Por Marllon Gauche
Foto de abertura: ZOOE
É bem provável que o nome Rigzz seja estranho ao primeiro olhar, isto porque é um projeto novo que está começando a ganhar os holofotes agora. Porém, por trás dele, está Rodrigo DP, artista que já passou pelo Brasil em algumas oportunidades, como no EOL Festival, em Curitiba, quando o Laguna assinou a curadoria de um dos palcos, e também no final do ano passado, quando tocou no Inbox.
Rodrigo DP já tinha lançado um remix pelo Laguna em 2018 e, agora, através de seu novo alter-ego — que na identidade conversa intimamente com o movimento efervescente do minimal house — ele solta um EP com duas originais, recebendo ainda um remix de Londonground, outro argentino com background fortíssimo.
Se você tem surfado essa onda minimalista que vem atingindo o mundo pouco a pouco, precisa ficar de olho nos trabalhos de Rigzz.
HM – Rodrigo! Tudo bem? Conta para gente um pouco sobre sua trajetória com a música. Por algum tempo você usava o nome Rodrigo DP, o que mudou e o que fez você iniciar o projeto Rigzz?
Olá! Estou bem, obrigado, espero que vocês também. Eu trabalhei como Rodrigo DP por mais de 10 anos, sempre foi o meu principal projeto, alcancei grandes coisas, como eventos no Amnesia, parceria com tINI and the gang.
Comecei a lançar músicas como Rigzz pensando em dividir meus lançamentos digitais e em vinil de 2017/2018. Rodrigo para o digital e Rigzz apenas para lançamentos em vinil, mas acabei adotando ele para o on-line também.
HM – Seu primeiro lançamento com essa nova assinatura foi em 2017, comente sobre as transformações que seu perfil artístico viveu nesses três anos. Há algo que você considera valioso de mencionar nessa trajetória?
Primeiramente, mudei um pouco a linha de som, sempre trabalhei entre o minimal/deep tech, mas precisava me encaixar melhor na indústria do vinil que estava crescendo naquele ano com a nova onda do microhouse/deep/minimal. A tendência de “unknown artists” também me ajudou, porque muitas pessoas perguntavam quem era Rigzz. Meus três primeiros lançamentos daquele ano com a nova assinatura fizeram muita gente ficar curiosa.
O vinil “Janes Drum” (Constant Black) começou a chamar a atenção de nomes importantes, East End Dubs, Traumer, Sublee, Okain, Dj Wild, Michael James, Franco Cinelli. Foi aí que tudo começou. Além disso, o disco Rigzz Tools, pela Ladeep, teve suportes e três reimpressões de vinil, ocupando o top 10 no deejay.de e Juno, além de ter dado sold out em outras lojas como Yoyaku, Decks, Technique Tokio, etc.
HM – Quando você começou o projeto já tinha grande nome como produtor, com lançamentos em labels como Sanity e Cyclic. Como isso te ajudou com o projeto Rigzz e quais são os planos para os próximos lançamentos?
Sim, esses foram lançamentos bem importantes, também tiveram suportes no mundo todo. De fato, no mesmo ano em que iniciei o projeto Rigzz, lancei meu segundo EP na Sanity como Rodrigo Dp. Foi uma transição entre um projeto e outro, onde não pude deixar para trás todo o trabalho realizado e tive que fortalecer minha identidade musical.
HM – Você já está envolvido com a Laguna tem um certo tempo, como foi que essa parceria começou? Como você enxerga o posicionamento do label no mercado?
Fiz um remix pra eles em 2018, depois fui convidado para tocar no showcase da label durante o EOL Festival, em Curitiba, aí viramos amigos. Teve também uma “tour” do Laguna em 2019 que rolou em Curitiba e Londrina, além de já ter tocado também no Inbox, no fim de 2019. Vi que eles são bem fortes no continente, digo que ele são uns dos “embaixadores” desse som no mercado latino-americano, com ótimos artistas a bordo.
HM – Recentemente você lançou na Eastenderz, sem dúvidas uma da das maiores labels do mundo atualmente. Como foi seu relacionamento com o East End Dubs e quais suas outras grandes metas?
O selo sempre foi um dos meus favoritos, era um sonho lançar lá, mas eu realmente não esperava por isso naquele momento. Há um ano, o East End Dubs me pediu alguns sons unreleased, eu nem acreditei! Mas como eu disse antes, tive o suporte dele desde o início do projeto. Enviei algumas faixas e planejamos meu primeiro EP. Agora estou focado em trabalhar no meu segundo lançamento por lá.
HM – Ficamos sabendo que alguns de seus próximos releases contam com remixes de Yaya e Reelow na Moan. Fale pra gente um pouco mais sobre esses lançamentos?
Sim! Meu próximo EP na Moan terá um remix do Yaya, um prazer enorme pra mim, sou um grande fã dele. Eles também me pediram para fazer um remix para o Reelow, que estará no próximo EP dele por lá, é uma felicidade imensa, sempre acompanhei o trabalho do selo e desses artistas.
Meus próximos lançamentos contam com labels como elrow Limited, Deeperfect, Avotre, Blind Vision (só em vinil) e mais umas outras.
HM – Como você enxerga a cena de música eletrônica no Brasil? É possível pontuar alguma semelhança ou diferença entre a cena daqui e da Argentina?
Brasil é um dos meus países favoritos para tocar! Toda a parte técnica é sempre perfeita, do sound system a iluminação, e as pessoas sempre dispostas a ouvir o que o artista propõe. A grande semelhança que vejo com a Argentina é que não dá pra ir por um caminho fácil, é preciso realmente se conectar com a galera para ter uma noite massa. Os artistas devem dar o seu melhor sempre, e pra conquistá-los não é tão simples.
E claro, o Brasil ainda tem clubs incríveis, o que é bem importante para cuidar da cultura musical, aqui há restrições que complicam esse progresso. No entanto, podemos ver eventos impressionantes nos dois países com um nível de excelência bem alto.

Rodrigo DP no Club Inbox – Foto: ZOOE
HM – Para finalizarmos, como tem sido esse momento atual para você e o que podemos esperar de Rigzz quando as pistas voltarem?
Como muitos artistas, neste período, tive tempo para me concentrar no estúdio, terminando muitas faixas e fechando lançamentos importantes, isso teria sido mais difícil se eu continuasse tocando e viajando todos os fins de semana.
De qualquer forma, esses meses foram confusos para todos, especialmente para a indústria da música e os profissionais dela, mas vejo como pouco a pouco as coisas têm voltado ao normal na Europa, por isso estou esperançoso e com fé que voltaremos ao trabalho por aqui também.
Valeu pelo espaço, espero vê-los em breve na pista!
