Por Luiza Serrano
Foto de abertura: divulgação
Quando você pensa na cena de música eletrônica do Espírito Santo, rapidamente, talvez venha alguma referência relacionada ao techno, afinal, Thito Fabres, label boss da Prisma Techno, reside e mantém a sede da gravadora por lá.
Mas, uma dupla de tech house tem colocado o estado nos holofotes não só da cena brasileira, mas, do mercado internacional. Recentemente, Lucas e Lúcio foram surpreendidos com o EP “That’s Right” no badalado chart do Cloonee e no top #100 hype do Beatport e top #10 do chart minimal/deep tech.

“Nosso edit para ‘Get the Party Started’, da Pink, saiu no canal da Blac no YouTube, em maio. Logo depois que eles uparam, notei que o Cloonee havia baixado e, quando abro o Instagram, vejo o direct dele elogiando o som e pedindo promos”, conta Lúcio (Drunk).
“Mandamos as promos, ele curtiu e falou que tocaria. Mas estamos em um momento cheio de incertezas e, em meio a essa pandemia, ninguém está podendo tocar. Como ele não anunciou nenhuma live, não sabíamos se o suporte viria. Com o chart, o suporte veio, ficamos muito felizes. Quando recebemos o suporte de artistas dessa dimensão, nos dá um baita gás para continuar a caminhada. Entendemos como um sinal que estamos no caminho certo”, explica Lucas, integrante da dupla.
O EP foi lançado em julho deste ano pela colombiana Psicodelica, que reúne releases de artistas como Londonground, Mario Canal e George Privatti.
Como podemos ver, o caminho está indo muito bem, obrigado. Michael Bibi, um dos grandes nomes do tech house atual, tocou “Juanita” na série de transmissões “Isolate”. A faixa não tem data de lançamento, mas, já anda fazendo barulho nas lives por aí, incluindo a do boss da Solid Grooves, ao lado de Pawsa, que é, hoje, uma das gravadoras dos sonhos de vários produtores de tech house.
Mas, quem são Drunk & Play?
Lucas (Play), se formou em engenharia – deixou a família feliz – mas, logo entregou o jogo dizendo que o que realmente queria era fazer produção musical. Saiu de Vila Velha, no Espírito Santo, e foi para Curitiba, onde estudou na AIMEC.
Com a metade Drunk, o Lúcio, a história foi bem parecida. Entre idas e vindas na faculdade, foi para São Paulo fazer o curso de DJ e produção musical. Porém, a sua caminhada no universo musical começou antes disso, inclusive, fazendo aulas de instrumentos de cordas e percussão aos 15 anos, e integrando bandas de reggae, rock e samba.
“Nesse início, o brazilian bass estava em alta, não havia tantos DJs da nossa idade aqui na região que tocavam tech house. A gente foi ganhando mercado rapidamente e como a nossa sonoridade era parecida, convidavam a gente para fazer b2b com frequência. Era sempre divertido”, conta Lucas.

Foto: divulgação
Assim como o tech house, o techno, representado pela Prisma de Thito Fabres, tem ganhado aos poucos o gosto da galera, em um estado litorâneo que tem uma cena mainstream bem movimentada, principalmente, no verão. “Ter alguém como o Thito por aqui é uma honra. Ele é um grande amigo e sempre que precisamos nos ajudou. Somos muito gratos a ele”, afirma a dupla. A Prisma realiza diversos showcases com nomes importantes do techno no país e no mundo. “Sem falar do Toro Club, um pequeno club em vitória que somos residentes, sempre movimentando a cena local, fazendo eventos memoráveis”, completa.
E se você está se perguntando de onde veio o nome? Justamente dessa época e, sim, tem tudo a ver com tradução literal: beber e tocar. “A gente curtia beber antes de tocar, e durante também [rs]. Daí veio o Drunk & Play. A princípio era só uma brincadeira que fazíamos, mas, que fomos colhendo frutos e o b2b virou um duo”, explica o capixaba Lucas.

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A parada foi ficando séria, dando lugar para um trabalho que já começa a ser reconhecido, mesmo com o primeiro lançamento da dupla ter acontecido apenas no ano passado: “You Heard Me”, pela Traxford.
O percurso continua, e será que tem collab dos sonhos? Ligados na cena brazuca, Lucas e Lúcio já mandaram que ficariam bem felizes em fazer um som com a crew da DOGGHAÜZ. Mas escolher apenas uma collab não é tarefa fácil. “São tantos os artistas que admiramos, brasileiros e gringos, a cena está cheia de talentos. Pensando junto aqui, se tivéssemos que escolher um, o Jamie Jones”, declara a dupla. Para eles, o produtor é um artista “fora de série”, consolidado e com uma personalidade ímpar. “Quando você ouve o nome dele, sabe que tem música boa no meio. Realmente um sonho, seria uma honra”.
Um sonho que não é impossível, uma vez que muitos produtores brasileiros talentosos que produzem tech house tem aparecido nas cases de artistas gringos, para, depois, serem ouvidos no Brasil. Mas, será que há um motivo para isso? “Também ficamos nos perguntando isso. As vezes mandamos músicas para nossos conhecidos e nada de suporte. Mandamos para artistas renomados brasileiros e nada também. Admitimos que nossas referências são de grande maioria gringas, talvez por isso”, refletem os capixabas.

Foto: divulgação
Para eles, nomes como Michael Bibi e Cloonee ditam tendência e talvez haja necessidade de provação para ganhar um suporte local. “Não vemos isso como algo ruim, achamos que é cultural mesmo. As pessoas ouvem o que eles estão tocando e, como ditam tendência, acabam tocando também”, explicam Lucas e Lúcio.
Pouco a pouco, o projeto vai ganhando o seu espaço com produções cheias de personalidade e groove, mostrando que ainda tem muito som para colocar no jogo, principalmente, quando a pandemia acabar e as pistas voltarem a movimentar.
