Por: Flávio Lerner e Gabriela Loschi
Tradução: Rodrigo Rodríguez
Fotos: Justin Prinz
Sirus Hood cresceu nos clubs undergrounds de Paris. O sonho de infância (tocar nas escuridões das warehouses francesas) se tornou realidade. Influenciado pelo House de Nova York e de Chicago dos anos 80, aos sons baleáricos de Ibiza, Sirus passou a tocar para multidões em todo o mundo e lançar em labels como Cliff e Dirtybird. Um querido dos brasileiros, o francês retorna ao solo tupiniquim no dia 16 de agosto para uma gig no Winter Festival em Pinhais, Paraná. E traz uma collab com nosso brasileiro Dakar. Para aquecer, o artista preparou um podcast exclusivo para o House Mag Series, que você ouve agora enquanto se delicia com suas palavras nesta entrevista:
HOUSE MAG – Oi Sirus, é um prazer falar contigo! Como foi crescer em Paris, cidade com uma das principais cenas de dance music do mundo? O movimento do French House influenciou você? E como a cena na França te ajudou a construir sua identidade musical tanto nas pistas, como no estúdio? SIRUS HOOD – Tudo isso foi muito importante para a minha carreira. Eu descobri o French House ouvindo artistas como Daft Punk, Laurent Garnier, Cassius, Joachim Garraud, DJ Mehdi (RIP) e Didier Sinclar (RIP), além da Radio FG, uma das mais importantes estações de rádio underground na época. Todos me influenciaram bastante para me tornar DJ. A cena de French House é muito aberta e diversa, mas ela acaba se diferenciando bastante dos outros segmentos da house music por ser funky e classy.
HM – Nos conte um pouco mais sobre sua trajetória até se tornar um dos nomes mais sólidos na cena eletrônica mundial. Desde a época que você começou a tocar e produzir, como foi a evolução durante todos esses anos até os dias de hoje, considerando tantas residências importantes, além de assinar com grandes selos?
SH –
Eu comecei a tocar aos 18 anos, exatamente 14 anos atrás. Já na área de produção musical, comecei em 2005. Quando me tornei o Sirus Hood, em 2012, eu já tinha construído um grande caminho nesse período. Depois de passar um verão em Ibiza, me apaixonei pelo deep house. Artistas como Kolombo, Amine Edge & Dance e Sharam Jey se tornaram grandes amigos pessoais e passaram a dar full support pra minhas tracks através de suas labels. Um pouco depois, Justin Martin e Claude VonStroke também deram um grande suporte, o que foi muito importante para fortalecer meu nome no mercado.
HM – Como é sua rotina diária tendo residências em diferentes países? Você passa maior parte do seu tempo viajando ou você consegue estabelecer grande parte de sua base em Paris, entre o estúdio e os shows?
SH –
Eu passo a maior parte do meu tempo mesmo em Paris. Fico no estúdio durante toda a semana e então toco nos finais de semana. Exceto quando estou viajando, quando posso ficar fora durante semanas ou até meses, como minha última tour norte-americana que durou um mês e meio.HM – Nos fale um pouco mais sobre sua amizade com Claude VonStroke e Justin Martin. Eles descobriram você e entraram em contato ou aconteceu de outra maneira? E você mantém contato frequente com eles hoje em dia?
SH –
Eu os encontrei pela primeira vez no Dirtybird BBQ em Miami. Justin tocou duas faixas minhas e eu nem o conhecia ainda. E aí fui até ele e me apresentei. Logo depois, Justin acabou sendo meu colega de quarto numa viagem para San Francisco, então nossa amizade foi crescendo ali. Sobre o Claude, eu produzi com Ardalan a faixa “Paris to SF”. Enviei para Claude, que a lançou em seu selo um mês depois. Já nos encontramos diversas vezes em seu estúdio em Los Angeles e fizemos até um B2B em Paris. Sou muito amigo dos dois e espero vê-los logo.
HM – Desde 2014 você tem vindo regularmente para o Brasil. Como foram suas experiências por aqui e o que você espera agora, com novas gigs? Qual a sua opinião sobre a cena eletrônica brasileira?
SH –
O Brasil é um dos meus países favoritos. Toda vez que vou me sinto feliz e empolgado, pois toda viagem aí é tão intensa e meu coração se enche de alegria e orgulho com suas pessoas incríveis. Ah, também gosto demais do pão de queijo de vocês (risos). Na minha opinião, a cena eletrônica brasileira é muito promissora e forte, e acredito que tenha cada vez mais potencial para crescer e disseminar mundo afora.HM – O que você pode nos falar sobre seus próximos projetos e trabalhos a curto prazo? Algo relacionado a novos releases, residências ou novas viagens?
SH –
Estou muito feliz com a minha residência em Ibiza com Audio Rehab, no club Eden. Uma nova música minha será lançada em sua label e um EP está vindo também pelo selo Under No Illusion, além de um remix que produzi para um dos artistas da label. Nesse momento estou trabalhando também em um remix para a label de Santé, AVOTRE. Já finalizei também um EP com meu grande parceiro Dakar aí do Brasil. E estou empolgado em voltar aí em agosto. Fiquem ligados!—–
