Por Nazen Carneiro, da coluna Tudo Beats
Edição Alexandre Albini
Contando com numerosos lançamentos em selos respeitados, Paulo Foltz está em um momento de ascensão, deixando de ser uma aposta, para ser considerado uma realidade. O motivo deste crescimento é a autenticidade de suas produções, que evoluem continuamente, incorporando novas influências, sem deixar de ser fiel às suas fortes raízes no techno.
Seu primeiro lançamento pela Prisma Techno foi com a faixa “Ignis”, lançada no VA de estreia do selo, em março de 2017. A partir daí surgiram novos convites para remixar artistas como Phouz, Mau Maioli e Karveltt. Paulo Foltz também se apresentou na primeira temporada de showcases da Prisma, que passou por Joinville (em parceria com Núcleo Alcateia), Florianópolis (em parceria com Trip to Deep), e São Paulo, na Moving D-Edge.
Após anos de exploração e experimentação, Foltz finalmente chegou ao ponto ao qual pôde manifestar a essência de sua visão musical. Em 4 de dezembro o artista lançou seu primeiro álbum pela gravadora brasileira Prisma Techno. Intitulado Pineal Connection, traz dez faixas com uma visão futurista, sonoridades distintas e conceito complexos. Batemos um papo com ele sobre este momento que atravessa na carreira.
House Mag: Seu contato com a música teve início aos 12 anos de idade. Em que momento sentiu a necessidade de aprofundar os conhecimentos na área da produção musical?
Paulo Foltz: Sou um cara apaixonado pela arte da discotecagem, porém o produtor musical manifesta e expressa sua visão através de suas criações de uma forma mais intensa, numa visão única e diferenciada, influenciando e apresentando um conteúdo baseado em sua forma de enxergar o mundo. A necessidade de me aprofundar na área da produção musical surgiu naturalmente no decorrer dos anos, quando senti a vontade de me expressar desta maneira, unindo estas produções e a forma de ver as coisas em meu DJ set.
Você tem uma forte atuação na cena paulista há alguns anos. Por gentileza, conte sobre as mudanças que identifica neste cenário durante o período.
As mudanças são muito claras e visíveis, porque com o passar dos anos os ciclos se renovam. Várias coisas relacionadas a música mudam, e percebemos a vinda de grandes artistas e a chegada de importantes festivais nos últimos anos. Isso despertou no público a vontade de conhecer e pesquisar, o que os tornou mais abertos e flexíveis para novas tendências. Hoje temos eventos de qualidade tanto na capital quanto no interior do Estado, o que é muito bom pois movimenta o mercado e aumenta as possibilidades de no futuro o Brasil ser um grande exportador de música e artistas. É um momento de evolução e com grande velocidade.
Contando com vários lançamentos, muito deles pela Prisma Techno, o que significa esse álbum na sua trajetória como artista?
A conquista de ter um álbum lançado é uma sensação sem igual. Ao longo de minha carreira lancei EPs e remixes em diversas gravadoras, alternando entre produções melódicas e rústicas, coloridas e monocromáticas. Para mim, um álbum é uma fase importante do trabalho de um artista. Então senti necessidade de apresenta-lo, para dar fechamento a um ciclo pessoal, de maneira que represente minha percepção artística, trazendo as influências que ouvi durante esta última década de trabalho, unida a uma visão futurista num trabalho em conjunto com a Prisma Techno, a qual admiro pela ideologia aplicada.
De que maneira a Prisma Techno influenciou na construção e desenvolvimento do conceito do álbum?
O processo criativo foi bastante longo, mas o caminho ficou mais claro a partir do meu envolvimento com a Prisma Techno. O Thito Fabres, dono da label, me ajudou muito com direcionamento e orientação em tudo em que diz a respeito a identidade e construção do álbum, até mesmo a maneira como a músicas conversam e se desenvolvem. Foi um trabalho em conjunto, pois une a minha ideologia pessoal com a da gravadora.
Recentemente quatro faixas do Pineal Connection foram tocadas pelo duo Pan Pot em um mesmo set. Como encarou isso?
Como todo produtor que tem sua música tocada por grandes artistas, recebi com muito entusiasmo e alegria. Um amigo me chamou através de uma de minhas redes sociais e mandou o link com o podcast do Pan-Pot, com suporte para quatro faixas do meu álbum. Rapidamente a notícia se espalhou através da mídia brasileira e também por grupos e páginas no Instagram e Facebook. Foi algo gratificante, principalmente em saber que minha arte foi acatada e entendida por um duo que há anos sou fã e seguidor.
Dado essa maior exposição após seguidos suportes de artistas mundialmente conhecidos, à exemplo também de Richie Hawtin – que encerrou o set no WAN Festival com a faixa “Mental Scanning” –, como tem sido sua rotina de apresentações nos últimos três meses?
O suporte do Richie Hawtin descrevo como “mágico”, e agregou muito para os acontecimentos atuais, pois aumentou a visibilidade sobre o meu nome. Nos últimos três meses me mantive focado na divulgação do álbum, e somando isso a todos os acontecimentos, houve um aumento do número de gigs, apresentações e busca pelo meu trabalho. É um momento de realização e isso me motiva a produzir ainda mais.
De que forma se dá o processo de seleção das músicas do seu set? São preferencialmente do selo Prisma e dos parceiros de produção?
Confesso que sou uma pessoa que costuma buscar na música aquilo que soa futurista e tecnológico, com isso estou o todo tempo experimentando o que há de novo com base na techno music. Sou um pesquisador e atualmente a minha ideia quando se fala em DJ set é trazer novas referências e sonoridades… A ideia é sempre apresentar ao público um contexto, ao direcionar e influenciar as mudanças que a música está submetida. O techno há anos sofre mutações e ganha novas subvertentes, cabendo assim aos DJs e produtores estarem antenados para apresentar isso ao público. Além do que pesquiso diariamente, recebo muito material de outros artistas, além de faixas da Prisma Techno e gravadoras parceiras. Meu processo de seleção é simples: se a música é techno, é atmosférica, tem groove e traz algo novo, claramente cabe em meus sets.
E como funciona o processo de colaborações? Com todo esse destaque já mencionado, você pensa em trabalhar ao lado de artistas internacionais também?
Atualmente estou com muitos planos para colocar em prática em 2018 e nos próximos meses isso envolve colaborações com artistas nacionais e internacionais. No decorrer do ano tenho engatilhado alguns EPs, remixes, colabs, e no final do ano pretendo lançar o álbum Pineal Connection de remixes na data de aniversário de um ano do álbum original.
Falando um pouco sobre o cenário atual, quais são os artistas e gravadoras nacionais que estão fazendo um bom trabalho, na sua opinião?
Atualmente estou ouvindo muitos artistas brasileiros. Tenho fé que 2018 o Brasil vai ser um dos grandes exportadores de música eletrônica, principalmente no universo da techno music. Várias gravadoras novas no cenário fazendo um trabalho muito sério e dedicado, com foco na música de qualidade. Quanto a selos, posso citar a Prisma Techno, Timeless Moment, Fingers Records, Zoo Work, Not Another, Nin92wo, Triade, dentre várias outras. Todas essas são labels que eu acredito no trabalho e prevejo um futuro de muito sucesso.
Diversos artistas nacionais mostraram ótimos lançamentos em 2017, por isso tenho certeza que em 2018 e nos próximos anos apresentarão trabalhos ainda mais consistentes. Blancah, Against The Time, Dub Recycle, Chappier, Somoz, Ania Taop, Bayma, Alex Justino, Tarter, Phouz, Karveltt, Algebra, Luciano Scheffer, Be Morais, Kaio Barssalos, Monobloc, Obscure Sense, Morttagua, Victor Enzo, Sonic Future, Mau Maioli, Marcelo Oriano, Aspeckt e Hencke são apenas alguns nomes dentre vários que eu poderia citar.
Você é responsável pela gravadora New Look Recordings. Como tem sido o ritmo de releases e projetos futuros?
Atualmente estou mantendo a New Look Recordings congelada, pois estou focado totalmente em trabalhar apoiando a Prisma Techno em minhas viagens e apresentações. Isso toma muito tempo, mas tenho planos de voltar com lançamentos em meados de junho e mantê-la mais ativa. Inclusive já estou conversando com alguns artistas e negociando músicas para o lançamento de um V.A de reabertura do selo.
