TikTok como estratégia de divulgação de lançamentos musicais

Por Lu Serrano

Foto de abertura: divulgação

No primeiro trimestre de 2020, o TikTok foi o aplicativo mais baixado em todo o mundo, registrando mais de 2 bilhões de downloads. No Brasil, 7 milhões de usuários encontravam-se ativos neste mesmo período, de acordo com a pesquisa Global Web Index.

A plataforma, que teve altos e baixos em alguns países, com restrições nos Estados Unidos, por exemplo, em meados do ano passado, segue firme, principalmente, entre o público dos 16 aos 24 anos. Porém, o app se tornou mais do que um espaço para “dancinhas” virais ou os famosos desafios, mais conhecidos por lá como challenges.

Um case de sucesso foi a faixa “Wap”, de Cardi B, que ganhou um challenge que dominou os quatro cantos do planeta, com passos que exigiam um pouco mais de flexibilidade, mas, que renderam ótimos conteúdos, tanto para quem seguiu a coreografia ao pé da letra, quanto para quem adaptou de forma divertida e engraçada.

 

@willywonkatiktok

Reply to @official.corona.virus – (dc: @besperon )

♬ WAP(feat. Megan Thee Stallion) – Cardi B

  

No Brasil, “Slow Down”, de Maverick Sabre e Jorja Smith, um hino na versão de Vintage Culture e Slowmotion, bombou no TikTok após o seu lançamento no passado, com o famoso “pescodance”, com tiktokers se jogando na malemolência do movimento “pescoçal” no drop, curtindo ao som da música ou usando a faixa como trilha para memes.

 

@vintageculture

##peskodanze travado kkkkk ##fp ##viral ##foryou

♬ Slow Down (feat. Jorja Smith) [Vintage Culture & Slow Motion Remix] – Maverick Sabre

 

Vale destacar que nos casos citados, o hype aconteceu após o lançamento das faixas. E a indústria musical, antenada à esta tendência, inverteu a ordem dos fatores.

Tanto é, que remixes não oficias começaram a bombar mais do que as próprias faixas originais, de diversas vertentes dentro e fora da música eletrônica e que ainda não passavam de IDs, de forma rápida, objetiva e totalmente chiclete.

Foi então que a plataforma ganhou um importante status dentro do planejamento de comunicação estratégica de lançamentos musicais, no qual o single pode viralizar primeiramente no TikTok antes de sair oficialmente nas plataformas de streaming.

Como foi o caso dos hitmakers David Guetta, com mais de 1,2 milhões de seguidores no TikTok e Sia, via Warner Music France. Em setembro no ano passado, eles lançaram uma série de edições de 15 segundos da faixa “Let’s Love”. Os usuários puderam utilizar essas edições na página do app para criar os seus próprios vídeos e estimular o impulso viral para a track aterrissar nas principais plataformas de streaming já no hype.

Para a head of music content do TikTok no Brasil, Roberta Guimarães, a plataforma é hoje uma das mais poderosas plataformas para divulgação e lançamento de músicas. “Nos transformamos no local onde fãs de música ouvem, descobrem, assistem shows, dividem com os amigos as novidades. Muitos dos ambientes onde se fazia isso como festivais, shows, bares foram afetados pela pandemia, e nossa plataforma se transformou nesse ambiente”, revela.

“Cada vez mais as músicas abraçadas pela nossa enorme comunidade de criadores se tornam hits musicais no país ou músicas antigas vem à tona novamente e são celebradas por aqueles que têm uma conexão emocional com elas e que vivenciaram o seu sucesso na época”, conta Roberta que reforça a importância de estreitar esses laços entre a empresa e a indústria musical.

Mas, para se tornar viral no TikTok, qual é o número necessário a se alcançar? Para a plataforma, a viralização vai muito além de números de visualização ou de engajamento, e o que conta mesmo, é o quanto as pessoas vão se relacionar com o seu conteúdo, com a sua música, a ponto de reproduzi-la em dos seus vídeos curtos ou um vídeo com algo que vê criou. “O que realmente importa no TikTok são as experiências criativas, divertidas e positivas e, quanto mais autêntico, mais criativo, mais a comunidade abraça o seu conteúdo”, explica.

Foi o que aconteceu recentemente com KVSH. “Sicko Drop”, collab com Schillist, bombou no aplicativo com uma dança super fácil. O sucesso foi tanto, que alavancou a track em plataformas de streaming como o Spotify, na qual atingiu mais de 10 milhões de plays apenas no Canadá e Estados Unidos, por exemplo. Ela figurou também no top #2 do Beatport e no viral de outros 18 países.

Mas, tanto sucesso no concorrente do Instagram, dá um ca$h? De acordo com Roberta há uma variedade de oportunidades de monetização para marcas e criadores, com diferentes formatos a serem testados mais adiante, oferecendo oportunidade de negócio.

“O TikTok está comprometido com criadores de conteúdo de todo o mundo e ficamos felizes em ajudá-los a alcançar suas ambições e inspirações com o aplicativo. Sabemos que a monetização é importante para os criadores, mas também o valor, a autenticidade, a expressão, uma comunidade de apoio, uma comunidade engajada e todas as outras coisas que o TikTok oferece de maneira exclusiva. Nosso foco atual é oferecer aos nossos usuários a melhor experiência de plataforma, mas também estamos explorando novas maneiras de apoiar e agregar valor à comunidade”, afirma.

E para alcançar o sucesso desses conteúdos virais, ou melhor, interessantes para os usuários, não há uma fórmula de sucesso, como explica a head od music. Ela cita algumas características que não costumam falhar, entre elas, autenticidade, originalidade, criatividade, alegria e leveza. “São características comuns nos vídeos que viralizam, pois remetem o ambiente positivo do TikTok e sua essência”.

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Foto: divulgação

Por ter um DNA no qual o objetivo não é socializar, ou conhecer pessoas, mas, consumir e criar conteúdo criativo, o maior diferencial do TikTok de outras plataformas como o YouTube e Instagram, está na criatividade. “É a única chave para ter sucesso no aplicativo. Ele possui um formato exclusivo de conteúdo que estimula e reflete o entusiasmo de novos públicos”, diz Roberta. Formato que saiu dos vídeos curtos e vem surfando na onda das lives, com a ferramenta para transmissão disponível e que tem sido utilizada por artistas que, inclusive, se sentem mais confortáveis no aplicativo por ter menos problemas com os famosos “strikes” por direitos autorais.

E você? Tem um perfil no TikTok? Já pensou em utilizar o aplicativo como potencial ferramenta para a divulgação da sua música? Como você poderia fazer isso? Deixamos aqui alguns exemplos que têm rolado pelo universo da música eletrônica nacional. Use a criatividade e absorva essa possibilidade à sua maneira para contribuir com o seu planejamento.

 
 
 
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