Aos 9 anos, Larinha mostra que CDJ e produção musical não é só para gente grande

Por Luiza Serrano

Foto de abertura: Bruzzi

Há cerca de um ano, Larinha pediu aos pais para começar a tocar, com um detalhe, Larinha tinha oito anos.

Em sua família não há DJs ou produtores, mas os pais curtem música eletrônica, em especial o papai Carlinhos, que toca nas horas vagas como hobby. E foi em uma dessas sessões em casa, que Larinha tocou pela primeira vez e já emendou um “quando vamos tocar de novo? ”. “Adoramos música eletrõnica e ver a nossa filha se identificando com esse estilo é algo que chega emocionar”, conta o pai orgulhoso.

Na primeira oportunidade que Lara encontrou, não perdeu tempo.  A escola em que estuda em São Paulo realiza um festival de inverno anual, no qual os alunos podem apresentar os seus talentos. A DJ mirim então pediu ao pai para que a ensinasse mais sobre como tocar, pois iria se apresentar para os amigos no festival.

Ela gostou tanto da experiência que entendeu que queria estudar e aprender mais. “Eu falei com meu pai que queria seguir com isso. E, agora, estou aqui correndo atrás dos meus sonhos”, conta empolgada.

 
 
 
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Um pouco da nossa festa… Galera animada.. @davinagasparini

Uma publicação compartilhada por Lara Delfino Amorim (@larinha_music_) em23 de Set, 2019 às 6:21 PDT

Fã de diversas vertentes da música eletrônica, Larinha não esconde sua preferência pelo tech house, mas ouve e pesquisa de tudo, principalmente, o som dos artistas nacionais. “Eles estão mandando muito bem. Chemical surf, Dubdogz, KVSH, Liu, JORD, Zuffo, são tantos talentos”. A artista mirim conta que Dot Larissa foi a primeira mulher que deu apoio quando ela começou a divulgar seus vídeos e aparecer na cena, inclusive, a convidou para participar do programa She DJ, na Rádio Energia 97, de São Paulo.

Aos nove anos, Larinha entende que o mercado ainda é dominado pela presença masculina e que as mulheres precisam se unir e não se intimidar. “As meninas têm que correr atrás dos seus sonhos. Às vezes dá um pouco de medo, mas meu conselho é: dê o seu melhor”, garante.

E ela realmente vem investindo nos seus sonhos. O Só Meme Boa conheceu o trabalho da Larinha e fez um meme que gerou uma grande repercussão. “A gente sempre ajuda as pessoas que estão começando, e uma menina de nove anos de idade foi impressionante”, conta Léo Güerino, um dos sócios da página. 

 
 
 
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Toca melhor que muitos, DANÇA melhor que muitos HAHAHAHAHAHAHAHA @larinha_music_

Uma publicação compartilhada por SÓ MEME BOA (@somemeboa) em21 de Abr, 2020 às 4:38 PDT

Algumas pessoas não acreditaram que era ela mesma mixando, escolhendo as tracks. Então, Léo a convidou para uma live no perfil do Só Meme Boa no Instagram. “A live deu mais de seis mil pessoas. A galera gostou tanto que pediu para ela fazer mais duas horas de set. Ela animou e só não fez mais porque ficou um pouco cansada”, conta Leo.

“Sinto que algumas pessoas têm um pouco de preconceito. Na live alguns duvidavam, outras defendiam. E, agora, recebo duas a três músicas por dia para tocar no meu set”, revela Larinha que, após a live no Só Meme Boa, foi convidada por JORD para um bate-papo.

 
 
 
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Uma publicação compartilhada por Lara Delfino Amorim (@larinha_music_) em15 de Mar, 2020 às 6:03 PDT

“Eu conheci a Larinha por meio do Instagram. Recebi um vídeo dela tocando a ‘Drunk’ e achei muito legal por ela ser tão nova e já saber tocar, que é algo bem difícil nessa idade”, conta JORD que começou a segui-la e acompanhar o seu trabalho.

Larinha não ficou nem um pouco tímida. Conversou, mostrou o equipamento em que ela toca, deu uma palinha e surpreendeu o público presente na live. “Acho surpreendente a história dela e o quanto ela é nova e sabe de tanta coisa. No meu caso, levei um tempo para aprender a tocar, foram algumas experiências, muitos erros para chegar a um nível legal. Ela aparentemente aprendeu muito rápido e já consegue tocar como um adulto”, revela o JORD.

 
 
 
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Demais essa live com o @listenjord 🎧❤😻

Uma publicação compartilhada por Lara Delfino Amorim (@larinha_music_) em10 de Abr, 2020 às 3:52 PDT

Para ele, Larinha possui uma importante representatividade, para as pessoas que estão começando e, principalmente, para as mulheres. “Defendo a presença de mais mulheres no mercado para ser mais equilibrado e acho que apoiá-las desde o início é essencial para que elas cresçam. Desejo muita sorte para ela e quero vê-la brilhar cada vez mais”, finaliza.

A “braba”, como os seguidores já a chamam, faz as suas próprias pesquisas musicais. “Eu só toco as brabas. Quando eu gosto de uma música coloco ela na listinha para poder tocar”, conta. E todo esse sonho tem o suporte dos pais, que incentivam e acompanham de perto. “Desde pequena quis ser famosa. Depois que eu crescer e puder, quero tocar em várias festas”. 

O pai Carlinhos conta que Larinha sempre teve esse lado artístico muito forte. “Ela sempre demonstrou muito talento e nós vamos apoiar se ela escolher esse caminho. Espero poder em breve curtir ela tocando em uma grande festa e realizando os seus sonhos”, explica.

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Larinha – Foto: Bruzzi

Se depender dos sonhos de Larinha, seus pais realmente vão vê-la tocando em grandes festas. A DJ mirim sonha em tocar no Lollapalooza, Tomorrowland, Laroc Club e Só Track Boa, só para citar alguns, que divide espaço, também, com uma desejada foto ao lado do Vintage Culture, para acompanhar os registros com KVSH, Chemical Surf, DRE Guazzelli, Dubdogz, entre outros que estão expostos com muito orgulho na sua casa.

Larinha, inclusive, já esteve em um desses festivais. No ano passado, foi com os pais ao Lollapalooza Brasil e pode ver de perto nomes como Kungs.

Mas, será que os amigos da escola entendem a profissão que a DJ quer seguir? “Eles não sabem direito o que é. Quando eu falo, eles dizem que nunca viram uma criança DJ. Mas o mundo mudou né? Então eles apoiam”.

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Larinha – Foto: Bruzzi

E Larinha não quer ser apenas DJ. Há poucos dias, iniciou um curso de produção famoso na cena de música eletrônica, o Make Music Now. O que antes ela fazia por meio de um aplicativo no celular, agora aumentou de tamanho e a jovem produtora poderá aprender a fazer as suas próprias músicas.

Como Larinha disse, “o mundo mudou”, e isso é muito significativo quando vemos uma menina, de apenas nove anos, mergulhando nesse universo da música eletrônica majoritariamente formado por homens. Ainda há um longo caminho a trilhar, mas, com o apoio dos pais e dos próprios artistas, a DJ e futura produtora, será uma referência para a sua geração e para todas as mulheres que acreditarem que é possível sonhar, realizar e estar onde quiserem chegar!

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