Por Lau Ferreira
Foto de abertura: divulgação
O Brasil é famoso por uma carga tributária alta e com um retorno paupérrimo ao pagador de impostos e à sociedade em geral. Corrupção, negligência, incompetência, burocracia. Nós, infelizmente, conhecemos bem essa história. No entanto, se serve como um mínimo de consolo, existem leis — federais, estaduais e municipais — que permitem que empresas e pessoas físicas escolham projetos culturais para financiarem, em troca de abatimento de uma pequena porcentagem do imposto de renda.
De forma simplificada, é assim que funcionam as leis de incentivo à cultura no país, uma alternativa que vinha sendo explorada timidamente pelo mercado da música eletrônica, e pode vir a se tornar uma importante aliada para artistas nesse momento tão difícil e incerto que vivemos há um ano.
Sim, a Lei de Incentivo à Cultura (antes conhecida como a polêmica Lei Rouanet), de nível federal, é a mais famosa delas, e gera há muitos anos acirrados debates políticos e ideológicos em torno de sua utilidade e eficiência — afinal, muitos peixes grandes, que poderiam bancar seus projetos artísticos do próprio bolso ou captar patrocínio com certa facilidade, acabam sendo alguns dos principais beneficiados (fala a verdade: as palavras “Claudia” e “Leite” estranhamente acabam de pipocar na sua mente, não?). Mas esta é uma reflexão para outro dia.
O ponto aqui é que a esmagadora maioria dos DJs e produtores brasileiros, assim como basicamente qualquer artista que não tenha alcançado um sucesso em grandes proporções, está passando por dificuldades desde que o termo “Covid-19” virou essa palavrinha infame tragicamente presente no nosso dia a dia. O setor artístico é o primeiro a fechar e o último a abrir, sobretudo, quando estamos falando de pistas de dança, e o auxílio emergencial acaba, em vários casos, sendo a única (e insuficiente) saída.
Provavelmente, correr atrás de editais é uma coisa que mal passa pela cabeça desse pessoal. Pela dificuldade que é submeter um projeto dentro dos conformes, mas, principalmente, pela tarefa hercúlea que é — ou parece ser — conseguir ser selecionado fazendo “música de nóia”. Porque, né? A gente sabe muito bem do estigma que a música eletrônica sempre carregou no país.
A boa notícia é que esses horizontes estão mudando. Os últimos dez anos foram muito importantes pra colocar a música eletrônica em outro patamar no país e na percepção dos cidadãos brasileiros — seja ela mais pop ou mais cabeçuda. E o exemplo mais recente que temos disso é o lançamento de “Aufklärung”, EP de techno do DJ e produtor catarinense Bucci Carlos, que vive entre a ponte aérea Blumenau–Berlim.
Assinado pela Konsep Records, gravadora do próprio artista em conjunto com Ciclus e Zeca Hess, o EP (cujo nome se refere ao iluminismo e é recheado de conceito) traz seis faixas e foi viabilizado em Blumenau pela Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (14.017/2020), que foi sancionada em junho do ano passado justamente para ajudar a classe artística de todo o Brasil durante a pandemia.
Carlos, inclusive, também realizou algumas lives através da Lei Aldir Blanc que você pode conferir no final da matéria. Além disso, foi além, oferecendo uma contrapartida social dando aulas de discotecagem para crianças e adolescentes em uma escola pública no município de Blumenau. Para quem tiver interesse em inscrever seu projeto, Carlos se dispõe a auxiliar, assessorando na parte burocrática de inscrição tanto para a Lei Rouanet quanto para editais de fomento à cultura em geral, basta entrar em contato através do e-mail: carloseduardobucci@gmail.com .
Por fim, ele ainda ressalta alguns pontos importantes para quem deseja se ter seu projeto selecionado. “Ter paciência com a burocracia, não desistir no primeiro `não`, rever onde o projeto pode ser melhorado, visando ter mais relevância social, elaborar diferentes versões do mesmo projeto, planos A, B e C, e por fim, se adaptar a realidade local”, ressalta.
