Por Rodolfo Conceição
Foto de abertura: divulgação
Sabe quando a gente está ouvindo uma playlist de novidades meio desavisado no Spotify e, aos primeiros segundos de uma nova música, já consegue reconhecer o artista por trás da obra? Quando eu era mais novo, eu me considerava uma verdadeira enciclopédia do rock, reconhecendo timbres de guitarra ou assinaturas de tempo de bateria antes mesmo do vocalista soltar as primeiras palavras para reconhecer uma nova música de uma banda que eu curtia. Era como descobrir as digitais do artista naquele som, ou usando o termo mais correto, sua identidade sonora.
Mas, o que é essa identidade sonora que todo mundo busca, mas poucos sabem como desenvolver? Assim como o jogador de futebol tem seus dribles e habilidades preferidas, que sempre funcionam em campo, os artistas também buscam o tão sonhado “som único” que faz com que uma música seja reconhecida como sendo sua com extrema facilidade.
Quando falamos de música eletrônica, essa identidade sonora pode vir de diferentes formas. Seja pelo uso recorrente de algum padrão de bateria, a experimentação com determinado equipamento ou técnica, a forma de usar harmonia e melodia dentro de cada música, o artista vai adicionando determinados elementos que acabam se tornando característicos no seu som.

Foto: divulgação
A forma mais marcante de imprimir essa identidade sonora acaba sendo através do uso de timbres originais. Para entender melhor, precisamos explicar antes o que é timbre. Essa é uma característica do som que nos permite identificar a origem de dois sons distintos, mesmo que tocados na mesma nota. Em outras palavras, é a característica sonora que possibilita diferenciar o som de um piano, um violino, uma guitarra ou um sintetizador, mesmo quando as ondas estão vibrando na mesma frequência (o que define a nota de determinado som).
Imagine artistas como Calvin Harris, Daft Punk, Skrillex, Vintage Culture, Boris Brejcha ou ARTBAT. Se você dá atenção ao trabalho de algum deles, com certeza reconhece elementos e timbres comuns em diversas músicas que ajudam qualquer fã a reconhecer como sendo do artista.
Que fique claro que não estamos afirmando que somente artistas que tenham uma identidade sonora muito bem definida fazem sucesso, mas esse fator ajuda bastante até para o lado do marketing. Por outro lado, também não adianta o produtor ter de fato um som que “é a sua cara”, mas só ele gosta desse som.
Não existe um passo a passo para novos artistas em busca de um som que é a sua cara, mas esse caminho, inevitavelmente, passa por ouvir muita música. Afinal, mesmo os artistas de sucesso que entram na lista supracitada também encontraram referências em algum lugar para traduzir aquilo de uma forma única. Uma dica legal para se aprofundar no assunto é o site https://inflooenz.com/, que traz uma lista de artistas que moldaram o som dos seus produtores preferidos.
Já a melhor forma de desenvolver um som realmente único (na melhor concepção do termo) como produtor musical é o estudo do Sound Design. Afinal, é por meio da síntese sonora que o artista vai desenvolvendo a habilidade necessária para manipular as ondas de som e traduzir em música o que tem na cabeça.
Mergulhando de cabeça nos diferentes tipos de sintetizadores, entendendo como eles funcionam e para que serve cada parâmetro, o produtor abre todo um novo mundo de possibilidades, ficando mais livre para criar sem depender tanto de presets ou samples que nem sempre encaixam no som como você gostaria.
