M0B colhe os frutos da consistência e emplaca hits

Por Rodolfo Conceição

Foto de abertura: divulgação

Em tempos de redes sociais, conteúdos virais e mensagens instantâneas, são diversos os exemplos de artistas que surgiram do nada para o estrelato mundial em um piscar de olhos. Se a maioria destes exemplos contam com uma grande parcela de sorte, o produtor mineiro M0B tem uma receita diferente, que ele resume em uma palavra.

“Se eu tivesse que resumir minha estratégia, que é mais uma filosofia de vida, em uma palavra, é constância. Constantemente tentando ser melhor, a cada track, inspirado pelas mentes que mais me cativam, que são as pessoas que estão há mais tempo no mercado de forma sólida, como Tale Of Us, Recondite, Adriatique, Solomun, Joris Voorn e muitos outros. Você pode ver nessa galera que ninguém é novinho, são anos e anos de muita constância! Não tem muito misticismo, eu só trabalho duro.”, explica.

Rafael Morato é o nome do mineiro por trás desta filosofia. DJ, produtor e engenheiro de áudio atuante há mais de uma década, o artista está acostumado com uma rotina de estúdio e vem sendo recompensado mesmo durante a quarentena pela constância nos lançamentos e, também, pela consistência da qualidade do material que lança. Exemplo disso é o remix que lançou em outubro de “Empire”, música original do seu parceiro de longa data Sugar Hill em collab com Laura Rogalli, lançada via Transa Records.

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M0B – Foto: CBFotografia

O remix já estava finalizado antes mesmo da quarentena, mas, quando tudo fechou, o artista decidiu segurar o lançamento e deixá-lo maturando mais algum tempo. Depois de alguns testes em lives e ajustes finais, a track estava pronta para o lançamento. “E aí veio a surpresa: com 24h de lançamento já era top #20 (no Beatport), depois 15 e em menos de uma semana já estava no top #10, ficando duas semanas. Também ficou no top #10 hype, top #30 main chart melodic house/techno e top #58 no geral”, comemora.

Durante a pandemia, M0B também lançou o EP de techno “Shadows And Dust” em collab com o mineiro Anderson Noise. “Ele é uma das minhas maiores referências. Quando eu fui pela primeira vez a uma festa de música eletrônica há quase 30 anos, era uma festa dele. Hoje tive o privilégio de fazer um EP com ele, que teve grande suporte, como Richie Hawtin, Marco Carola, Carl Cox e vários outros”, orgulha-se. Mais recentemente, assinou também o EP “Quasar” em collab com o sueco Hannes Wiehager e lançado pela ICONYC Noir, uma das labels mais conceituadas de melodic e progressive do mundo.

E essa versatilidade nos estilos vem justamente da longevidade nas pistas. “Eu fui crescendo conforme a música eletrônica foi evoluindo no Brasil. Quando eu comecei, o trance reinava. Foi ficando muito agitado e eu fui para o house. Depois foi o techno. Se você desliza um pouco mais pro house, vira um melodic house/techno, se desliza o pé para o obscuro, vira um techno de verdade. Então fica nessa, sempre orbitando em volta do techno”, diz, antes de citar o exemplo. “Eu gosto de me inspirar em pessoas como Joris Voorn, que você olha para o cara e fala assim: ‘esse é um operário da música eletrônica!’. O cara lança uma música atrás da outra, todas boas, constante. É ritmo de jogo”.

 

 

 

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