Por Luiza Serrano
Com a quarentena, uma surra de podcasts invadiu as plataformas de stream. Muita informação, conteúdo, mas, às vezes, com formatos e linguagens cansativos e extremamente didáticos.
Na contra mão dessa leva de podcasts, o K7 Podcast propõe um bate-papo descontraído, informal e relevante sobre o mercado da música eletrônica. Quem comanda o programa é Carlinhos de Barros, produtor musical, professor na Aimec de Curitiba, responsável pelo Cloup Lab Studio e à frente dos projetos Zatrominic, Sound Cloup e Black Roof; e Ronaldo Galdino aka FlexB, criador da Brazuka Music e responsável pelos processos de distribuição da UP Club Records, entre outras labels.
A estreia do K7 aconteceu em fevereiro deste ano, antes do isolamento social devido a pandemia e do boom dos conteúdos para streaming. O projeto já era uma antiga vontade de Galdino. “Por alguns meses produzi um projeto piloto durante o primeiro semestre de 2019, que se chamava Brazuka Tips. Era um monólogo e acabei não curtindo a dinâmica. Além de fazer tudo sozinho, demandava muito tempo”, explica.
O DJ e produtor sempre curtiu ouvir podcasts e sentiu que faltava um programa dedicado aos profissionais e ao público de música eletrônica. Amigos de quase uma década, Galdino convidou Carlinhos, com quem está sempre em contato e compartilhando informações sobre a cena. “O Carlinhos presta serviços de mixagem e masterização para minhas gravadoras. Em uma das nossas conversas, percebi que eram papos muito interessantes e que poderiam se transformar em podcats”. Pronto, o K7 Podcast começava a nascer.
Batemos um papo com os hosts do podcast para saber um pouco mais sobre o K7, principalmente, durante essa quarentena, já que o formato se tornou ainda mais atrativo e sem papas na língua!
HM – O K7 surgiu antes dessa nova rotina imposta pela quarentena, que explodiu o streaming em todo mundo e o consumo de conteúdo por meio de plataformas. Como vocês percebem isso? O que mudou de quando começaram para agora?
Carlinhos e Ronaldo Galdino – Para nós não mudou muita coisa, inclusive sempre brincamos com isso nos episódios. Nossa rotina é praticamente a mesma durante a semana, porque trabalhamos em casa ou no estúdio. O que mudou é que também somos DJs e todas as festas foram adiadas ou canceladas.
HM – O K7 tem uma pegada mais leve e fluida entre os participantes. Conta pra gente sobre o formato e o motivo?
Carlinhos e Ronaldo Galdino – A ideia é levar nossas conversas do dia a dia para o podcast, sem aquele papo chato ou sério demais. Claro que às vezes o assunto fica um pouco sério, mas sempre tentamos abordar assuntos importantes de forma descontraída, isso nos ajuda a relaxar e destrinchar melhor as pautas propostas. Além disso, o mais importante, o K7 é uma troca de ideias e essa é a essência.
HM – Como é realizada a curadoria dos temas e participantes?
Ronaldo Galdino – As pautas vêm do nosso dia a dia. Por exemplo, eu sou DJ, produtor, criador e gerente de gravadoras, o Carlinhos é DJ, produtor e engenheiro de áudio, tentamos trazer as dúvidas e problemas do nosso dia a dia para o podcast. Às vezes até conhecemos o tema, mas gostamos de convidar alguém para ouvir opiniões e visões diferentes da nossa, isso agrega muito para nós e para quem está ouvindo.
HM – Vocês conseguem mensurar a participação do público específico (DJs, produtores, profissionais da cena), e público diverso, interessado por música eletrônica?
Carlinhos – Acredito que a maioria do nosso público é de DJs e produtores, principalmente aqueles que estão no começo da sua carreira, mas, também, recebemos alguns feedbacks positivos de pessoas que são público diverso, interessado por música eletrônica. Nossa real intenção é atingir os dois lados da moeda.
HM – Qual o assunto vocês percebem que mais desperta a curiosidade do público?
Carlinhos e Ronaldo Galdino – Um dos episódios mais escutados até hoje foi “o Soundcloud está vivo e o que preciso para produzir música eletrônica”. Com esse dado percebemos que o público quer fórmulas mágicas, mesmo sabendo que não existe. Por isso abordamos esse tipo de pauta, para explicar o porquê não existem fórmulas mágicas e o que podemos fazer de fato, para “produzir musica eletrônica”, por exemplo.
HM – Como tem sido o feedback dos episódios?
Carlinhos e Ronaldo Galdino – Tem sido maravilhoso! Produzir um podcast no formato do nosso leva tempo e dá trabalho, mas tudo faz valer a pena quando recebemos mensagens e comentários de pessoas desconhecidas até então. Estamos há mais de uma década trabalhando na indústria, poder contribuir de alguma forma é gratificante.
HM – Tem alguma curiosidade das gravações, algum momento engraçado?
Carlinhos e Ronaldo Galdino – Quase todos [risos]! Nos divertimos por natureza, não precisa de força para que a gente dê muitas risadas em nossos papos, isso contribui e, muito, para gravações leves e descontraídas. A curiosidade é que o Carlinhos faz uma vinheta “manual” com a boca durante as gravações, para marcar as transições, isso é muito engraçado, vocês não tem noção.
HM – Como não ser só mais um podcast?
Carlinhos e Ronaldo Galdino – Sendo nós mesmos, autênticos. Nos inspiramos em vários podcasts, mas sabemos que precisa ter a nossa assinatura e esse pilar é a nossa base para muitas decisões e ações.
HM – Tem algo que não mencionamos que queiram contar?
Carlinhos e Ronaldo Galdino – Apenas agradecer! House Mag e a todos os participantes, amigos e pessoas que compartilham nosso podcast pelo mundo. Obrigado! Continuem com a gente =)
Ah! E rolou também um bate-papo com a editora do conteúdo on-line da House Mag, Luiza Serrano, sobre jornalismo na música eletrônica. Escuta aqui!
