Por Rodolfo Conceição
Foto de abertura: divulgação
A Itália tem uma longa tradição na dance music mundial. De nome de estilo como o italo disco a nomes que se tornaram referências como Giorgio Moroder. o País da Bota sempre revela grandes nomes e a bola da vez parece ser o trio Meduza, que tomou de assalto a cena mundial com hits como “Lose Control” e “Piece Of Your Heart”, que ficou ainda mais famosa por aqui com o remix de Alok.

Foto: divulgação
O talentoso trio formado por Mattia Vitale, Luca de Gregorio e Simone Giani atingiu em cheio o gosto da dance music com refrões que grudam que nem chiclete, e chegaram à marca de 23 milhões de ouvintes mensais somente no Spotify. E pode ter certeza que uma boa parcela desse público é daqui do Brasil.
Conversamos com Mattia para uma entrevista exclusiva diretamente da sua casa em Milão, onde ele falou sobre “Paradise“, última inédita do trio em collab com o cantor irlandês Dermot Kennedy, o amor pela música e sobre sua passagem pelo Brasil, que despertou uma grande paixão pelo carnaval. Confira o papo completo!
HM – Oi, Matt, como vai? É um prazer falar com você. As letras e vocais são sempre elementos especiais nas músicas do Meduza e vocês sempre fazem collabs com excelentes cantores. Conte mais sobre o seu último lançamento, “Paradise”, e o significado dela para o momento.
Eu nunca encontrei Dermot pessoalmente antes de fazer essa música. Somos da mesma gravadora nos EUA, e soube dele um ano atrás porque a gravadora pediu um remix de “Power Over Me”, do seu primeiro álbum. Ficamos muito felizes, porque ao ouvir sua música sentimos um frescor, era tão legal que pensamos em escrever algo para ele lançar com o Meduza, mas naquele momento ainda não tínhamos muito tempo para pensar, estávamos em turnê.
Então, veio a pandemia e voltamos para casa. Começamos a trabalhar nessa música no primeiro dia de quarentena em casa. Queríamos falar sobre esse momento específico que estamos vivendo, a distância da família e amigos, lugares que nos fazem sentir especial, uma namorada. Ele adorou a ideia e quis participar, então tudo foi muito fácil. Trabalhamos por Skype, ele no seu estúdio em Dublin e nós na Itália, e quando acabamos a música e a apresentamos para a gravadora, você sabe o resto [rs]. Todo mundo começou a tocar, você vê o resultado.
HM – Preciso dizer que o público do Brasil ama o seu trabalho. O que você acha que explica toda essa identificação dos brasileiros com o som do Meduza?
Essa é uma ótima pergunta. A gente só faz a nossa música por amor, e não por posições em charts ou certificações de vendas. Estou muito feliz que os brasileiros amam a nossa música, especialmente, porque somos de um mundo diferente, que não é como pop ou funk, mas dance music, que não ouvimos muito no rádio quando estivemos no Brasil.
“Sempre ficamos animados com a reação do público quando vamos para o Brasil, eles cantam e dançam a tudo que tocamos, especialmente, nossas músicas. E, para nós, essa é a melhor parte, a reação do público à nossa música”.
HM – Falando nisso, como foi sua passagem pelo Brasil em 2019?
Parece que foi muito tempo atrás! Estive aí duas vezes, a primeira foi duas ou três semanas antes do Carnaval, e voltei também durante o carnaval. E, para ser honesto, essa foi uma das melhores experiências da minha vida. Nunca vi um Carnaval como no Brasil, e tenho que concordar com os brasileiros daqui, essa é a melhor coisa que há e eu posso confirmar. É uma loucura, muito trânsito, gente por todo lado, curtindo a música, festejando e bebendo juntas. Eu mal posso esperar para ir novamente próximo ano.
Ver essa foto no Instagram
HM – Normalmente só você excursiona com o projeto Meduza. Algum dia o público brasileiro terá a oportunidade de ver um live act do Meduza?
Espero que o mais breve possível. Estamos planejando ir para os EUA, pois estão em um bom momento da vacinação, é um bom sinal para a reabertura. E assim que puder, iremos ao Brasil, seja para apresentação em DJ set ou com um live show com nós três. Eu realmente sinto falta do Brasil e quero voltar logo.
HM – Então você já está olhando o calendário para ver a data do Carnaval de 2022?
[rs] Eu já agendei isso, 100% de certeza que estarei no Brasil para o próximo Carnaval.
HM – Aqui no Brasil dizemos que o ano só começa depois do Carnaval, mas, infelizmente, nesse ano não tivemos a festa por conta da pandemia. Então espero que tenhamos um momento propício no próximo ano para a volta da festa. Falando nisso, como está o retorno dos eventos na Itália?
Estou na minha casa em Milão. Estamos tentando retomar a vida, com quase metade da população vacinada. O Governo diz que provavelmente em junho ou julho poderemos voltar aos clubs a céu aberto, então, acredito que estaremos voltando à normalidade até o fim do ano.
Ouvi que nos EUA estão retornando com festivais e reabrindo clubs, voltando ao normal, que é o que as pessoas precisam mais que tudo agora. Estamos trancados em casa há mais de um ano, estamos bem cansados. Precisamos viajar, tocar, ter contato com pessoas. Especialmente a gente como artista. Precisamos do contato com as pessoas do front, saber sua opinião, ver a reação ao tocar uma demo pela primeira vez para entender melhor o que estamos fazendo em estúdio. Então é muito importante esse contato, e eu realmente espero voltar a fazer isso logo.
HM – Sua música é sempre animada e feita para dançar, mas, passamos por um momento difícil, com pessoas e até artistas deprimidos por conta do isolamento. Como você acha que a pandemia afetou a sua forma de trabalhar e a sua música? Você acha que o seu trabalho pode ser um remédio nesse momento?
Essa é uma boa pergunta. Serei honesto, eu acho que todo tipo de momento na vida, como essa pandemia que vivemos, vai afetar a música.
“Porque a música é sobre contar histórias, contar sobre experiências que você vive”.
Então, nas letras você sempre tenta explicar os seus sentimentos e como você vive aquele momento particular na vida. Claro que afeta a nossa produção, mas, acho que as pessoas precisam de música mais do que nunca. Nós fazemos dance music, então queremos dar cinco minutos para as pessoas poderem se divertir, seja em casa durante a pandemia ou em um club. Queremos que você se divirta e esqueça o que está acontecendo no mundo por esses cinco minutos.
