Defected Croácia, o novo destino da brasileira Aline Rocha

Por Luiza Serrano

Foto de abertura: divulgação

O passaporte já está carimbado e Aline Rocha tem o seu primeiro destino na gringa confirmado: Croácia. A DJ é a única representante brasileira no line up de uma das queridinhas da house music no mundo, a Defected Records.

E ela não vai sozinha nessa! Serão seis dias de festival, de 5 a 10 de agosto de 2021, com mais de 80 artistas, entre eles, Bob Sinclar, Derrick Carter, Gorgon City, Honey Dijon, Louie Vega, Purple Disco Machine. É melhor deixarmos o flyer do festival para vocês conferirem essa escalação peso pesado!

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Aline chegará ao destino europeu, possivelmente a sua primeira festa desde o início da pandemia, em casa com a família Defected (isso é para poucos, hein?). DJ há 15 anos, a artista sempre foi fã da label, participou em 2019 desse mesmo festival como público e viu ali o início do seu sonho. “Passou um filme da minha vida na minha cabeça ao ver meus ídolos tocando seus clássicos, a energia surreal das pessoas envolvidas lá”, conta Aline Rocha.

E a realização desse sonho não demorou a chegar! Logo nesse período de suspensão dos eventos, foi uma das vencedoras da competição do festival virtual do selo. Ela se apresentou junto a Sam Divine, Nic Fanciulli, Carl Cox, marcando presença com um repertório de primeira, além de um cenário colorido e uma performance cheia de alto astral.

A artista mostrou que boas doses de criatividade, intensa pesquisa musical e amor pelo que faz, dão excelentes resultados, mesmo que emoldurados pelas lives – saudades de uma pista, né? A sua sensibilidade extrapolou os limites das conexões via internet, conquistando o público, e a Defected. Aline Rocha foi convidada, no final do ano passado, para integrar o line up da Champions League pela gravadora.

Se muitos empurraram mais de 365 dias convencidos que rapidamente as coisas voltariam a “normalidade”, “Alines” aproveitaram para fazer deste período uma fase de descobertas, superação, aprendizado e uma história movida a plantar para colher. E esse momento chegou para Aline Rocha, na verdade, há alguns meses não é mesmo? Inclusive, ela tem revelado seu potencial na produção musical, dando os primeiros passos com lançamentos ao lado de grandes nomes como o DJ Meme e mostrando que pretende ir além, não só tocando as faixas de seus ídolos, mas, quem sabe, tendo suas músicas tocadas por eles?!

Batemos um papo exclusivo e revelador com a artista para sabermos detalhes desse convite para o line up da Defected Croácia, segredos que a levaram a conquistar o seu sonho de fazer parte do time da label, as faixas que não vão faltar em seu set no festival, e muito mais.

HM – Olá Aline, obrigada por bater esse papo com a gente. Primeiramente, parabéns pela conquista. Agora, conta pra gente, como você recebeu o convite para tocar na Defected Croatia, em um line up peso pesado? Onde você estava, como foi a reação [rs]

Olá House Mag! Obrigada a vocês pelo carinho comigo, sempre. Recebi o convite em janeiro desse ano. Eu estava gravando uma live, no meio de uma zona rural e foi difícil segurar a emoção no dia e depois durante toda a semana. Mas o mais difícil foi ficar esse tempo todo segurando a notícia e me contendo para não dar spoiler nas redes sociais. Eu só contei para o Mika (namorado) e para minha família, mais ninguém.

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Foto: divulgação

HM – Você já tinha feito pelo menos duas ou três lives no ano passado pela Defected. Você imaginava que tocaria em um evento deles tão perto assim?

O fato de já ter um contato com eles me deu segurança para realizar muitas coisas que eu acreditava na minha vida, uma força a mais, sabe? Pois até então meus sonhos sempre me davam a sensação de estarem muito distantes, eu sonho alto. Esse é o primeiro grande sonho que realizo em 15 anos de carreira. Não foi fácil chegar até aqui no dia de hoje, então vocês podem imaginar o quanto essa conquista é algo verdadeiramente importante pra mim.

Preciso dizer que quando fui ao Festival Defected Croatia eu vi esse meu sonho crescer ali, no meio da pista, sentindo a energia e me nutrindo de esperança vendo meus ídolos tocando e desejando que um dia aquilo fosse parte da minha vida, que mais pessoas do meu país tivessem acesso a tudo aquilo.

E tudo aconteceu no tempo certo, do jeito que tinha que ser. Com brilho nos olhos, respeito, empatia e um sentimento de pertencimento. Sinto que encontrei minha comunidade no mundo.

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Foto: divulgação

HM – Ao que você atribui essa conquista? Como você acredita que tenha feito os olhos dessa label consagrada brilhar?

Eu não sei dizer. Na verdade, eu sou a pior pessoa para falar de mim mesma e reconhecer meus pontos fortes. Eu não sei fazer isso, mas estou aprendendo. Então, o que posso dizer é que tudo aconteceu espontaneamente. Eles me olharam com carinho e respeitaram quem sou. Acredito que o meu trabalho – que reforça os valores musicais e o propósito deles – somado a minha força de vontade de ver a house music crescer no Brasil, contribuem bastante.

HM – A Defected sempre foi um objetivo para você? Como nasceu essa conexão?

O primeiro grande clássico da house music que eu fui alucinada, foi “The Cure and The Cause”. Eu abri meu set com uma versão intro dessa música, por uns cinco anos. Todo mundo que ia me ver tocar já sabia que ela estaria no meu repertório. Assim como ela, outros tantos clássicos que fizeram parte da minha história, são da Defected. Então, essa conexão já existia muito antes de entender que ela já existia.

Em 2019, resolvi tirar uns dias de férias e uns amigos DJs que estavam indo para o Festival da Defected na Croácia me chamaram para ir também. Foi vivenciando aquela experiência que pude perceber que tudo que sempre acreditei estava na minha frente acontecendo em tempo real e que era possível. A partir dali, sim, aquilo passou a se tornar meu objetivo, aliás, algo que eu queria muito transmitir para as pessoas. Passou um filme da minha vida na minha cabeça ao ver meus ídolos tocando seus clássicos, a energia surreal das pessoas envolvidas lá.

Então, depois de ter tido uma crise de choro (de emoção) no meio da pista de dança, eu mandei uma direct para o Simon Dunmore e outra para o The Shapeshifters, dizendo que eu era do Brasil e que estava muito feliz em estar ali e agradecendo a experiência incrível. No dia seguinte acordei com minha mensagem sendo repostada publicamente nas redes sociais deles, encontrei eles pessoalmente em meio ao Festival, tive oportunidades de conversar e dar risadas com eles, enfim, fizemos um laço de carinho e respeito que preservo com muito amor.

HM – Será o seu primeiro evento após esse longo período de pandemia, porque pelo menos aqui no Brasil, ainda não temos retorno confirmado. Qual é o sentimento e expectativas? Qual gostinho vai ter esse momento?

Eu não sei o que esperar, não sei como vai acontecer, não consigo medir a minha emoção agora. Certamente, estarei nervosa porque há mais de um ano não tenho contato nenhum com o público. E o primeiro contato será realizando um sonho, então, eu espero que meu coração aguente firme!

 

“Quero registrar tudo, cada segundo, cada minuto, sentir cada emoção que vier com calma e sabedoria.”

 

HM – Você trouxe para as lives um diferencial que foram os cenários, periodicidade, programação. Quando você percebeu qual formato entregaria melhor para o público o seu trabalho? E como foi esse processo?

Tudo aconteceu por instinto, foram poucas as vezes que realmente pensei em algo pré-programado.

Eu sempre fui colorida e criativa. No dia-a-dia pessoas coloridas como eu podem ser taxadas de cafonas [rs] ou até causar um estranhamento. Na pandemia, aproveitei essa minha paixão pelas cores, pelas flores, natureza e coloquei toda a minha criatividade para trabalhar. Usei espaguete de piscina, guarda-chuvas, as plantas do jardim da minha casa, da rua, do vizinho, cortava tudo e usava pra decorar. Era a forma que eu encontrava de me distrair e ao mesmo tempo fazer o que eu amo. Canalizei minhas angústias e medos na construção de cenários e repertórios que mostrassem mais um pouco do que eu sou. Foi e ainda tem sido ótimo, porque assim dedico meu tempo a algo que de retorno, que é o meu trabalho, e me mantenho produtiva. Aproveitei para colocar em prática muita coisa que antes eu não tinha energia para fazer. Músicas, lives, projetos!

HM – O que a Aline de antes da pandemia diria para a Aline que vem se transformando dia após dia hoje?

Eu já tentei caber muitas vezes em lugares que não eram meus. Tentei muitas vezes ser aceita por um nicho ou um grupo de pessoas que não falavam a mesma língua que eu ou não me respeitavam. Acredite, já me testei demais tentando me adequar aos lugares errados, tentaram me mudar ou me comparar demais, isso me desanimava.

Com essa pausa e esse tempo que a pandemia trouxe, consegui olhar mais pra dentro de mim, do que tinha valor realmente, qual era meu propósito, o que era importante pra mim e questionei porque eu tinha tanto medo de ser eu mesma. Então eu diria para a Aline de antes:

 

“Ser você é o que te faz única, continue se dedicando, esteja com as pessoas certas, feche os olhos para a maldade e segue o SEU caminho garota!”


HM – Você pretende levar todas essas cores que você usa em sua estética sonora e visual para a Croácia? Já queremos saber tudo [rs]!

A minha estética sou eu. É tudo real, eu sou assim na vida real e no trabalho, é um pedaço da minha personalidade que vai comigo onde eu for.

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Foto: divulgação

HM – Conta pra gente três tracks que não poderão faltar no set e o significado delas.

– “Lola`s Theme” – The Shapeshifters: a música que me fez chorar muito na pista de dança da Croácia, que me fez mandar uma direct e que mudou a minha vida.

– “The Cure and The Cause” – Fish Go Deep: a música que fez parte da minha jornada.

– “Preach” – Aline Rocha feat. Aria Lyric: a minha música, que nasceu na pandemia e será lançada em breve pela Quantize Records do DJ Spen (que respeito muito), que representa tudo que vivi pra chegar até aqui.

HM – Aline, para encerrar, sonhos são possíveis e, você pode comprovar, não é mesmo? Qual a mensagem que você deixa para nosso público sobre acreditar e alcançar!

Não existem tambores rufando e nem música de fundo anunciando que o grande momento da sua vida chegou. Ele chega as vezes sem avisar. Então, é importante que você esteja sempre preparado. Parece clichê, mas, é verdade, acredite em você em primeiro lugar, se prepare, se conheça, estude, busque conhecimento, ouça sua voz. Só você sabe suas dores, suas glórias, o quanto suou pra ver suas conquistas acontecendo.

Respeite o próximo, tem lugar pra todo mundo. Música é amor, encontre amor no seu repertório, sinta prazer em tocar o que está tocando, em trabalhar onde trabalha. Entenda seu tempo e seu processo. Não é do dia pra noite, não tem fórmula de sucesso, nem curso que ensine. Tem a sua fórmula, o seu jeito, a sua força, a sua personalidade e é esse conjunto só seu que vai te levar onde você quiser ir. Só vai!

Seja você, os outros já existem.  ❤️

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