Foi noticiada na madrugada de hoje a morte do pioneiro da house music, Frankie Knuckles. Uma grande perda para a comunidade da música eletrônica.
Em 2012, Marcelo Godoy, da equipe House Mag, conversou com Frankie Knuckles durante o ADE – Amsterdan Dance Event – e a entrevista foi publicada na edição 33 da revista House Mag.
Vamos rever este bate papo?
Vivendo o Momento
Frankie Knuckles nunca esteve tão bem. Ainda mora em Chicago, mas vive o aqui e o agora e não se sente nem um pouco nostálgico em relação aos velhos tempos da house music
Por: Marcelo Godoy
Comumente aclamado como “o Poderoso Chefão da House Music”, Frankie embarcou no mundo da discotecagem para pagar seus estudos. Inspirado por Ron Hardy e amigo de Larry Levan, não imaginava que através de seus edits feitos com uma drum machine criaria um estilo musical que se tornaria massivo como é hoje.
Com quase 40 anos de carreira, Frankie lançou em novembro a compilação “Tales From Beyond The Tone Arm”, pela Nocturnal Groove, logo depois de passar pelo Amsterdam Dance Event, onde participou do painel sobre os 25 anos da Def Mix (da qual faz parte do casting). Foi lá que a House Mag puxou ele para uma conversa.
Frankie, como você avalia a cena desde o início da house music até hoje, em 2012, culminando num evento deste porte?
Eu não poderia imaginar naquela época algo como o ADE. Quando você olha a house music e há quanto tempo ela existe, e o quanto ela cresce… Cresceu muito, não é? Não soa como a house de antes, mas o sentimento é o mesmo. A tecnologia vem ajudando a moldar formas diferentes, fazendo um som mais distinto no modo de como as pessoas ouvem, sentem e reconhecem.
Você se sente nostálgico em relação aos “bons e velhos tempos”?
Se eu me sinto nostálgico com os velhos tempos na música? Não! Moro em Chicago e vivo o aqui e o agora. Eu continuo trabalhando, nos últimos 40 anos venho crescendo, fazendo, mudando, me movimentando e as coisas crescem e se transformam. Eu tento aprender com isso e ainda consigo me manter no processo. Estou numa posição mais única do que 20 anos atrás, porque agora as pessoas sabem realmente quem eu sou. Não só como pessoa, mas pela música. Quando vêm assistir às minhas apresentações, elas sabem exatamente o que vão ouvir. Isso me incomodava no começo.
Por quê?
Porque eu achava que as pessoas pensavam que eu era previsível. Mas não é isso. Quando você atinge um certo ponto na sua carreira, as pessoas te reconhecem pelo que você vem fazendo. Você produz uma música ou uma canção familiar aos ouvidos delas. é como um Stevie wonder ou qualquer outro artista gigante que tenha uma vasta carreira musical. Você sabe quem são e você sabe a razão por gostar deles. Então quando vai assistir a uma apresentação deles, não quer ouvir nada além do que os tenha feito famosos e ser quem são. Então no final das contas, sou um felizardo.
Quando você resolveu se tornar um DJ? Já li que você não pretendia se tornar um. Como foi o momento em que disse: “O.k., agora eu sou um DJ e essa vai ser a minha vida”?
Bem, isso aconteceu depois de cinco anos tocando! Estava ocupado me divertindo muito, tendo bons momentos por cinco anos. Refleti e isso era algo sério a ser levado em consideração. Quando eu disse que não pretendia ser um DJ, é porque estava estudando artes e moda. Comecei a trabalhar como DJ no último ano do colegial e isso ajudou a pagar os meus estudos.
O contrário do DJ de hoje!
Exato! E obviamente me divertindo e fazendo um bom dinheiro ao mesmo tempo. Quando percebi, já faziam cinco anos. Sabe, quando você trabalha em seu primeiro emprego por cinco anos, geralmente a paixão se vai. Você quer procurar outros lugares para trabalhar. Então se eu fosse continuar naquilo, tinha que pensar muito bem qual seria o próximo passo lógico. Então quando cheguei na warehouse em Chicago, comecei a pensar em produção e isso mudou tudo.
O que te inspira?
Música. Nem tudo o que eu ouço é música eletrônica. Existem tantas outras visões musicais, 180 graus em direção à house music. E é isso o que me mantém inspirado. Pode ser clássica, jazz, world music, MPB, tudo. Eu cresci ouvindo muita bossa nova. é isso o que ouço o tempo todo, é o que limpa meus ouvidos e minha sensibilidade. Fico distante da house music até sentir falta. Então, quando vou discotecar, meus ouvidos estão fresh. é como se fosse pela primeira vez.
