Coluna House Mag Academy: chegou a vez da música eletrônica no Brasil

Por Rodolfo Conceição

Foto de abertura: divulgação

Hoje estreamos a coluna House Mag Academy com um assunto que interessa a todos. É inegável que a música eletrônica vivia seu melhor momento no Brasil antes da chegada da pandemia. Com DJs e produtores nacionais sendo cada vez mais reconhecidos (e tocados) fora do país, eventos pipocando do Oiapoque ao Chuí e hits cada vez mais conhecidos por pessoas que até então nem conheciam o estilo. E mesmo com esse hiato por conta da crise do corona, é correto afirmar que chegou a vez da música eletrônica no Brasil!

E por que nós da House Mag Academy acreditamos nisso mesmo passando por um dos momentos mais duros da indústria do entretenimento? Porque grandes crises sempre são seguidas por períodos de expansão e avanços. Aqui na nossa escola, estamos em contato diário com diversos artistas, produtores de eventos e diversos outros players do mercado que, apesar da cautela, vêem um futuro muito promissor.

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Hottest, alunos da House Mag Academy e à frente da Hot Line Records – Foto: divulgação

No período de isolamento, os artistas souberam se reinventar e buscar novas formas de permanecerem ativos. Longe dos palcos, DJs e produtores de música eletrônica conseguiram ampliar ainda mais sua relevância, atingindo novos públicos através de lives e com uma presença cada vez mais marcante nas redes sociais. Nesse período, ajudamos diversos artistas a impulsionarem seus projetos com mentorias e cursos voltados para o music business e até ajudamos na criação de uma gravadora, a Hot Line Records.

O próprio mercado da música eletrônica está buscando meios de se reinventar. Se aqui no Brasil esse movimento ainda engatinha e se concentra basicamente no meio digital, na Europa há uma corrida contra o tempo para desenvolver formas seguras de realizar eventos ainda no verão (que no hemisfério norte acontece no meio do ano). Testes rápidos, passaportes digitais com um histórico do frequentador, eventos adaptados para um menor porte. As ideias são muitas e, o certo é que, mais cedo ou mais tarde, a cena eletrônica mundial vai voltar ainda mais forte.

Aqui no Brasil temos ainda condições locais que favorecem esse movimento de uma forma que pode redefinir o gênero por aqui. A disparada do dólar no último ano e as restrições de viagens serão um empecilho para a vinda de grandes nomes, que também estarão com agenda cheia para suprir a demanda de mercados maiores como o europeu.

Com isso, quem vai puxar essa retomada serão os artistas locais e regionais, que finalmente terão mais oportunidades e, espera-se, mais reconhecimento do público. Esperamos não estar sendo demasiadamente otimistas mas, o que se vê no horizonte é animador para público, artistas, produtores e todos os envolvidos com essa indústria que movimenta mais de 7,2 bilhões de dólares no mundo todo.

Porém, é preciso estar preparado. Assim como quase qualquer outro negócio, o mercado da música eletrônica é muito disputado e nessa retomada não será diferente. Por isso, a House Mag Academy adota uma visão 360º da carreira artística, pois sabemos que ser um excelente DJ nem sempre é suficiente para levar um artista ao sucesso.

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House Mag Academy – Foto: divulgação

Esse “ano sabático forçado” da cena serviu para revelar novos nomes e iniciativas, diminuindo um pouco do grande abismo que separava quem já estava na ativa e quem ainda busca seu espaço, além de dar um tempo mais do que necessário para quem precisava colocar ordem na casa. O mercado será cada vez mais exigente, seja no circuito comercial ou no underground. E as palavras do momento são profissionalismo e planejamento. Esses dois Ps são essenciais para quem quer subir um degrau na carreira e participar ativamente deste momento único que será a retomada das pistas.

E enquanto não houver efeitos reais da vacinação sobre a pandemia, será nos eventos menores (não estamos falando de ilegais) que essa revolução vai acontecer. Por isso, valorize os artistas e eventos locais. A pandemia veio para nos provar a importância das festas e da música na nossa vida, então nessa fase mais delicada, todo apoio é bem vindo para quem está por trás da sua diversão.

Um primeiro passo para fortalecer a sua cena local e garantir uma volta às pistas com segurança para todos e oportunidades para novos artistas passa por valorizar mais esses personagens que ajudam a construir a vida noturna.

Como público, um passo simples para começar a mostrar mais apoio é seguir e se engajar nas redes sociais de projetos que você gosta. Não perca a oportunidade de elogiar o trabalho dessas pessoas, é um incentivo que pode parecer pequeno mas que é essencial.

Já do ponto de vista de quem trabalha, seja como DJ, produtor ou qualquer outra atividade ligada à cena, o momento pede união. Mesmo com um mercado concorrido, não deve haver competição entre artistas ou produtores. A dica que damos para quem está começando é, além de muita dedicação aos estudos e à prática necessários para se tornar um artista completo, busquem criar e fortalecer conexões com público e com quem já atua na cena, seja por meio das redes sociais ou se fazendo presente em eventos que movimentam sua cidade. Se antes essa cena já era parte essencial de todo o universo da música eletrônica, agora ela assume um papel ainda mais importante para manter a chama acesa até que tudo volte à normalidade.

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