Conexão Brasil x Japão: Cortez compartilha 5 curiosidades sobre a cena eletrônica japonesa

Por DJ Adriano Cortez – DJ, produtor e correspondente oficial da House Mag no Japão

Foto de abertura: divulgação

Aos olhos de um ocidental, o Japão pode ser um país fascinante, altamente sedutor e repleto de idiossincrasias. Sua cena eletrônica não deixa por menos, e, naturalmente, traz algumas características bem diferentes das que estamos acostumados por aqui.

Para entender melhor, convidamos mais uma vez o nosso correspondente nipônico, o DJ e produtor paulista Cortez, que partiu para o país do Sol nascente no começo de 2019, depois de 15 anos de atuação em São Paulo.

Com a palavra, Adriano Cortez!

E aí, tudo bem? Estou há dois anos e alguns meses vivendo aqui no Japão, e cada vez que vou a uma festa, me surpreendo com alguma coisa! Vou falar de cinco delas que você provavelmente não sabe sobre a cena eletrônica daqui.

Crianças em festas

Aqui é muito comum festas em praias e parques públicos onde os organizadores vendem um ticket à parte para que o público leve sua barraca e aproveite a festa com seus amigos ou sua família.

Achei incrível, por exemplo, na festa Brightness, em Tóquio, onde muitas famílias aproveitavam a festa enquanto os filhos pequenos dormiam nas barracas ou se divertiam dançando e brincando com seus pais.

Flyer impresso

O último flyer impresso que peguei na mão foi no ano de… deixa para lá [rs]. No Brasil, depois que a Internet com MSN, Orkut, Facebook bombou, praticamente, nenhuma festa fez flyers impressos. Mas aqui no Japão é muito comum imprimi-los e deixá-los nas baladas concorrentes.

Você deve estar se perguntando: “como assim, nas baladas concorrentes?”. Sim, aqui eles se ajudam, não há cobrança para expor seu flyer. Geralmente, na entrada das baladas e bares tem um espaço para eles. Inclusive, depois de anos eu imprimi uma leva de flyers para a festa Hideout, que estou produzindo aqui em Nagoya — eu a organizava em São Paulo e agora trouxe para o Japão.

DJ Set com menos de 1 hora 

Eu sempre achei que uma hora de set é pouco tempo de apresentação, mas no Brasil é um tempo aceitável. Já por aqui, é comum ver flyers lotados de DJs e com tempo de set de 40, 30 ou até 25 minutos. Acredite!

 
 
 
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Mais mulheres DJs

No Brasil, o número de DJs mulheres é `tristemente` muito baixo comparado ao Japão. Aqui é maravilhoso ver a quantidade de DJs do sexo feminino atuantes e que se dedicam a se profissionalizar, e com conhecimento musical que vem da escola. Na próxima festa que eu toco, a @hideout.art, o line up é composto por quatro mulheres e somente dois homens! No Brasil, elas ainda precisam de mais espaço.

After é after

Existem baladas de música eletrônica em todas as grandes cidades japonesas, mas a única cidade que dá aula é Tóquio! Meus amigos, tem balada todo santo dia! E after? Também!

O complexo de Roppongi Hills é um dos lugares do mundo com a maior concentração de baladas por metro quadrado, e é onde reinam os afters! Eles começam a partir das 5h da manhã, e alguns só fecham depois que o último cliente `morre` e vai embora [rs]. Aqui é onde a frase “after do after” foi criada e atualizada para “after do after do after” — é surreal! 

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