Por Rodrigo Airaf
Foto de abertura: divulgação
Há anos Kalil Carajeleascov desfruta de uma curva ascendente em sua carreira. Entre apresentações em cinco continentes, collabs com artistas como D-Nox, Alex Stein e Any Mello, supports de Carl Cox, John Digweed e Monika Kruse e lançamentos em selos como Stil Vor Talent, Noir Music e Senso Sounds, chegou a hora do famoso duo alemão Pan-Pot abrir espaço em seu selo Second State para apresentar o techno pulsante do DJ e produtor paulista, mais conhecido como K.A.L.I.L.
O EP “Order” foi feito em parceria com o DJ, produtor e agitador cultural neozelandês Cam Harris — a track homônica conta ainda com um remix do alemão Rocko Garoni — e apresenta faixas que caminham entre o old school e o melodioso, seja para um galpão ou para grandes pistas abertas. Versatilidade e competência sendo qualidades evidentes neste produtor, convidamos o artista para uma entrevista e, é claro, você, leitor, para ouvir o EP.
HM – Por que a Second State?
A Second State está entre as 10 maiores labels de techno do mundo atualmente. O Pan-Pot está na cena mundial há muitos anos e tem uma relevância absurda nesse meio! Desde que me achei no techno sigo os lançamentos da gravadora e já assisti o duo diversas vezes. Ter as portas deste selo abertas foi uma meta e um sonho realizados! Tenho recebido muitas mensagens de pessoas de várias partes do mundo me parabenizando pelo lançamento. Isso é muito gratificante e me faz querer continuar cada vez mais!
HM – Como convergiu seu estilo de som e o do Cam Harris na hora de produzir? Quais elementos são a cara de cada um?
O Cameron é bem criativo na variação de estilos. Ele produz uma linha até um pouco mais melódica e isso casou bem com meu estilo de basslines e bateria das músicas. Pode ter certeza que algumas variações melódicas foram criação dele e a “sujeira” dos timbres e das levadas são minhas!
HM – Como pretende criar a ponte entre o Brasil, expoente de cada vez mais subvertentes do techno, e a meca europeia Berlin? Pretende voltar lá pós-pandemia?
Como tenho feito nos últimos quatro anos, eu toco na Europa pelo menos duas vezes por ano. Berlin é como minha casa e, em todas as vezes que vou, conheço gente nova e abro portas para voltar, além de ser parecida com São Paulo na parte de vida noturna e opções de diversão.
Nesse momento era para eu estar por lá, mas a pandemia cancelou meus planos, como os de todo mundo. Farei de tudo para voltar lá o mais rápido possível, pois meu som vai muito bem lá, tenho muita coisa nova pra mostrar e não tem como não querer voltar. Meu club do coração fica em Berlin, o Sisyphos! Meu grande amigo e irmão de vida Alex Stein mora na cidade e sempre temos boas histórias pra contar depois dos períodos que fico por lá. Ele, inclusive, lançou algumas vezes pelo selo da Monika Kruse, que também é de Berlin. Sem contar o Thomas Schumacher, que me acolheu algumas vezes na sua gravadora Electric Ballroom. Por isso me sinto tão bem quando vou para lá!

Foto: divulgação
HM – Quais são, atualmente, suas maiores predileções nacionais e internacionais no cenário de música eletrônica?
Um grande amigo meu aqui do Brasil está se tornando uma peça-chave nos meus sets com uma música melhor que a outra: Nineteen Sines. Ele teve vários suportes em 2019 de artistas como Adam Beyer e Enrico Sangiuliano. Na cena internacional tenho curtido muito o que o duo Joyhouser tem feito. Acho que o som deles é bem enérgico e vai bem em qualquer tipo de evento de techno, desde open air até clubs pequenos, escuros e cheios de fumaça. Além do Alex Stein, de quem não posso deixar de falar, que está fazendo umas bombas que em breve serão lançadas por lá! Essa quarentena tá rendendo muita música boa.
HM – Quais serão seus próximos passos no estúdio?
Eu não parei de vir ao estúdio diariamente. Fiz umas sete músicas novas nesses últimos dois meses! Tenho focado mais em um techno menos barulhento e com mais história dentro das músicas. O trabalho é mais intenso em trabalhar poucos elementos com maior dinâmica. Às vezes um único som bem feito dá a cara pra música toda. Esse é meu maior desafio. Os tempos no mundo não estão fáceis e demorarão pra voltar ao “normal” de viajar, tocar, interagir, mas, no estúdio tenho total controle do meu trabalho e me abro para testar novos sons. Agora é hora de confiar no meu taco e respeitar meu feeling! Pretendo lançar mais sons no meu próprio selo, Step4 Records, mas ainda busco labels com maior alcance. A Second State está me abrindo portas que podem gerar ótimos resultados nos próximos meses.
