Por Décio Freitas e Dudu Palandre aka Anhanguera
Foto de abertura: Allan Tannenbaum
Você já ouviu falar de um club americano onde estiveram Mick Jagger, Andy Warhol, Elizabeth Taylor, David Bowie, Calvin Klein, Tommy Hilfiger e até mesmo Pelé? Sabe quem já foi barrada na entrada? Madonna! Por mais engraçada e inusitada que essa lista pareça, ela é real e pertence ao Studio 54, uma boate/discoteca (ou seja lá como você prefere chamar) localizada em Manhattan, Nova York, inaugurada em 1977 e encerrada com menos de 10 anos, em 1986.
Foi no final dos anos 70, época muito próxima da descoberta dos sintetizadores pelos DJs — e consequentemente o surgimento da disco music, antes da house music dar as caras nos anos 80 — que a história do Studio 54 começava a ser escrita. Por trás da empreitada estavam Steve Rubell e Ian Schrager, dois caras meio pirados que resolveram investir cerca de 300 mil dólares para fazer um espaço que era um teatro e estúdio de TV da CBS se transformar em uma pista de dança quente e repleta de estrelas.

Studio 54 – Foto: Weltikno Um fato curioso é que a lista de entrada era bastante subjetiva. “O Studio 54 era uma ditadura na porta, mas uma democracia na pista de dança”, essa é uma frase icônica de Andy Warhol, frequentador assíduo do local. Na porta ficava uma peruana chamada Carmen D’Alessio, a mãe de todas as promoters, que só deixava entrar quem realmente chamasse a atenção, era preciso emanar uma energia especial mostrando que você faria jus à permissão de entrada.
*Curiosidade: Nile Rodgers (guitarrista) e Bernard Edwards (baixista), fundadores do icônico grupo Chic, foram barrados de entrar no Studio 54 na véspera de ano novo de 1977. Com raiva, cocaína, maconha e champagne na mão, os dois compuseram horas depois o hit “Le Freak”, que ficou no topo das paradas americanas por muito tempo.
E, apesar da quantidade de nomes de alto calibre na pista, na cabine não era diferente. Grace Jones, Donna Summer, Stevie Wonder, James Brown, Village People, Billy Ocean, Anita Ward e uma outra infinidade de celebridades se apresentaram no Studio 54. Já dava pra imaginar que entrar lá não devia ser nada barato, né? E não era mesmo, inclusive eles faturavam MUITA grana, isso porque todos estavam atrás da exclusividade dos camarotes da casa para, bem, você sabe pra quê.
A pista de dança e os salões do local eram um refúgio perfeito para inúmeras atividades ilícitas, do consumo de drogas deliberado a atos sexuais sem qualquer pudor. Entre alguns fechamentos e reaberturas, polêmicas e até mesmo prisões dos donos por sonegação de impostos, o Studio 54 tornou-se emblemático e exerceu um papel fundamental na cultura da dance music mundial, tanto que influenciou o surgimento de alguns clubs no Brasil como Banana Power, em São Paulo, e a Papagaio Disco Club, no Rio de Janeiro.
Na internet dá pra encontrar vários documentários sobre a história da boate, nós deixamos uma seleção para vocês logo abaixo, em inglês, para quem tiver curiosidade de saber mais histórias!
Alguns clássicos que tocavam no Studio 54 também foram revisitados e ganharam novas versões anos depois. Separamos alguns abaixo que merecem destaque, como a faixa “The Boss” da Diana Ross, que recebeu um mix do Masters at Work.
A produção de 78 “You Make Me Feel”, originalmente de Sylvester, recebeu uma roupagem houseira por Byron Stingily 20 anos depois — uma versão que Sylvester com certeza aprovaria ao ouvir.
Mais um clássico foi “Relight My Fire”, de 79, que fez muita gente balançar o esqueleto no Studio 54 e inspirou o projeto Take That a produzir sua versão em 93.
Você pode conferir uma galeria com fotos incríveis, algumas quase que inacreditáveis, aqui.
