra coisa. Mas lembrando que eu sempre fui do house, minha bandeira é house music e é isso que eu tento passar: um house music moderno, com produção africana, guitarras de disco, melodias deep house, vocal etc.

HM – Sua label, “Pistinha Meu Amor”, ganhou o coração dos fãs de música eletrônica. O que você tem planejado (e que pode revelar) sobre esse projeto para o retorno dos eventos?

A Pistinha está completando 10 anos em 2021, e virão muitas novidades por aí, que a  gente está guardado para a hora que puder retornar e realmente poder fazer eventos sem protocolos, deixar a galera se jogar mesmo e curtir. Posso falar que, além da Pistinha, tem coisas internacionais rolando tanto para importação quanto para exportação. Então, nós estamos trazendo coisas muito fodas de fora e também levando para fora, nível América Latina. Até falando do início da minha carreira, o barulho que a gente fez em 2011 com a Pistinha, sendo uma pista nova na Anzu, agora depois de 10 anos, vamos trazer um festival bem foda de fora para rolar por aqui.

HM – Você recentemente gravou um set em parceria com a Bel Energy, que foi produzido 100% com energia sustentável. Como e quando surgiu essa oportunidade?

Foi um grande presente, numa hora super privilegiada que tive a sorte de ser escolhido para estar representando a marca. Foi uma live no dia do meio ambiente, então a gente usou energia 100% limpa e renovável. A mensagem, na verdade, é mostrar que cada um pode fazer sua parte, tirar a responsabilidade única e exclusivamente do governo, mostrar que podemos contribuir. Energia limpa é infinita, e hoje é um projeto barato, acessível a todas as classes para instalação nas residências. A gente está vendo aí uma futura crise hídrica e pode haver racionamento de energia, etc. Então, a gente ainda quer batizar esse projeto como “Do Yourself”, algo do tipo, exatamente para isso: mostrar que é possível cada um fazer sua parte. A mensagem é essa.

HM – Você acredita que pós-pandemia o setor de entretenimento estará ainda mais focado em medidas sustentáveis?

Olha, sinceramente, é difícil prever o futuro. Cada um tem uma metodologia de trabalho, uma ideologia para trabalhar e até financeira, então cada um faz o que acha certo fazer. Nós, com certeza, até pelos novos espaços que vamos estar lançando os eventos – e daí eu estou falando mais da minha parte da produtora-, vamos levantar essa bandeira sim, e tem muita coisa de conscientização que estamos bolando.

HM – Para finalizar: quem era o Soldera antes da pandemia, quem ele se tornou e o que pretende se tornar após tudo isso acabar?

Um cara mais preparado em todos os aspectos: musical, artístico, empresarial, intelectual! 

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