Por assessoria
Foto de bertura: divulgação
Em 2019, o DJ e produtor brasileiro Vegas foi surpreendido ao saber que a sua música “Akasha” havia sido tema da coreografia da Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica e medalha de ouro nos jogos Pan-Americanos. A identificação foi tanta, que ele recebeu o convite da comissão técnica para assinar uma trilha especial para a sequência com a qual a equipe disputaria a vaga para as Olimpíadas de Tóquio.
>> O progressive trance de Vegas é trilha sonora para seleção brasileira de ginástica rítmica <<
Na época, Vegas estava em turnê pela Ásia, com um fuso de 12 horas com relação ao Brasil. “Marcamos algumas reuniões para alinhar e entender como funcionaria, é algo bem complexo. A Camila Ferezin, treinadora da seleção, queria algo novo, mas sem perder a característica da música popular brasileira”, conta o produtor que nunca havia assinado uma trilha sonora em mais de 10 anos de estúdio.
O DJ conta que quando a treinadora pediu algo que somasse cultura brasileira e música eletrônica, ele teve certeza de que ela estava falando com a pessoa certa, já que o artista é reconhecido mundialmente como #produtonacional, por trazer o sotaque brasileiro para as suas produções de progressive trance. “Na hora me veio ‘Pratigi’. A grande dificuldade foi encaixá-la no meio de toda a produção que tem samba, por exemplo”.

Vegas – Foto: divulgação
Para quem não conhece, “Pratigi” foi lançada por Vegas em 2016, como uma homenagem a sua primeira participação no palco principal do Universo Paralello, em Pratigi, na Bahia, um dos principais festivais do mundo. A faixa traz fortes elementos percussivos, o som do berimbau, em uma pulsante melodia.
O produtor então uniu duas músicas da MPB com as batidas eletrônicas e elementos específicos que se encaixavam em movimentos coreográficos. Tudo isso em um tempo limitado para a competição. “Eu estudei as apresentações de outros países, peguei algumas referências e fui para o estúdio. Criei percussão e linhas melódicas, algumas que remetem a tensão e outras mais alegres. Cada elemento foi devidamente calculado e ajustado para a coreografia das meninas”, revela.
A versão ainda passou por ajustes, coisa de décimos de segundos. “Valeu a pena, o resultado foi novamente o ouro e a vaga para as Olimpíadas. Ficou a famosa mistura brasileira e, claro, me sinto orgulhoso em poder levar um pouquinho da cena trance para Tóquio”, conta Vegas. A equipe levou para a casa a medalha de ouro do Pan-americano deste ano, no último final de semana no Rio de Janeiro, e ainda garantiu a vaga para as Olimpíadas de 2021.
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“Quem diria que as batidas do progressive trance iriam se encaixar tão bem nos movimentos. É, no mínimo, curioso”, afirma o produtor que foi conhecer melhor este esporte há pouco tempo. Isso porque as batidas desta sonoridade são mais aceleradas, e contrastam com a leveza e elasticidades dos movimentos das ginastas no tablado, ao mesmo tempo que se encaixam à agilidade com a qual elas percorrem toda a coreografia
“Depois de entender melhor a modalidade, você vê que a música faz parte da competição e conta muito no desempenho e resultado da equipe. Creio que é algo que deve começar a ser levado cada vez mais a sério neste esporte, ter um produtor musical disponível para produzir a trilha sonora, quanto mais ajustada a música aos movimentos das meninas, melhor será o resultado”, finaliza.
Ao contrário da flexibilidade de Vegas que parece não estar em dia, seus ouvidos e feeling estão afiados para a produção de novas trilhas, que diga-se de passagem, são pé quente!
