Por Luiza Serrano
Foto de abertura: divulgação Green Valley
Após uma virada de ano e um Carnaval que transbordaram a pista do Green Valley de sorrisos e, claro, muita música eletrônica, parecia que 2020 seria diferente, um ano que prometia muitas realizações. Porém, fomos todos surpreendidos pela pandemia do Covid-19.

Vintage Culture no Carnaval 2020 – Foto: Diego Jarschel
Eleito pela 5ª vez como o melhor club do mundo, alguns planos que já estavam na programação da equipe do Green Valley precisaram ser cancelados. Não só em sua sede em Camboriú, em Santa Catarina, como em todo o Brasil. “A nossa tour pelo país, com todos os estados que já estavam programados para irmos, inclusive o Festival de Cinema de Gramado, tivemos que cancelar. Outras coisas, transferir para frente”, explica Eduardo Philipps, sócio diretor do grupo GV.

Green Valley Carnaval 2020- Foto: Diego Jarschel
Nesse processo de adiamentos, cancelamentos e uma reprogramação para se adequar aos novos tempos, o club se preparou para promover lives realizadas diretamente do Green Valley, mantendo o diálogo com os fãs e levando a experiência GV para a casa dos brasileiros, encurtando distâncias. Lembrando que todas as medidas de distanciamento social foram tomadas para que essas transmissões pudessem ocorrer em segurança.
Porém, no meio de uma quarentena, um ciclone com ventos de até 170 km/h, surpreendeu Santa Catarina. Foram mais de 135 municípios atingidos pelo fenômeno com proporções inesperadas e, por isso, chamado de ciclone bomba. “Fomos atingidos pelo ciclone diretamente e balançou bastante”, afirma Edu.
O club havia entregado a sua reforma completa em dezembro de 2019. A obra demorou mais de um ano. “Foi tudo feito aos poucos, bem projetado. Não tenho o que falar da empresa, realmente o vento foi muito acima de qualquer norma estabelecida e foi algo que destruiu não só o GV, mas todos os pavilhões no entorno. O que estava na rota foi destruído”, pontua.

Green Valley – Foto: divulgação GV
Com um prejuízo estimado em cerca de R$4 milhões, os ventos comprometeram a tenda, inaugurada recentemente; a estrutura de sustentação da tenda; guarda corpo, telhados do camarote, bares e camarins e toda a parte elétrica.
Reconstrução
“Não temos nem club. Não sabemos nesse primeiro momento se vamos, ou como vamos reconstruir o Green Valley. Estamos utilizando o momento para reavaliar os nossos próximos passos, porque fomos surpreendidos por dois fatos inéditos: uma grande pandemia que ainda não acabou e o ciclone bomba”, conta o sócio diretor.
Santa Catarina é um polo muito importante para a cena eletrônica no país e no mundo. Tanto a pandemia, quanto a passagem do ciclone, interromperam não só esse mercado, mas, todo o mecanismo que ele envolve, como trabalhadores envolvidos direta e indiretamente, transporte, hotelaria, o turismo na região que recebia milhares de pessoas a cada abertura. Será que há algum incentivo estadual para recuperação do Green Valley?
“Até o momento as informações que a gente recebeu é que não existe nenhum incentivo estadual para reconstrução de nenhum estabelecimento atingido. Então, vamos continuar acompanhando e fazendo o melhor que pudermos para o nosso Estado. Isso a gente tem certeza”, afirma.
Ainda de acordo com Edu, o grupo GV ainda está vendo o que vai ser feito e como vai ser feito. Mas ele reforça que chegar até aqui com o club, com todo o reconhecimento no país e no mundo, foi resultado de muito trabalho e esforço. “Chegamos aqui com muita garra e com amor por parte dos fãs que não param de se emocionar e mandar força e boas energias”.
Assim que a notícia que o Green Valley havia sido atingido pelo ciclone, vários artistas, parceiros, fãs assíduos do club no país e no mundo, prestaram solidariedade e enviaram mensagens. “Isso nos deu muita força e está nos dando. É gratificante saber que o Green Valley é tão querido para tantas pessoas de estados diferentes. De uma certa maneira, é o que tem confortado nossa equipe”.
Edu conta que essa nova e imprevisível batalha ainda não foi vencida e será longa. Mas, o momento também é de agradecer por todo esse apoio. “Eu gostaria de agradecer todos os nossos amigos, clientes, parceiros, toda a comunidade da música eletrônica, principalmente, a imprensa por estar do nosso lado nessa fase, nesse momento. E tem sido muito importante todo esse apoio. Muito obrigado a todos”, finaliza.

Winter Music Festival – Foto: Diego Jarschel
A história do Green Valley e da House Mag, inclusive, se converge. Ambos com 13 anos, cresceram lado a lado, comemorando as conquistas um do outro. O Winter Music Festival, uma parceria entre a revista e o club, nasceu para celebrar o primeiro ano da House Mag e, desde então, vem sendo realizada anualmente no GV, sempre com a casa cheia e palco para artistas novos e consagrados.
