Com colaborações com Alok e KSHMR, o israelense Zafrir conta como conquistou a cena eletrônica

Por Nazen Carneiro – Coluna Tudobeats 

Foto de abertura: divulgação

Colaborações com Alok, Armin van Buuren, KSHMR Timmy Trumpet e outros grandes artistas internacionais elevaram um artista pop de Israel ao centro dos acontecimentos da música eletrônica.

Zafrir tem estado na ponta da língua – e da agulha – de DJs e produtores mundo afora emplacando um sucesso após o outro em grandes gravadoras em colaborações com artistas de peso. Multi instrumentista talentoso, o israelense Zafrir toca mais de vinte instrumentos musicais e tem em sua pesquisa étnico-musical a base da produção musical que tem conquistado públicos ao redor do globo e chamado a atenção dos medalhões da indústria.

A história musical de Zafrir, como vemos na entrevista, claro, vem de muito antes, mas foi em 2018 que a faixa “United” apontou os holofotes para o artista. “United” foi composta por Alok, Vini Vici e Armin van Buuren, que lançou pela sua própria gravadora. A faixa alcançou dezenas de milhares de streams, sendo tocada no mundo todo. Em 2019, surgiu “Vale Vale”, uma colaboração com Alok que também tomou as pistas pelo mundo todo quebrando diversas barreiras de audiência bem ao estilo daquelas músicas que saem da cabeça.

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Alok e Zafrir – Foto: Alisson Demetrio

Em 2020, Zafrir já registrou sete lançamentos e entre as colaborações estão KSHMR, W&W, Sérgio Silva, Timmy Trumpet e, recentemente, Chemical Surf, com a faixa “Paranauê”, lançada por uma das principais gravadoras do mundo, a Spinnin’ Records. Para falar sobre tanta coisa que está acontecendo na carreira deste brilhante artista, batemos um papo com Zafrir que você confere aqui na coluna Tudobeats, publicada com exclusividade pela House Mag.

HM – Obrigado por conceder esta que é a primeira entrevista sua ao público brasileiro. Zafrir, você tem feito um ótimo trabalho e todo o alcance de suas músicas revela que você tem raízes muito profundas na música. Israel, penso, tem essa questão da educação musical na juventude. Você aprendeu a tocar ainda criança?

Obrigado ao público brasileiro por estar ouvindo minhas músicas, eu estou muito feliz com esta entrevista e poder compartilhar com todos vocês o que estou fazendo. Sim, eu comecei a aprender música clássica quando tinha apenas sete anos de vida. Foi na escola de música da minha cidade natal. Desde novinho fui aprendendo como tocar o piano, a guitarra e entender a teoria musical. Isto, com o tempo, me deixou ainda mais interessado em novas sonoridades e logo busquei aprender também outros instrumentos.

HM – Dá para ver que na sua música existe muita pesquisa, muitas influências de estilos e construções diversas. De onde vem isso no Zafrir?

Quando comecei a trabalhar nas minhas próprias músicas, gravei com artistas de muitas culturas diferentes. Você sabe, aqui em Israel existem muitas pessoas que vieram dos mais diversos lugares do mundo. Com base nessa pesquisa constante, busco criar músicas que sejam multiculturais.

HM – Tem uma coisa nisso tudo que é sensacional! Você toca mais de vinte instrumentos, sério? Conta alguns dos instrumentos exóticos que você usa nas suas composições e como você aprendeu.

Assim que eu realmente entendi a teoria musical, busquei mestres do mundo todo que puderam me ensinar suas técnicas. Sim, são mais de vinte. Para citar alguns tem a harpa, que acredito que a maioria das pessoas conhece. O tar e o santur, ambos de cordas mas com origens diferentes. Um região da Pérsia, outro na Índia.

HM – Isso é muito legal, mesmo, parabéns! E como caiu na cena pop do seu país?

Antes de produzir música eletrônica eu produzi diversos artistas pop de Israel. Com os anos tudo foi colaborando para que eu criasse o meu próprio show.

HM – Conta mais sobre esse show, como era?

Desde o início busquei combinar sons étnicos de todo o mundo com música pop e eletrônica ao vivo. Cheguei a ter um grupo com trinta músicos. 

HM – Wow! Isso não é pouco não, dá para ver isso nos teus sons de hoje com certeza. Legal que, pouco a pouco, você foi se aproximando da música eletrônica até que chegou uma hora que decidiu entrar de cabeça né?

Depois que lançamos a faixa “United”, com Armin van Buuren, Alok e Vini Vici, tive a sensação que esta é a forma que consigo me expressar melhor como artista.

HM – Como não poderia ser diferente, certo? “United” virou um hino mundial com dezenas de milhões de streams e amplo reconhecimento em diversos países. No Brasil, inclusive, a música fez muito sucesso. Como surgiu para fazer essa collab galáctica com tantos artistas de peso?

O Matan do Vini Vici (também de Israel) me convidou para fazermos um trabalho juntos e começamos a compor a música. Mandei para ele os vocais e depois o Armin e o Alok trabalharam em cima para lançarmos essa música tão especial.

HM – Como uma coisa puxa a outra. Em 2019, você e o Alok lançaram “Vale Vale” juntos, pelo selo dele na Spinnin’ Records – o Controverisa – que também alcançou sucesso internacional, virou um mega hit cantado de Ibiza à China, do Brasil à Europa, enfim. Conta um pouco sobre “Vale Vale”.

Alok é um grande músico. Eu amo a música brasileira e quero que minha música chegue cada vez mais perto do Brasil. Para mim, foi muito excitante trabalhar com o Alok. Além de um grande artista, ele é uma pessoa muito legal e muito profissional. Aprendi um monte com ele em todo esse processo que envolveu diversas pessoas para trazermos esse canto tribal chamado “Vale Vale”. Quando tocamos juntos em Ushuaia, Ibiza, foi uma experiência muito louca. É algo que elevou a minha paixão e motivação para continuar a produzir música.

HM – Você tem sido muito presente nos lançamentos recentes da Spinnin` Records, uma das principais gravadora do mundo. Em junho, lançou a faixa “Esso Esso” pelo selo do KSHMR, o Dharma Worldwide. Comente por gentileza.

É uma grande gravadora e o KSHMR é um cara muito legal, um artista muito criativo. Eu fico muito feliz que ele goste da minha música. Lançar “Esso Esso” no selo dele foi demais, a receptividade foi ótima e o que posso dizer é que vamos colaborar novamente em algumas músicas no futuro. Sobre “Esso Esso”, espero que as pessoas dancem felizes com esta música.

HM – Curiosidade: esse ano você já lançou seis faixas. Quanto tempo você leva para produzir uma música do início ao fim?

Depois que já tenho a ideia principal, a produção pode levar em torno de uma semana, então parto para o mix e master.

HM – Mais um lançamento na sequência, mais um hit na sequência. Uma semana depois de “Esso Esso”, saiu “The Prayer”, também pela Spinnin’ Records, estreia do selo de Timmy Trumpet –  Sinphony. Com dezenas de milhões de streams e um clipe animal, “The Prayer” é uma faixa muito poderosa, além de um grande sucesso. Qual foi a influência principal e como começaram a construção da track?

Eu comecei esse projeto tendo em mente as tribos Vikings, escrevi o gancho, a parte principal e o Timmy Trumpet e KSHMR trabalharam na produção. Estou muito feliz com a recepção que a música está tendo.

HM – As pessoas tendem a rotular os artistas, o que você me diz sobre isso?

Como artista e compositor eu amo lidar com os mais diversos tipos e gêneros pois a cada melodia, eu procuro a melhor produção, que me dê o melhor resultado. É nisto que estou interessado na produção musical, eu não ligo muito para os rótulos que podem colocar na música, música boa sempre vai ser música boa!

HM – Muito bom! Agora falando do Brasil, você tem grande parte da sua audiência por aqui. Quatro das cinco cidades com mais ouvintes do Zafrir estão no país. Quando você vem para cá?

Eu penso que o Brasil tem pessoas que realmente amam música e eles sabem apreciar isso. Olha, com isso tudo da pandemia, eu não sei, mas mal posso esperar para vê-los nos shows que estão por vir!

HM – Quando falo Brasil, o que vem a mente?

Capoeira, Alok, Flakkeë, Cat Dealers, Chemical Surf e uma cultura incrivel [rs].

HM – Por falar em Chemical Surf, recentemente você lançou “Paranauê” junto com eles pela Spinnin’. Para fechar, conta pra gente mais sobre essa música!

Eles são umas das pessoas favoritas que já conheci. O Chemical Surf tem além de uma sonoridade, uma vibe muito especial que dá para sentir de longe. Estamos trabalhando em algumas músicas e a primeira a ser lançada foi “Paranauê”. É muito divertido trabalhar com eles, espero que gostem!

HM – Para fechar deixamos vocês com o solo de guitarra de Zafrir para “The Prayer”.

 

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