Desenhando um trajeto empolgante, Badsista assina releitura dançante para Semper Volt

Por Francisco Cornejo

Foto de abertura: divulgação

Produtora de discos, seletora de músicas, quebradora de barreiras, ganhadora de prêmios, mexedora de rabas e emissora de vibes as mais variadas, Badsista vem desenhando um trajeto empolgante e bastante singular desde os inícios de sua carreira em 2013, quando ao lado de Lei Di Dai, uma figura central da sua quebrada na Zona Leste e mundialmente reconhecida, nos apresentou suas primeira incursões na manufatura de peças musicais de alto poder percussivo.

Daí seguiu lançando seus trabalhos por selos focados na disseminação de peças de artilharia rítmica de baixíssima frequência como o extinto Buuum Trax da Skol ou instituições das explorações sonoras urbanas globais, como o hoje lendário Beatwise de São Paulo e o eclético e longevo Man Recordings de Berlim, e acabou por construir uma sólida reputação também como inovadora de gêneros.

Entre produzir o aclamado primeiro álbum de Linn da Quebrada, “Pajubá”, em 2017, integrar o seleto time que retrabalhou as faixas do “Mulher do Fim do Mundo” de Elza Soares, e tocar a coletividade festeira Bandida que criou para fomentar os talentos e propagar os sons de mulheres periféricas, ela se manteve constantemente em um corre extremamente frenético e profundamente eclético, atuando musical, profissional e intelectualmente em diversas frentes e chegando até a festivais experimentais globais como o CTM de Berlim.

Em meio a tudo isto, ela teve tempo para fazer este remix para o conterrâneo Semper Volt de uma das faixas de seu mais recente álbum “Cristal“. Ela figura ao lado de uma fantástica de equipe de remixers – Renato Cohen, Forró Red Light, Ananda Nobre e L-Side – que foi recrutada de várias partes do Brasil para contribuir no conjunto de reinterpretações que formam o “Prisma EP”, lançado dia 08 de julho.

O senso de urgência e a energia que permeia esta releitura profundamente dançante de um dos mais novos talentos de São Paulo aponta para as possibilidades infinitas que se encontram no local onde as visões e experiências de duas gerações de músicos de uma metrópole tão intensa e vívida se chocam. Pegando tanto a abstração quanto a lentidão sensual nas baixas frequências do original e transformando-as num groove absurdamente lascivo e implacável, Badsista reconstitui a estranheza fundamental que anima este conto de agruras diárias e ansiedades da rotina urbana nos tempos modernos, tornando-o um lembrete de como o movimento e a música podem nos ajudar a romper com seus ritmos cansativos, oferecendo liberdade e espaço para a imaginação.

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