Por Danilo Bencke
Foto de abertura: divulgação
Os primeiros sintetizadores analógicos foram lançados no início dos anos 70 e representaram uma grande revolução na forma de se fazer música. Isto se deve, principalmente, pelo fato de poderem recriar basicamente qualquer tipo de som e oferecerem uma infinidade de timbres diferentes que podem ser criados. Mas você sabe como funciona um sintetizador?
Olhando assim, eles podem parecer mais a cabine de uma nave espacial feita com tecnologia alienígena, mas depois de entender alguns conceitos você vai perceber que todos os sintetizadores criados até hoje seguem o mesmo princípio básico. Isto é, desde os primeiros sintetizadores analógicos, como o clássico Minimoog, até os sintetizadores wavetable mais novos, como o Serum da Xfer, todos compartilham a mesma ideia de funcionamento. Isso significa que se você conseguir entender este princípio, vai ser capaz de entender como qualquer sintetizador funciona, inclusive esse da foto de capa. Então vamos lá!


Basicamente, a função principal do sintetizador é gerar um som, o que o difere de um sampler, cuja função é reproduzir uma gravação. Mas o que é o som? Ele pode ser entendido como uma vibração, uma oscilação. Toda vibração gera um som, e é justamente isso que o sintetizador precisa para criá-lo, gerar uma vibração, uma oscilação. Por isso, ele possui osciladores, que como o nome sugere, vão oscilar para a sua produção. Eles funcionam como uma corda em um violão que, ao tocar, vai vibrar e gerar um som.
Desta maneira, os osciladores vão oscilar em uma determinada frequência, que é dada pelo número de ciclos que uma onda realiza por segundo, sendo medida em Hertz. Se uma onda tem 65 Hz, ela está completando 65 ciclos por segundo. Esta frequência é o que dá para a gente a noção de grave ou agudo, se a onda é mais lenta, completa menos ciclos por segundo, é uma onda grave. Agora, se é mais rápida, completa mais ciclos por segundo, então é uma onda aguda. Na verdade, as notas musicais são frequências definidas, isto é, elas são apenas nomes que damos a certas frequências e é assim que a física vira música.

No entanto, uma onda apenas não dá a sonoridade complexa que estamos habituados a ouvir, é por isso que muitas ondas simples são então somadas para atingir um som mais complexo, esse processo é chamado de síntese aditiva. Gosto de pensar o Sound Design como sendo uma escultura. Você sabe o que um escultor precisa para fazer uma escultura? Primeiro de tudo, uma matéria prima, é preciso ter a matéria bruta para ser esculpida. Isso é o que faz a síntese aditiva, cria um som complexo para que possa ser depois esculpido.
Agora que temos um som complexo podemos esculpir ele, isso será feito com a síntese subtrativa. É usado, então, uma das principais ferramentas em um sintetizador, o filtro. É com ele que iremos esculpir o som para termos um som refinado. Michelangelo, um dos maiores escultores de todos os tempos disse uma vez o seguinte, “a escultura já estava lá. Eu apenas removi o excesso”. Pois é exatamente isso o que se deve fazer com o filtro, remover os excessos.

Com o som esculpido, temos um sinal elétrico, mas que ainda precisa ser amplificado, e é justamente a próxima seção do sintetizador, o amplificador. É nesta seção que o som é amplificado e pode-se controlar o volume final. Esta é a última etapa antes do sinal sair dos sintetizadores. Entretanto, ainda há uma seção que atua como um coringa e pode modificar qualquer uma dessas seções, são os moduladores.

Os moduladores (ou simplesmente modificadores) vão movimentar outros parâmetros e controlar como eles vão se comportar durante o tempo, entre eles, os mais famosos são os envelopes ADSR e LFO’s. Eles controlam, por exemplo, a maneira como um som chega ao ponto mais alto de volume, se sustenta, decai e se extingue no tempo, podem movimentar o filtro fazendo ele ficar abrindo e fechando, entre outras coisas. Essas modificações podem ser cíclicas ou acontecer a cada vez que você toca uma nota, o que torna o som muito mais dinâmico e interessante, sendo, com certeza, o grande trunfo dos sintetizadores.

Esquema de funcionamento dos sintetizadores
Em suma, devido às inúmeras possibilidades de criar timbres novos, os sintetizadores têm sido usados praticamente por todos os estilos musicais, do reggae ao rock, do progressivo ao pop. Isso faz dele o instrumento musical mais versátil de todos os tempos e, sem dúvidas, um dos principais pilares da música eletrônica.
Gostou da matéria? Se quiser saber mais sobre os sintetizadores você pode assistir a um vídeo no meu canal explicando mais sobre eles!
