REVIEW: O álbum de Kungs é algo difícil de se ver na EDM

Por: Matheus Tavares 

A primeira vez em que ouvi This Girl foi num set do Danny Howard, no Tomorrowland Bélgica deste ano. No exato momento em que aqueles trompetes alcançaram meus ouvidos, imediatamente parei tudo que estava fazendo para curtir o som e ir na tracklist descobrir o nome. De lá pra cá, virou hit: topo dos charts em 30 países, 160 milhões de views no YouTube e 306 milhões de streams no Spotify.

No Brasil, a galera também se amarrou: This Girl é a música mais buscada no Shazam há 3 meses seguidos, alcançando a posição #30 do Top 100 do Spotify Brasil e está sendo tocada por centenas de milhares de DJs nas festas de fim de semana e pelas principais rádios pop/edm. Além disso, recebeu versões bootleg de Vintage Culture/Cat Dealers e Jakko/Marc. Ou seja, você provavelmente já ouviu em algum lugar.

 
This Girl é sucesso porque Kungs (pronuncia-se “Koongs”) foi esperto: fez uma releitura de um soul maneiro da banda australiana Cookin` On 3 Burners, com belos riffs de guitarra e piano. A música original já era suave e tinha o vocal impecável de Kylie Auldist. E então o DJ a transforma em um hit house ao adicionar trompetes extremamente cativantes que bombardeiam sua mente de dopamina (e não sai da sua cabeça), em um bassline pop dançante e acelerado.

E pensar que o Kungs é apenas um garoto francês de 19 anos que começou sua carreira musical há dois anos, upando em seu Soundcloud um remix do clássico Jammin`, do Bob Marley, e a ótima West Coast, uma das primeiras boas produções desse novo estilo “deep tropical house” a fazer sucesso. Em Novembro, Kungs lançou seu álbum de estreia: Layers – 12 faixas com várias colaborações, estilos e inspirações diferentes. O álbum já está disponível no SpotifyApple Music e como CD nas lojas físicas

Escutamos o álbum inteiro e, enquanto você ouve agora, a gente dá nosso veredito track-a-track.
 
 
O ÁLBUM
 
Começamos pela primeira faixa, Melody. É uma colaboração com Luke Pritchard, da banda The Kooks. É suave, baseado em uns acordes de guitarra em uma base kick e hit hat house. Bom aquecimento para This Girl, que vem em seguida, e depois Don`t You Know, a minha música favorita do álbum. O vocal de Jamie N Commons meio blues dá um toque único na track, que conta com bassline, refrão e letra marcantes e envolventes.

A quarta faixa do álbum chama-se You Remain, e ao contrário das três anteriores, dita um tom mais acústico e reflexivo, com vocais de RITUAL, mostrando que Kungs pode sim ser artista versátil.

Pulamos Freedom e When You`re Gone , cujas vozes do Wolfgang Valbrun e da Tillie, respectivamente, são os destaques, para falar de Wild Church – a única track do álbum exclusivamente instrumental, que muito me agradou pelo lead que lembra produções do Duke Dummont ou Bakermät. Wild Church é dançante como I Feel So Good, que apesar da similaridade com This Girl, é enérgica o suficiente para empolgar uma pista.

Bangalore Streets é a oitava faixa de Layers, e essa me deixou dividido. Se por um lado o bassline meio-tempo e vocal da Freia são os pontos fortes, o drop que imita Lean Onpecou pela falta de originalidade. Já Tripping Off tem o vocal mais bonito do álbum, assim como Trust, cuja melodia encerra Layers de maneira melancólica e hipnótica.

Layers é um álbum que resume bem as diversas influências do artistas. Do blues, soul e rock ao house, Kungs varia os elementos em sons distintos que combinam coros, guitarras acústicas, pianos, belas vozes e basslines suaves para refletir diferentes emoções. Esse é o grande trunfo de Layers. Cada track traz um vocal diferente, e composições de certa forma únicas em sonoridades e batidas. Algo bem difícil de se conseguir quando falamos de álbuns comerciais.

 
  
 

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