Solomun lança HOME, primeira track do seu segundo álbum

Por Luiza Serrano

Foto de abertura: divulgação

A música sempre foi um refúgio, um alento, um conforto nos dias alegres, nos dias difíceis e, agora, mais do que nunca, foi chave fundamental para que pudéssemos nos sentir um pouco menos distantes do calor humano, do contato, do olho no olho, dos corpos dividindo as pistas de dança transbordando em êxtase a experiência de se encontrar nessa atmosfera.

Mas, dentro de nossos lares, nos ausentamos de espaços que antes nos entregávamos e, que, em sua maioria, permanecem ainda fechados pela pandemia. “Closed until further notice”!

“Em todos os lugares, a música pode encontrar um lar”, porém, nada se compara a essa experiência. E, foi por esse motivo que Solomun, permaneceu em silêncio durante a maior parte da pandemia.

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Em um longo texto publicado por ele, em julho deste excêntrico ano, Solomun explicou que lives e transmissões não supriam o seu desejo de estar presente e que, música, é presença. Nada contra a tecnologia e como ela pôde conectar pessoas neste momento, mas, sabemos bem o valor de nos “aglomerar”, celebrar, compartilhar, dançar. Por isso, após o hiato, só voltou a se comunicar com todos nós, fiéis amantes da sua sensibilidade e emoção, quando conseguiu estabelecer um contato mais próximo, e assim o fez.

Em Basel, na Suíça, realizou uma transmissão diretamente de um club e com público sedento por um set cheio de tracks misteriosas e que só estão na case de Solomun. Por lá as pistas começavam a receber a pulsação do público novamente, mesmo que tímidas. No mesmo texto, falou sobre seu segundo álbum, no qual vem trabalhando nos últimos três anos. “Desde o início era meu desejo pessoal criar videoclipes para cada single. Infelizmente, os últimos meses não permitiram gravações”, explicou. “O primeiro vídeo está em sua fase final e, assim que estiver pronto, lançaremos”.

E esse dia chegou: 16/10/2020, primeiro single do seu álbum, que deverá ser lançado no início do ano que vem.

“HOME” foi o ponto de partida para este novo trabalho e que, resistente a toda essa atmosfera, nunca fez tanto sentido. “Para realmente experimentar a música, você tem que ir às salas que foram especialmente projetadas para ela. Nessas salas sagradas, a música pode realmente chegar ás pessoas. E o desejo por isso nunca foi tão grande. O desejo de sentir, vivenciar, ouvir, compartilhar com as pessoas”, explicou em uma das suas publicações.

Solomun é o tipo de artista com sensibilidade aflorada à altura da viagem musical que nos proporciona, repleta de nuances e texturas, e que sabe muito bem que nenhuma tecnologia é capaz de superar o calor de estar “em casa”, com o som vibrando entre corpos dançantes que por vezes se olham, por vezes se fecham em uma sintonia entre música, alma e coração. Um artista old school quando o assunto é dancefloor, seja ele qual for, que preserva e valoriza a cultura desses espaços construídos por sonoridades e batidas ritmadas que vem de fora para dentro de quem se entrega nestes palcos.

Breaks longos, drops viajantes, timbres escolhidos a dedo e uma pulsação única definem mais esta obra de Solomun que não precisa de voz para se expressar, pois fala por si só. Com o videoclipe, toda essa narrativa ganha cor e movimento. Bailarinos em diversos espaços feitos para receber, para unir e que se encontram fechados. Teatros, clubs, com cada corpo dançando a sua solidão e revivendo momentos compartilhados nestes lugares que nos fazem lembrar de como a música é capaz de reverberar ali e reforçam por que eles foram projetados, por que existem, com uma acústica perfeita de som e alma. E se percebemos um club familiar, não é coincidência, um dos espaços escolhidos foi o Warung Beach Club, onde Solomun compartilhou noites memoráveis, no qual o bailarino Chico Caprario se movimentou pelo saudoso assoalho de madeira que tem cheiro e gosto musical.

São corpos, cores, movimentos diferentes e que sentem falta de estarem em “casa”, no lar onde não vemos a hora de retornar.

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