Por Marllon Gauche
Foto de abertura: João Neto
Desde 12 de julho, os clubbers de Curitiba podem contar com mais uma opção de entretenimento focada em música eletrônica: o Clube Inbox. O conceito ganhou vida dentro da antiga fábrica do Café Damasco, localizada às margens da BR-277, e desde então já recebeu diversos artistas da cena eletrônica internacional, como Guy Mantzur, Yaya, Shall Ocin e Luuk Van Djik, mas, pela frente, ainda tem muita gente importante confirmada, como Tom Trago, Subb-an, Christian Smith, East End Dubs, Nick Curly entre outros até o fim do ano.

Foto: ZOOE
O espaço conta com uma estética industrial inspirada na cultura raver britânica e americana, quando rolavam festas ilegais onde nem mesmo os endereços eram divulgados publicamente. Fomos então atrás de Rafael Bado e Haustuff, algumas mentes por trás do Clube Inbox, para saber mais de detalhes do conceito, da criação do espaço e até dos desafios enfrentados atualmente. Confira nosso bate-papo!
HM – Olá, pessoal! Tudo bem? Obrigado por reservarem um tempo para falar com a gente! Conta pra gente como surgiu o início de toda a ideia por trás do Clube Inbox? Quem teve a ideia inicial e como ela se desenvolveu?
Bado: Essa com certeza o Gone [Haustuff] vai saber responder melhor que eu! O idealizador de tudo e a mente por trás de tudo isso é a dele! Eu mesmo nunca achei que fosse ser sócio de um club, ainda mais de algo do tamanho da Inbox. A oportunidade surgiu com um convite do Haustuff depois de mostrar meu trabalho a partir da QG e da Laguna, e tudo que tem acontecido tem sido muito gratificante. Árduo, mas gratificante!
Haustuff/Gone: Tudo isso começou com uma história bem interessante, essa era a fábrica do pai de um amigo meu e ela estava fechada fazia nove anos, eu acho. Um dia ele me ligou e falou para nos irmos até lá que eu poderia fazer uma festa em qualquer um dos barracões, quando entrei no local onde é o clube hoje comecei a viajar internamente imaginando mil coisas ali. No primeiro momento já tive certeza que seria um clube!

Foto: ZOOE
HM – Quem são as pessoas por trás do projeto atualmente?
Bado: No total são cinco fundadores, todos foram escolhidos a dedo para compor esse time! Vou falar resumidamente sobre cada um deles.
Guilherme Assenheimer aka Haustuff: idealizador e curador artístico do clube, foi quem chamou todo mundo pro projeto e fez com que ele existisse. Rafael Campos: articulador da família do antigo do café damasco. Ele fez toda a ponte e movimento para entrarmos lá dentro do Parque Damasco. Curiosidade é que ele também é o dono da casa da Radiola!
Como agregados tem o Guilherme Simm, investidor e dono da agência QG que está diretamente ligada com o club, o Lucas Bessegato, também investidor, DJ, produtor e dono do Contém Food, que é a parte de comidas do espaço, e eu, que além de investidor, também faço a parte de curadoria artística promoções do club.
HM – Então boa parte desse time já colabora com a cena em paralelo, certo? Como vocês avaliam o atual momento que Curitiba vive se tratando da música eletrônica underground?
Bado: Com certeza! Todos envolvidos têm uma história na música eletrônica e algo para contribuir com o desenvolvimento do clube! Isso fez com que o processo ficasse muito mais rápido e fácil. Para mim, Curitiba sempre foi uma das capitais da música eletrônica no Brasil e os movimentos independentes de labels como Radiola, Laguna, Momentum, Alter Disco, Redoma, I Love Garage, Morena, Sweetuf, 5 of Us e diversas outras, além dos grandes festivais como EOL, Kubik, Some, Tribaltech, Warung Day, junto de clubs como Vibe e agora também Inbox, nos mostram que a cidade passa pelo maior aquecimento no mercado dos últimos anos. Fico feliz de estar participando e contribuindo para tudo isso!
Haustuff: Curitiba sempre foi muito ativa quando fala-se em música eletrônica, esse ano faz 22 anos que só faço isso da minha vida. Antes de começar a discotecar, de 1991 até 1997, eu vivi muito a era das danceterias de Curitiba. Existem histórias de pessoas que eram DJs nessa época que trocam carro por discos, era surreal!
HM – Como funciona o processo de curadoria do club? Vocês estão trazendo artistas bastante diversificados. São ideias que vem de pessoas diferentes? Como as decisões são tomadas?
Bado: O processo de curadoria passa sempre por mim, pelo Haustuff e o Bessegato que também nos ajuda bastante, principalmente para desempatar ideias [risos]. Nosso objetivo sempre foi ser um dos clubs no Brasil a levantar a bandeira do house e suas vertentes, mas tentamos ser bem ecléticos e trazer diversos gêneros, principalmente através de labels parceiras que passam pelo house, minimal e techno.
Haustuff: Uma das estratégias e realmente botar nomes que realmente não são explorados pela mídia, mas que entregam o resultado melhor do que muitos ‘posers’.

Guy Mantzur – Foto: ZOOE
HM – Falando um pouco da parte criativa do Inbox: vocês se inspiraram nas squat parties londrinas, certo? Quais os principais detalhes da arquitetura e da decoração que ajudam nesse quesito?
Bado: Eu sou péssimo para falar em design e arquitetura [risos]. A mente por trás do ambiente novamente foi toda do Haustuff. Mas com certeza se eu tivesse que escolher uma frase, que inclusive está gravada em uma de nossas paredes, ela seria: “In our house we are all equal”.
Haustuff: Acho que tudo ali partiu do ambiente que já existia, essa pira industrial aliada a festas ilegais da Inglaterra e até mesmo no Queens em NY!

Foto: ZOOE
HM – Existiu alguma outra festa ou club específico que inspirou a criação do Inbox e de toda a atmosfera presente no local?
Haustuff: Digamos que é uma mescla de festas independentes da Inglaterra, Holanda e New York (Queens).
HM – Além das festas eletrônicas que rolam sextas e sábados há também outras opções de entretenimento. Como é exatamente? Qual a aposta durante os outros dias que o Inbox fica aberto ao público? Vocês estudam trazer coisas inéditas ao local?
Bado: Sim! Sabemos que abrir diversos dias da semana é um trabalho e um desafio muito grande, fazendo com que seja necessário o trabalho com outros gêneros musicais em dias suporte como quinta, quarta e domingo pra galera não saturar da mesma coisa sempre. Atualmente, o club trabalha com jazz, blues, funky and soul, rap, música eletrônica e também algumas coisas acústicas. Gosto de pensar que o club é um club voltado pra música boa, seja qual for seu gênero e com certeza podemos esperar coisas novas e inéditas nos próximos meses!
Haustuff: Como Bado falou, música boa sempre para todas idades e gêneros!!
HM – Quais os maiores desafios enfrentados por estar no comando de um clube como o Inbox? Empreender neste meio é difícil?
Bado: O desafio de manter a galera sempre interessada no negócio! Já era difícil com a Laguna realizando um evento por mês, e pra mim o maior desafio de todos é conseguirmos ter público e pessoas o suficiente para fazermos todos os dias darem bom. Sem parcerias com labels, grandes promoters e a ajuda de diversos amigos nada disso seria possível, o que me deixa muito contente em ver tantas pessoas do nosso lado, apostando em nós e acreditando junto na ideia.
Haustuff: O desafio é grande, mas a vontade é maior de mostrar essa parte artística que estamos apontando e acho que com pouco mais de dois meses operando está visível que o público acredita no nosso trabalho, celebrando todas as vezes que estamos abertos e agradecendo pelo que viram naquela noite desde som, iluminação, staff, etc.

Foto: ZOOE
HM – Há alguma novidade exclusiva que você poderia adiantar pra gente? Algum artista expressivo vindo por aí? Obrigado pela conversa!
Bado: Nós é que agradecemos pelo espaço pra mostrar um pouco do que tem rolado por aqui! Quanto a alguma novidade, eu mesmo sempre gostei de surpresas então tudo que eu posso dizer é para todos ficarem ligados em nossos canais que em breve tem muita coisa nova chegando aí!
Haustuff: Com certeza até dezembro vem muita coisa boa, fiquem ligados em nossas redes sociais.
