Por Lau Ferreira
Foto de abertura: divulgação
Um universo musical em expansão, com cada vez mais artistas, gravadoras e tracks surgindo, significa mais competição, maior oferta por uma demanda sedenta por novidades e bons sons para curtir ou tocar nas pistas de dança. É natural que projetos novos tenham mais dificuldade e necessitem de paciência para atingir seus objetivos. Mas, não é bem este o caso do Innure, duo formado por Colussi e r4ne.
Formada no fim de 2019, a dupla catarinense de techno melódico mal saiu do berço e já emplacou alguns lançamentos importantes e ainda chegou chegando com a sua própria gravadora, a Prototype Music. Além disso, a primeira gig foi com o pé na porta: edição de um ano da Paradise Sessions, em Balneário Camboriú, assumindo as pistas depois da atração francesa Olivier Giacomotto, com uma recepção bastante calorosa. Talvez a resposta para um começo tão impactante esteja no background de seus membros.
Colussi tem uma experiência de mais de quatro anos não apenas como residente do El Fortin, mas também como integrante do staff de marketing do clube, o que o dá um insight privilegiado de como é trabalhar nos bastidores do mercado. Ao fim de 2019, depois de se apresentar em casas e festivais como XXXperience, Green Valley, Field Club e Matahari — e de dividir o palco com Boris Brejcha, Giorgia Angiuli, D-Nox, Dennis Cruz, Kolombo e Justin Martin, entre muitos outros —, começou a botar pra fora suas primeiras tracks.
Seu amigo de longa data, r4ne, também pode enganar ao parecer um novato na cena, afinal, lançou seu projeto artístico em 2020, mas a verdade é que já respira música eletrônica há mais de dez anos, sendo inclusive o sócio-fundador do portal Alataj, ao lado de Alan Medeiros. Depois de anos afastado do cenário, retornou com tudo e lançou-se musicalmente. Mano Le Tough, Art Department, Dixon, HOSH, HNQO e Fabø são algumas de suas inspirações.
Não tardou para que os dois amigos tivessem seus caminhos cruzados novamente. De um B2B despretensioso, feito por diversão, acabou nascendo o Innure. E como já destacado acima, com conquistas importantes para uma ideia tão nova. O primeiro lançamento oficial — “Ceres” — veio pela coletânea Solitude, uma iniciativa da Warung Recordings que ganhou vida em junho do ano passado. No lado A, tracks de artistas como Awka, Edu Schwartz, Ella de Vuono e Mau Maioli, selecionadas pela curadoria da gravadora; no lado B, o Innure foi escolhido junto com outros oito nomes (como Guss, Nato Medrado e Nezello) através de um concurso cultural, que chegou a receber quase cem demos de todos os cantos da América Latina.

Foto: divulgação
A pandemia do novo coronavírus naturalmente impediu que o projeto pudesse se apresentar pelo Brasil, mas por outro lado, os deixou ainda mais focados no estúdio e no gerenciamento da Prototype Music. O primeiro EP, Ravi`s Law, chegou no final de outubro, pela própria gravadora, contando com três originais (incluindo collabs com os amigos After Moments, Bloemer e Cosmos Tendence) e remixes de BLANCAh e dos gregos Voices of Valley. Em dezembro, o primeiro remix do Innure chegava às plataformas, também via Prototype, para a faixa “Encoder AX20”, de Alex Justino.
Agora, em fevereiro, quem ganhou remix dos caras foi o experiente Tarter, através da track “Technoactivity”, em EP homônimo, novamente pela gravadora do Innure. O trabalho conta com dois sons autorais de Tarter (a faixa-título e “Voices of Technologies”), e traz remixes de Lutgens, HNGT e Digitus, além dos próprios headlabels.
“Technoactivity” foi o 16º título da Prototype, que de abril do ano anterior para cá, se notabilizou por assinar com expoentes nacionais como L_cio, Renato Cohen, Binaryh e Talking Machines — bem como por uma identidade visual consistente. E se a presença de big names sempre é algo bom para se ter no currículo, o grande objetivo do Innure com o selo é, além de uma plataforma para poderem mostrar suas próprias músicas (separadamente ou como dupla), poderem garimpar e impulsionar novos talentos nacionais (e até mesmo internacionais) de vertentes variadas do techno, trazendo muito mais visibilidade para a América do Sul.
Sempre esteve nos planos de Colussi e r4ne a realização de showcases para apresentar o trabalho desses artistas, o que somente deve vir a acontecer quando num momento pós-pandemia. Até lá, nos resta acompanhar as redes sociais dessa dupla e de sua label, e experimentar as novas melodias que eles têm a nos oferecer.
