A partir de hoje, daremos início a uma coluna bem especial aqui na House Mag, escrita por um DJ e produtor brasileiro que admiramos muito: DJ Glen! Neste primeiro conteúdo, o artista relembra o início de sua trajetória artística e conta como iniciou seu relacionamento com uma das gravadoras que nunca deixa de estar no hype, a Dirtybird! Embarque nessa viagem através das palavras de Glen Faedo e conheça detalhes de como essa parceria foi construída.
Minha história com a Dirtybird
Por DJ Glen
Quando estamos nos tornando adultos ainda não sabemos muito bem como é nossa personalidade, a que grupo pertencemos e não entendemos nosso lugar na sociedade. A música é uma grande ferramenta para você se conhecer melhor, fazer jornadas introspectivas e, também, se conectar com pessoas que irão acrescentar muito em sua vida.
Como comecei como DJ muito cedo, no começo da adolescência (ano 2000), acabei vendo tudo como um trabalho e sempre levei a sério (tipo: onde se ganha o pão não se come a carne). Eu nunca ia à festas com meus amigos e até hoje são raras as ocasiões em que realmente escolho um evento para curtir sem ser bookado para ele, a não ser que seja no meio da semana.
E, por muito tempo, continuei com medo de perder o profissionalismo ou o controle da minha carreira que, por mais que eu levasse de um modo ultra profissional, ainda tinha muito prazer em fazer e queria que, de alguma forma, este fosse o trabalho de toda minha vida.
Mas, toda esta delicada situação acabou me abrindo novos horizontes. Por mais que eu não me permitisse o luxo de “meter o loco” nas festas com amigos, ao mesmo tempo eu estudava a história e o comportamento de várias cenas do mundo, como a música realmente afetava a vida destas pessoas e de que forma a as batidas abstratas se comunicavam, relacionado, também, com a personalidade de cada país e/ou tribo.
Em algum momento me deparei com o trabalho da Dirtybird, provavelmente no hino “Who`s Afraid of Detroit”, que contava a história de um cara que era DJ em Detroit. Ele achava tudo aquilo sério demais e se mudou para a capital colorida dos EUA, San Francisco. Achei interessante e comecei a ser um comprador regular de discos, funcionavam nos meus sets que era uma beleza!
Nesta mesma época, comecei a me dedicar muito na produção e acabou sendo uma grande influência. Demorei anos para conseguir criar algo próprio que realmente me agradasse e, quando uma track minha chegou ao nível pica das galáxias, em 2012 (mesmo tendo sido criada em 2009), ela atravessou o set de praticamente TODAS as minhas referências musicais de house e techno. Uma delas era o grande Claude VonStroke.
No ano seguinte, eu já tinha feito gigs por vários países e conhecido pessoalmente estas referências, no caso da Dirtybird, minha referência máxima era o Justin Martin, que conheci no México e insisti muito para que o Kaballah trouxesse na sua maior edição da história, neste mesmo ano (2013) no Hopi Hari, em São Paulo.
Ele veio pro Brasil em maio, depois veio pra minha festa Discotech em dezembro, depois veio para várias outras e a gente acabou fazendo amizade. Inevitavelmente, em algum momento falei que adoraria que o boss ouvisse uns sons meus e perguntei se ele poderia ajudar, obviamente rolou. Em 2015, foi lançada oficialmente minha track “Get Dirty”, que nem precisava dizer que fiz especialmente para eles baseada nos sons do Justin Martin. Lembro até hoje como o Barclay (VonStroke) foi atencioso no e-mail e me disse que gostava muito da “Boogie Mafioso”, tanto que ele considerava um clássico da Dirtybird, mesmo tendo sido lançada por outra gravadora, ele até tinha feito um remix não autorizado (nunca me mandou).
Eu vejo que, logo depois que JM veio pela segunda vez ao Brasil, eles abriram o olho para o que estava rolando por aqui. Em 2015, a pista que toquei na Kaballah já tinha virado o Dirtybird Stage e assim conheci o Bruno Furlan, que tinha conseguido um release lá antes de mim pelo que chamo de “loteria do e-mail de demo”. Em 2018, consegui colocar outro som na gravadora que foi a música tema do festival Campout, consequentemente veio “o grande sonho”, após isso, a gig internacional com todas as despesas pagas e ainda cachê em dólar, sem contar o mais legal de tudo: curtir um festival que era um sonho de consumo, seguindo minhas próprias regras, ser bookado para ele.

Claude VonStroke e DJ Glen – Foto: divulgação Uma oportunidade dessa, que levou tanto tempo para se concretizar e que é o sonho de tanta gente, foi levada a sério por mim e fiz um trabalho que acabou dando rebooking em Miami ano passado no MMW, entrando com o headliner pela porta da frente do mais respeitado club dos EUA, o Space.
Também, em 2019 assinei em parceria com Bruno Furlan, o EP topseller chamado “Another Planet”, que pelas palavras do próprio VonStroke, “dificilmente não seria o melhor EP da gravadora no ano”. Rebooking novamente para o Campout 2019 na Califórnia e sim, este festival está nos top #3 que mais curti na vida (eu precisaria de outra coluna pra descrever tudo que foi aquilo). Rebooking novamente para setembro deste ano em um novo festival da gravadora, chamado CampINN, que seria em um hotel 5 estrelas em Orlando, mas a pandemia não permitiu.
Interessante que, com a pandemia e nenhum festival físico rolando, a distância entre Brasil e EUA meio que acabou nos festivais virtuais. A Twitch.tv da Dirtybird tem sido uma das coisas que mais tenho assistido nestes tempos sombrios, é muito divertida e interativa. O time de artistas brasileiros na gravadora atualmente é bizarro, cerca de 40. Todos nós temos grande participação nas lives, eu mesmo já fiz uma há uns dias e tenho outra agendada pra rolar em breve usando somente discos da minha coleção da gravadora em vinil.
Alguns spoilers!
– Dia 2 de outubro sai mais uma track na compilação do ano, que neste especialmente se chamará Dirtybird Couchout.
– Do dia 2 ao dia 8 de outubro, rola o festival Couchout World Wide 2020, que é a versão virtual do Campout, eu e Bruno Furlan tocaremos em b2b, mas ainda não foi definido o dia.
– Em novembro, lanço o remix para Ardalan, da track “Mr. Good”, também em parceria com Bruno Furlan.
Mais novidades ainda por vir, mas, não posso dar spoiler. Aguardem que em novembro tem mais conteúdo, desta vez falando sobre inspiração — tenho certeza que você vai curtir!
