Engenharia de pista: a arte de construir um set

Por Salomão Augusto

Foto de aabertura: divulgação

Para quem não faz parte do mercado da música eletrônica, a palavra set ou o termo DJ set são um pouco desconhecidos por serem nomeclaturas técnicas utilizadas entre os profissionais e público da cena.

Junto com o conceito da palavra, para quem não atua na área, pode ser muito distante a noção sobre o quão difícil é se construir um set harmônico e bem feito, com energia, força, potência e que conte uma história com início, meio e fim.

A construção de um set vem muito antes de aprender a tocar. Uma pessoa que é DJ, se torna DJ a partir do momento que trabalha com isso e profissionalmente é reconhecida por isso. Mas, a construção do seu set, vem anterior a qualquer entendimento de ser ou não ser, pelo fato de quem nasce DJ tem a força natural dentro do peito de querer mostrar músicas novas para as pessoas com o intuito de fazer o dia ou a noite delas melhor.

Se você sente ou já pratica isso, você é DJ, só não toca ainda.

Quando existe uma situação que antecede a preparação de um set para apresentação ao vivo ou gravação, o DJ precisa ser visto literalmente como um humorista selecionando suas piadas. Podemos perceber um set como se fosse um show de stand-up, uma track vai funcionar melhor do que a outra num dia específico e tá tudo certo. No próximo set a gente ajeita essa falha ou má escolha. Lembrando que, para funcionar, basta ser música, sendo nova ou velha. Ela sendo bem feita, o resto é com a performance e com a pista.

Tem muito DJ que acha que pra ter um set bom é preciso tocar somente as top #100 do Beatport, aquele recorte específico que ele toca ou alguma outra referência de chart ou lista que ele sugou na internet já pronta. E não! O que manda são os quatro P básicos da música eletrônica:
pesquisa,
pesquisa,
pesquisa,
e não menos importante, pesquisa.

Se você não pesquisa, você não é DJ, você é um “playlistero” digamos, bem preguiçoso. A pesquisa sempre vai andar ao lado da inovação e da criação do novo. É assim na ciência e é assim na música. E isso não vai mudar!

Se você não é DJ, da próxima vez que você estiver na pista, observe bem a história que o artista quer te contar com o set dele. Se for boa, permaneça em movimento o tempo todo, se entregue. Caso for ruim, seu corpo vai dizer. A pior coisa para um humorista é a plateia não reagir com risada a uma piada. E para um DJ, é a pista morrer.

Se você é DJ, na próxima vez que você for construir seu set, seja para se apresentar ou para gravar, sempre faça essa pergunta ao escolher uma track: nessa parte eles vão se sentar? Se for, já elimina pela raíz a track ruím.

Energia por energia, um set é algo incrível de se ver e de se compartilhar com amigos, principalmente, se for em uma pista bem enérgica. Vou deixar alguns sets aqui que ouço mais do que playlists e que dão vontade de ter visto ao vivo e curtido junto!

ZTRIP @ Obey Sound + Vision (2012)

Jessy Lanza @ T&D (2013)

Jarreu Vandal @ Appelsap Festival /Boiler Room (2017)

Breakbot @ Cercle

DJ EZ @ RBMA (2017)

YAEJI @ Boiler Room / NY DJ Set (2017)

Nastia sunset set in The Lab IBZ

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