A poesia dançante de Bruce Leroys é um respiro para a cena musical carioca

Por Laura Marcon

Foto de abertura: divulgação

Dizem que a felicidade é um momento sublime que gostaríamos que nunca acabasse. Seja em uma experiência no prazer da solitude, quando de uma conquista, vivendo intensamente ao lado de quem se ama, a felicidade, infelizmente, não é uma constante, mas, dura tempo suficiente para se tornar memorável. A música caminha lado a lado com bons sentimentos e, muito provavelmente, os momentos de alegria foram acompanhados ao som de uma boa trilha sonora e muitas vezes em uma pista de dança.

O Rio de Janeiro, que vive a música intensamente em suas mais diversas formas, atravessa um momento particular na sua relação com a pista de dança, especificamente quando falamos em música eletrônica. São anos de uma forte luta para o estabelecimento do estilo na cultura artística carioca e, muitas vezes, sem o retorno e apoio do poder público e empresas privadas que, em meio a um pré conceito equivocado, não provém o suporte necessário para sua sustentabilidade.

Recentemente, a cidade viu o último club eletrônico fechar suas portas, o Fosfobox, encerrando, por hora, um ciclo de casas que se dedicaram muito e aproximaram o público da vertente. Ao longo dos anos, viu-se uma infinidade de núcleos independentes com boas ideias artísticas e prestação de serviços de qualidade desistirem de seus projetos e, os poucos que se mantém ativos, seguem movimentando a cidade, mas, ainda assim, um tanto quanto distantes de uma caminhada próxima do ideal para um cenário sustentável. 

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Fosfobox – Foto: I Hate Flash

Mas, se começamos falando sobre felicidade, é para ela que voltamos. O Rio continua sendo berço de artistas muito talentosos e competentes na missão de proporcionar através da música bons momentos e sentimentos a quem a escuta. A dupla Bruce Leroys é um grande exemplo disso. O duo Marcelo Abreu e Diogo Vaille está há mais de duas décadas fazendo milhares de pessoas dançarem através de apresentações enérgicas e produções de alto padrão, com uma bagagem musical consistente e um currículo robusto e extenso em sua carreira. O projeto já passou por pistas como a do icônico Rock in Rio, Warung e D-Edge, lançou suas faixas por gravadoras como Get Physical, Parquet, Beatfreak e Loulou, e trabalhou em parceria com grandes artistas como Ricardo Villalobos.

Seus princípios artísticos seguem intactos desde o início do projeto: compartilhar boas vibrações, emoções e surpreender por meio de suas produções. A última criação da dupla evidencia essa ideologia mais do que nunca, se relaciona diretamente com as primeiras palavras escritas por aqui e se torna um respiro musical em tempos tão delicados. “Tempo”, faixa que debuta os trabalhos da nova label da dupla em parceria com Leo Janeiro, a Summate, foi criada em colaboração com a cantora e compositora Helóra e traz uma saborosa mensagem sobre a preciosidade do tempo e a consequente necessidade de vivê-lo da melhor forma possível.

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Bruce Leroys e Helóra – Foto: divulgação

As palavras de Helóra se fundem de forma harmônica com uma atmosfera musical suave, positiva e, ao mesmo tempo, dançante, criada por Marcelo e Diogo, transformando “Tempo” em uma daquelas músicas para se ouvir nos mais diversos momentos de felicidade, independentemente de onde quer que esteja o ouvinte, e acompanhar aqueles instantes sublimes que gostaríamos que nunca acabassem. O tempo não para, o tempo dispara, não volta, se esgota, é curto, poucos segundos, um a um, diz a poesia de Helóra. Que possamos aproveitar ao máximo cada pedacinho dele e que seu caminho traga sempre os melhores sentimentos de volta. 

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