Por assessoria
Foto de abertura: divulgação
O cenário do techno no Brasil é coroado por grandes talentos responsáveis por tornar o país uma referência forte e significativa mundialmente. Dentro eles, Spuri é um dos nomes que fazem acontecer nesse movimento, imprimindo uma identidade marcante em suas produções que remontam atmosferas vanguardistas, bem como lançamentos de expressão em gravadoras de respeito como a Sprout, Sincopat e Kittball, além de suporte de grandes players da cena como Laurent Garnier, Solomun e Maceo Plex.
Porém, para que um artista como Spuri se torne referência para outros players e entusiastas, muitos grandes nomes também atuaram como fonte de inspiração para a formação da identidade de Spuri, como D-Nox, com quem, inclusive, acaba de lançar um EP pela Einmusika Records, batizado de “Cosmix”.
Aproveitando este bom momento, convidamos ele para traçar uma série temporal de sua trajetória, destacando os principais nomes e movimentos que norteiam sua carreira e influenciam sua história até aqui.
Início da carreira
“No início de tudo já ouvia algumas músicas eletrônicas, principalmente a dance music que tocava nas rádios por meado dos anos 2000. Aquela magia de descobrir algo novo veio logo depois quando comecei a discotecar com uns 15 anos de idade, após largar minha banda de bairro. Como tocava muito rock n’ roll, hardcore e metal com a banda, apesar de ser muito eclético musicalmente, acho que isso me levou a curtir tocar mais os discos de techno no início. Achei aquele acid techno que estava pegando no Brasil magnífico, então comecei a minha coleção de discos, normalmente vindos de fora, e continuei pesquisando arduamente músicas sem parar.

Festa Tusca – Foto: divulgação
Em seguida veio a grande revolução digital que modificou todo o mercado e ao mesmo tempo começava a acontecer uma cena muito forte no país, foi quando conheci o trance e praticamente todas as ramificações da música eletrônica que existiam até então, participando de festas e festivais de diferentes estilos como Transcendence, Tranceformation, Universo Paralello, Skol Beats, SP Groove entre outras milhares de festas que estavam em ebulição pelo país afora, também clubs como D-Edge, Sirena, Lov.e entre tantos outros que surgiam naquele momento.
No início da minha carreira como DJ, mesmo nascido em São Paulo, comecei no interior do Estado, mais precisamente São José do Rio Preto, onde minha família morava no momento. Começamos um movimento grande que se espalhou por todo o Brasil. Como tinha uma base forte da dance music, house music e tech house, comecei me adaptando ao som mais acessível para os públicos que me assistiam, mesmo carregando uma bagagem mais conceitual, utilizava músicas com acapellas famosas, mas que eram do meu agrado, misturava umas batidas mais grooves, mas sempre com um peso necessário pra mim. Deu super certo desde o início, foi um grande momento também pra mim, onde a música eletrônica no geral, ao meu ver, ainda era mais underground, independente do gênero”.
Desenvolvimento da identidade
“Voltando pra São Paulo, por volta de 2005, continuei os estudos e me aprofundei no estúdio, foi quando comecei o duo Stupidizko com o Rocca. Por anos experimentamos vários tipos de pistas pelo país e muitos lançamentos pelo mundo. Foi com essa fórmula que voltei às minhas produções solo, muito groove, uma pegada tech house, mas já se observava um “pé” no techno. Logo de cara tive bons suportes em charts nos primeiros lançamentos, até o suporte dos maiores artistas nacionais como Victor Ruiz, Gabe e Dashdot, e uma gravação animal da Beat TV do Lee Foss tocando meu EP inteiro (as duas faixas) naquele momento, no BPM Festival em Playa del Carmen no México — isso também aconteceu mais recentemente, em 2017.
Como nunca fui de ficar estagnado em um estilo musical, comecei a compor músicas mais emotivas, talvez até pelo momento que era tudo muito novo, as gigs solo, o gosto pela música mais sentimental e influências do momento, não sei exato, só fui no flow. Foi quando vieram mais suportes de expressão e artistas de estilos diferentes tocando e apreciando aquela nova mistura. Solomun, Maceo Plex, Laurent Garnier, teve vídeos dos maiores artistas nacionais tocando os hits no momento, “Belarus”, “Cattleya”, “Utoya”, além de Hernan Cattaneo, Frankey & Sandrino. Comecei uma amizade grande com D-Nox, do qual tive o privilégio de gravar e curtir ele tocando as músicas para multidões, entre outros amigos que pude compartilhar da mesma forma, aqui e no exterior.
Entre bons charts e tops nas lojas virtuais, Cattleya teve um destaque inimaginável até então, dominando o top #1 da categoria melodic house & techno por mais de 1 mês. Até hoje é uma das músicas mais vendidas do gênero no Beatport, com isso cheguei na posição 72 de best sellers da categoria em 2018/2019″.
A imersão para o techno
“Desde então fui me libertando de muitos paradigmas e comecei a fazer algumas músicas mais pesadas, próximas do que ouvia lá naquele início, uma paixão antiga. De início comprei muitas drum machines e fui a luta, mas nunca consegui parar de produzir e ouvir todas as outras linhas que me influenciaram anteriormente. Creio que o artista seja isso, uma eterna busca da novidade, do conhecimento, da emoção do momento, mas logicamente acaba carregando e formando seus próprios padrões.
Os novos lançamentos não foram diferentes e atingimos ótimos charts de techno com lançamentos por gravadoras como Ballroom, Dolma, Complexed, gerando com certeza a energia que faltava para abrir meu próprio selo, a Hotstage Records com a lenda e grande amigo DJ Murphy, que já tem suportes de nomes como Enrico Sangiuliano e Adam Beyer.
Nos meus últimos lançamentos tive suporte de lendas como Pan-Pot e Slam, o EP lançado pela americana Hydrozoa atingiu o top #5 de techno releases e “Accept” foi tocada por Julian Jeweil no Drumcode Radio show, o que me anima muito me faz pensar que todo o suor, paixão e amor estão me levando meu ao caminho.
Hoje venho produzindo muita coisa, assim como gosto de apresentar muitas músicas diferentes com a minha pegada nas pistas, gosto de misturar estilos. Sempre pretendi estar onde estou, nesse momento, hoje entendo o porquê de tudo que passei e fico ansioso só de pensar para onde vou. O que posso dizer agora é que terão muitas novidades, afinal, quem não gosta de novidades?”
