Por Luiza Serrano
Foto de abertura: divulgação
Todo produtor, mas, todo mesmo, tem um selo dos sonhos, aquele que é uma grande meta na carreira. Com Gabe e Classmatic, que já têm grandes labels no currículo, como Spinnin’ Records e Solid Grooves, respectivamente, não é diferente.
E a mira era a Hottrax, rótulo irmão da Hot Creations, comandada por Jamie Jones e, que desde 2012, abraça tracks de nomes como Oxia, Booka Shade, Pan-Pot e Super Flu. Já deu para entender o nível dessa conversa, certo?
Mas não foi assim de primeira, Classmatic batalhou durante três anos e, apenas agora, teve suas demos aceitas e lançadas. Mas, o que será que mudou de lá pra cá? “Na verdade, talvez foram quatro anos tentando enviar. Acredito que a essência do meu som continuou a mesma desde sempre, porém, moldei numa estética mais sólida em relação aos elementos e composição das minhas músicas, chegando, consequentemente, mais perto do estilo sonoro do Jamie Jones e das gravadoras dele”, revela Fred aka Classmatic.

Michael Bibi e Classmatic – Foto: divulgação
Podemos chamar isso de consistência, persistência e confiança na evolução de um trabalho. “Sempre quando passar na minha cabeça em desistir de algo em menos de três anos de persistência eu vou lembrar desse lançamento e vou mudar de ideia”, brinca Fred. Anotou a dica?
E a collab que marcou o golaço na Hottrax surgiu em janeiro de 2020. “O Gabe me chamou no Instagram e me convidou para fazer um EP junto com ele”, revela Class. Foram cerca de cinco a seis ideias para uma collab. Algumas foram trabalhadas, mas, as que foram finalizadas estão no EP, “Enconding” e “Patchwork”.
“Quando me falaram sobre o Classmatic, eu fui dar uma olhada e vi que era um rapaz sangue nos olhos, lançando em várias labels gringas e chamei ele pelo Instagram. Trocamos o contato e dei a ideia para produzirmos um EP”, explica Gabe.
Com uma proposta de som bem definida, foi fácil chegar a um denominador comum. Mesmo nichada como tech house no Beatport, o EP tem muita influência do minimal. “Elas têm aquela pegada dark que gosto de trabalhar, porém, com uma sonoridade mais minimalista”, afirma Gabe.
“Encondig EP” foi então aceita pelo selo de Jamie Jones e, é a primeira vez que produtores brasileiros lançam por lá. Imagina a sensação de receber na sua caixa de entrada um positivo do selo? “A primeira reação que tive foi sair correndo e comemorando. Foi um mix de sentimento entre gratidão e orgulho”, se diverte Classmatic.

A divulgação do lançamento ficou guardada a sete chaves pelos dois produtores, uma estratégia que Fred explicou para a House Mag. “Em qualquer lançamento tem que se preocupar muito com o timing de anunciar. Às vezes você anuncia com muita antecedência e as pessoas acabam esquecendo. Outro fator também é a surpresa. A partir do momento em que é revelado perde a graça, então, mantive o máximo em segredo até anunciar no timing certo”.
Após todo o frio na barriga, o feedback do público e a própria realização dos artistas vêm mantendo o EP cada vez mais aquecido. “A expectativa real era de lançar e poder tocar né? Mas, a pandemia nos colocou em outra situação. Somos os primeiros brazucas a lançar na Hottrax, isso já é um fato inédito. O que vier além, já está ótimo”, comemora Gabe.

Gabe – Foto: Gui Urban
Jamie Jones é uma das referências de vários produtores em todo o mundo, tanto de DJ set quanto nas produções. “Lembro até hoje a primeira vez que ouvi o remix dele pra ‘Hungry For The Power’. Essa música ficou em looping durante o dia inteiro e, desde então, passei a acompanhar ele e as gravadoras dele e virei fã máximo. Hoje, sem sombra de dúvidas, ele é minha maior referência dentro da e-music. Tenho muito orgulho de vestir a camisa da Hottrax e fazer parte da história da gravadora”, finaliza Fred.
E, enquanto Classmatic compartilha algumas curiosidades com a gente, aperta o play em “Enconding EP” e já vai sentindo a atmosfera pista que esse trabalho traz para os nossos ouvidos e corpos.
Do sonho ao surto, enfim a realização!
“As minhas poucas horas de sono durante o processo de aceitação do EP. De primeiro momento o Jamie Jones tinha apenas aprovado a ‘Encoding’ e pediu mais demos para fecharmos um EP com pelo menos duas tracks. Tive que chamar o Gabe correndo para a gente finalizar a ‘Patchwork’ porque talvez rolasse um EP com as duas juntas. Eu tinha várias outras tracks não lançadas, incluindo a ‘Poison’ numa playlist e enviei para o Jamie no mesmo dia. E quem disse que eu dormia? Todo dia acordava de madrugada olhando a notificação do celular para ver se tinha algum e-mail do JJ aceitando alguma das tracks que eu havia enviado. Ele só me respondeu depois de 26 dias aprovando a ‘Patchwork’ e a ‘Poison’, e finalmente fechamos o EP”.
Classmatic
Limite? Qual?
“Acredito que ser consolidado não pode ser visto como uma meta, mas, sim como uma consequência. Acredito que o segredo é não colocar limites no processo criativo, deixar fluir. Não se acomodar nunca”!
Gabe
