Por Chico Cornejo
Foto de abertura: divulgação
Cultivando uma merecida familiaridade com o Brasill e uma certa intimidade com sua fanbase local, ambas decorrentes de sucessivas aparições memoráveis em território nacional, a dupla FJAAK goza de um lugar privilegiado entre os projetos de techno do cenário global. E, se consideraramos seu estilo bastante peculiar entre tantas abordagens únicas dentro do gênero, rapidamente entendemos o porquê. Sua abordagem é tão sofisticada quanto lúdica, tão comprometida com a excelência como despojada de frescuras, ou seja, é irresistível o suficiente para captar a fugaz atenção de uma geração nova enquanto atrai o interesse de uma mais velha cheia de preconceitos, entretendo a todos no processo.
E é exatamente nessa conjunção de opostos aparentes que sua originalidade se alimenta para criar amálgamas musicais intensos e irresistíveis, desenvolvendo algo bastante único que acabou por agradar um público bastante amplo, tanto mundial quanto localmente. São esses mesmos trunfos que os trazem de volta a nossas pistas em ocasiões tão diversas como a Photon, que rolou no final de semana passado em São Paulo, quanto a ODD, que agitou as praias cariocas no último dia 29 de setembro.
Nesta descontraída conversa realizada às vésperas de sua aparição no monumental projeto de Ben Klock e na mais querida das festas paulistanas que aportou na Cidade Maravilhosa, eles falaram sobre tudo isto e mais um pouco.
HM – Mais uma vez no Brasil e agora parece que se tornaram caras conhecidas no nosso já diverso panorama de festas de techno, tendo aparecido em escalações de eventos pelo país afora, especialmente em algumas de suas principais cidades. Vocês chegaram a imaginar que, algum dia, virariam prata da casa numa cena tão distante de sua terra natal?
É um enorme prazer para nós poder compartilhar nossa paixão pela música com quem quer que seja em lugares tão diversos deste planeta. Também é fantástico ver uma cena como a sua se desenvolvendo e crescendo como uma parte central desse movimento global. Nos anos noventa, algo assim sequer seria possível da forma como fazemos atualmente, assim como o contrário também é válido. Então, somos muito gratos por isso e sabemos o quão especial é o que temos no cenário atual do techno.
HM – Considerando esse mesmo período, já rolaram algumas impressões ou opiniões sobre nossas pistas, público ou mesmo os eventos como um todo? Vocês já têm expectativas formadas sobre essas datas vindouras ou procuram evitar esse tipo de ansiedade?
Claro que temos! Esperamos um rolê muito treta! É por isso que sempre esperamos ansiosamente por cada festa do outro lado dessa bela esfera azul. Sempre nos divertimos muito no Brasil porque a cena e as pessoas são conectadas de uma maneira muito intensa. Todo mundo curte de verdade, então é possível compartilhar e expressar seus sentimentos musicalmente de um modo muito interessante. A energia sempre está lá e a vibração foi muito positiva por todos os locais que passamos até aqui. Nossas expectativas sempre são elevadíssimas! Vamos com tudo!!!
HM – Outro lugar no qual figuram com certa constância é nas escalações de Ben Klock para formar seu time para as edições da Photon. Como é ser parte de um conceito tão original ao lado de alguns dos mais celebrados nomes da cena?
Olha, o Ben está fazendo um excelente trabalho com tudo isso. Os eventos foram todos espetaculares até aqui, não importando se fosse em Londres, Amsterdam ou onde quer que acontecessem. A seleção de artistas e o conceito de iluminação são sempre absurdos! Claro que é maravilhoso ser parte de tudo isto e tocar com os artistas que também são. No geral, é uma festa bem massa e a diversão é garantida!
HM – Mesmo já tendo se passado um ano desde que a configuração do projeto sofreu profundas mudanças, vocês parecem mais agitados que nunca na estrada. Ainda assim, aquilo chegou a modificar o modo como vocês se organizam, até mesmo seus métodos de produção, ou não mudou nada?
Nem um pouco. Claro que algumas coisas são diferentes agora, como decisões mais rápidas e coisas assim, mas nosso modo de produção continua o mesmo sem dúvida. Não houve grandes mudanças assim. Também continuamos usando os mesmos equipos e o mesmo estúdio, já que tudo sempre rolou na casa de um (Felix) ou de outro (Aaron). Tampouco nosso live set sofreu grandes modificações de como fazíamos antes, ainda que seja muito mais veloz hoje em dia para trocarmos coisas como máquinas, samples ou mesmo faixas inteiras. É assim que procuramos manter tudo fresco e original para cada show, já que fizemos tantos neste ano, mais do que nunca.
HM – Falando nisso, qual o setup nos palcos e no estúdio? Há certas peças de equipo que são parte do “som do FJAAK”ou elas circulam para que outras ocupem seu lugar e mostrem seu valor?
Nós usamos o mesmo setup para todas as ocasiões. Mas às vezes há um problema sério se os produtores não conseguem controlar a umidade e temperatura do ambiente, mantendo o ar fresco e tal. Em decorrência disso, algumas das nossa máquinas já chegaram a parar de funcionar direito ou mesmo quebraram por completo! Também temos alguns equipos que adoraríamos poder levar para o palco, mas não rola porque são muito raros e, se der merda, temos que ralar muito para conseguir outro. Sempre procuramos manter nossas peças favoritas durante um tempo, mas mantendo uma rotatividade entre as menores ou menos importantes para manter o frescor de tudo.
HM – Se o pequeno Felix e o jovem Aaron pudessem ver vocês agora, eles ficariam impressionados ou até mesmo orgulhosos? Se pudessem dar algum conselho para eles em qualquer idade, qual seria?
Tudo parece muito surreal muitas vezes e nunca pensamos em algo nessas proporções que tudo assumiu em nossos inícios. Ficaríamos realmente impressionados, mesmo orgulhosos, tipo “Nem fodendo! Fala sério!” Quando começamos tudo era mais difícil e demorado, então diríamos a eles (nós): “vai fundo, vale a pena, tudo isso vai se tornar uma boa, enorme e importante parte da sua vida. Na real, tudo isso vai ser sua vida!”
HM – Voltamos lá atrás para podermos olhar adiante e aqui chegamos ao ponto em que usualmente pergunto sobre o que seus fãs brasileiros podem esperar no futuro, seja de vocês ou de seus projetos.
Muuuuuuuuuuuuuita música nova foi finalizada e apenas aguarda ali no escaninho do nosso novíssimo selo Spandau20. Muitos de nossos melhores amigos no decorrer desses vinte anos estão lançando no selo e sendo lançados por ele. Pelo nosso outro selo homônimo FJAAK temos alguns EPs na espera também. Estamos trabalhando num álbum novo, então claro que tem pencas de sons novos.
