Por Breno Loschi
O duo paulistano Michael Kane é formado pelos músicos Tiago Vas e Felipe Lima, que juntos trabalham na música há mais de 13 anos, mostrando influências que vem do Rock ‘n Roll, até do pop atual em suas faixas. A dupla vem ganhando cada vez mais espaço devido o hit “U and Me”, feito em parceria com Malik Mustache e lançado em um V.A pela renomada label alemã Bunny Tiger.
Além de músicos, são multi-instrumentistas, produtores, DJs, e já contam com suporte de grandes artistas internacionais e nacionais conceituados no cenário musical. Conversamos com eles e descobrimos várias curiosidades sobre a dupla, influências e sua posição na cena da música eletrônica brasileira. Confira:
HM: Vocês se conhecem há muito tempo. Como foi essa trajetória até formarem o Michal Kane e como escolheram o nome para o projeto?
MK: Nós trabalhamos com música há mais de 13 anos, começamos com uma parada instrumental, tivemos bandas do Rock and Roll ao Blues. Tivemos a ideia de formar o projeto, pois sempre frequentamos muitas festas de músicas eletrônica então já tínhamos o contato e o gosto pelo estilo. A partir daí, começamos a produzir nossas músicas sem compromisso e fomos cada vez mais nos apaixonando e vendo que era isso o que queríamos fazer. Assim logo despertou o interesse do Vas pela faculdade de Produção Musical, na Anhembi Morumbi. Fomos atrás de muitas inspirações, estudos e continuamos frequentando festas para poder focar em algum segmento, tentando formular uma identidade. Chegamos hoje no Michael Kane criando e explorando sons de diversas maneiras, desde a experiência com bandas e pelo nosso entrosamento. Queríamos ter um nome que a galera pegasse fácil. Um dia estávamos ouvindo rádio e o programa começou a falar sobre um filme do Batman que o Alfred seria interpretado pelo ator Michael Canie: na hora despertou nossa atenção e ficou esse trocadilho. Foi muito pela brincadeira por essa ambigüidade.
HM: Vocês já tiveram uma banda de blues. Vocês se inspiram nesse estilo para compor suas tracks atualmente? Quem os inspira na hora de produzir?
MK: Muito. Nós tiramos muitas influências de todos os estilos com os quais tivemos contato. Desde o “Soul”, que nos inspiramos pelo guitarrista Nile Rodgers por exemplo, até Jacob Collier, um dos maiores prodígios do jazz, entre outros estilos musicais e artistas. Falando dos projetos mais atuais, ouvimos muito Bruno Mars, Kandrik Lamar, Disclosure até The Weeknd e outros. É muito difícil rotular nossas músicas com alguma referência específica, tem um pouco de tudo nelas.
HM: Qual é o público alvo de suas produções?
MK: Quem gosta de música boa. Nós não temos alguma limitação para fazer sons para determinado público. Cada produção é uma produção, cada faixa soa diferente da outra e temos noção que pode agradar certo público, por exemplo, algumas soam mais pops e outras mais underground. Não temos rótulos, mantemos nossa essência em cada faixa, temos um material pra agradar qualquer pista.
HM: Vocês sonham em ter faixas em alguma label especifica?
MK: Com certeza. Quando começamos, tínhamos cinco gravadoras como expoentes: Cuff, Bunny Tiger, LouLou, Sleazy-G e a Enormous Tunes. A que mais almejávamos era a Bunny Tiger e conseguimos assinar a faixa “U and Me”, uma collab com Malik Mustache. Temos muita vontade de lançar na Spinnin. Antes de tudo a qualidade, no Brasil tem uma cena muito boa que está crescendo, com vários produtores grandes abrindo portas, movimentando a cena.
HM: Que dica (ou conselho) vocês dariam para quem quer iniciar no mundo da música eletrônica?
MK: Abra a cabeça, não entre querendo só tocar ou produzir uma linha. Ouça de tudo, pesquise, estude muito pois o nível já está muito elevado na cena, pois o mercado está competitivo. Nunca abaixe a cabeça pois você receberá “não” a carreira inteira e é isso que, afinal das contas, vai te fazer evoluir. Dê um passo de cada vez, acredite no seu trabalho, invista tempo em estúdio e saiba que você terá de abrir mão de muitas coisas. Dedique sua vida a isso!