Por Cesar Nardini
Foto de abertura: divulgação
Tendo a sua origem na música disco, a house music teve início nos anos 80 na cena underground de Chicago, nos Estados Unidos. Com o passar do tempo, o movimento acabou trazendo outras vertentes, entre elas, o ghetto house, em meados dos anos 90, capitaneada pelos DJ Funk, DJ Slugo, DJ Deeon, Traxmen, DJ Milton e Jammin `Gerald.
Já em 2012, no Brasil, Marco Violent – projeto anterior do Hot Bullet – estava dando o start em suas produções, trazendo influências dos movimentos musicais de Chicago. Nesta época, as faixas não rodavam no mesmo tom, mas traduziam realidades distintas e ao mesmo tempo paralelas. O gangsta de Chicago não era como o do Brasil, mas os movimentos tinham suas similaridades.
Assim como DJ Slugo foi um dos criadores do estilo musical, que atraiu a atenção de todo o mundo há mais de 20 anos, o brasileiro Hot Bullet é considerado um dos grandes pioneiros da cena nacional, e o encontro dos artistas aconteceu via rede social, com o brazuca enviando a ideia da track para o produtor americano.
Para a House Mag, Hot Bullet afirmou que teve seu primeiro contato com o ghetto house ouvindo os DJs da velha guarda nos clubs que frequentava em São Paulo. Com isso, surgiu o seu interesse de buscar em lojas de disco e até mesmo acompanhar rádios piratas da capital paulistana esse estilo de som. Na época, ele nem pensava em se tornar DJ ou produtor musical. “Nunca imaginei que pudesse chegar até aqui. Vejo que podemos chegar onde quisermos se acreditarmos em nós mesmos”, explica.
Marco diz que recebeu suportes de muitos DJs importantes e que fica feliz que seu som possa agradar pessoas que ele admira. Para ele, é surreal produzir uma track junto com uma de suas referências. “O cara é de Chicago, é o berço da house music. É um dos caras mais respeitados por lá, o cara é o boss da parada. Então, para mim é um sonho mesmo”, revela.
Para quem ainda não conhece o ghetto house, Hot Bullet conta um pouco sobre a vertente e o que chamou a sua atenção quando conheceu a sonoridade. “O ghetto house foi uma das variantes da house music ali em Chicago. Começou-se a difundir a ideia de que os DJs poderiam fazer suas próprias músicas em casa, com o uso de drum machines e samplers. Não era um som esteticamente ‘bonito’, mas era poderoso. Graves fortes dos 808 e baterias bem cheias de 909. O BPM também era bem rápido em muitas das tracks. E as letras, bem, as letras, eram com conteúdo ‘adulto’ (vamos chamar assim), bem semelhante com os funks de hoje em dia aqui no Brasil”.
Esse som começou nas festas e ghettos de Chicago, e se espalhou por outras partes do Estados Unidos. Chegou até à Inglaterra e, com DJs que traziam discos de fora do país, aterrissou nos clubs undergrounds brasileiros. Era um momento em que se tinha muita exclusividade dentro das cases, então, cada descoberta, cada novidade, valia ouro.
“O que mais me atraiu nisso foi o ritmo contagiante, o grave que era muito potente e os hooks de vocal que era bem marcantes, e a gente ficava com aquilo na cabeça. O próprio DJ Slugo tinha a ‘Hoes in This House’, que é exatamente assim. Quando a ouvi pela primeira vez, foi amor na hora”, se diverte Marco.
Ouça o resultado dessa conexão Brasil x Chicago em “Booty on The Floor”!
