Algumas apresentações transcendem o conceito de uma simples data na agenda de um clube. Elas se transformam em acontecimentos. É exatamente esse o caso do retorno de Dax J a Campinas, marcado para este sábado, 20, quando o britânico assume o comando do CAOS em apresentação especial no formato All Night Long.
A expectativa não nasceu agora. Ela começou a ser construída em agosto de 2025, quando o artista foi uma das atrações mais comentadas da Photon, realizada no Gate 22, que também pertence ao Grupo CAOS. Na ocasião, J ficou responsável pelo encerramento da festa e entregou um set que rapidamente se tornou assunto entre frequentadores da cena eletrônica.
Nas semanas seguintes, vídeos circularam pelas redes sociais, relatos se multiplicaram entre os presentes e uma sensação passou a ser compartilhada por quem viveu aquela madrugada: a de que Campinas precisava receber o artista novamente.
Menos de um ano depois, o desejo do público se transforma em realidade. E não poderia haver formato mais adequado do que um All Night Long.
Ao longo das últimas duas décadas, Dax J construiu uma reputação rara dentro da música eletrônica mundial. Seus sets são conhecidos por desenvolver atmosferas, tensão e profundidade ao longo de muitas horas, permitindo que o público mergulhe completamente em sua visão artística.
Não por acaso, ele é responsável por alguns dos fechamentos mais celebrados da história recente do techno. Entre os feitos mais emblemáticos da carreira estão duas maratonas de dez horas realizadas em clubes considerados sagrados para a cultura eletrônica mundial: Berghain, em Berlim, e Bassiani, em Tbilisi..
Nascido em Londres, o DJ iniciou sua trajetória ainda adolescente, tocando em rádios piratas e absorvendo a cultura underground britânica através do jungle, drum’n’bass e garage. Influenciado por nomes como Goldie, Andy C e Bad Company, desenvolveu uma relação obsessiva com discos, produção musical e sistemas de som.
A virada aconteceu após concluir sua graduação em Engenharia de Som. Durante uma viagem pela Europa, descobriu o techno e encontrou uma linguagem capaz de unir a intensidade da cultura rave britânica com a profundidade hipnótica das pistas europeias.
O resultado foi uma identidade sonora própria, marcada por batidas contundentes, tensão constante e um senso de construção que poucos artistas conseguem reproduzir. Essa combinação o levou ao topo da cena mundial.
Em 2015, lançou “Shades of Black”, álbum que apresentou de forma definitiva sua assinatura artística. O trabalho foi eleito “Álbum do Mês” pela Mixmag e alcançou o primeiro lugar nas vendas da Juno Records, tornando-se uma das obras mais influentes daquele período.
Três anos depois veio “Offending Public Morality”, trabalho que ampliou ainda mais seu alcance. O álbum foi escolhido pela BBC Radio 1 como o principal lançamento da semana e apareceu nas listas de melhores discos do ano da DJ Mag, Tsugi e Apocalypse Mag.
O reconhecimento se estendeu também às suas apresentações ao vivo. Em 2018, sua participação no tradicional programa Essential Mix garantiu um lugar na história da mesma BBC Radio 1, enquanto seu fechamento de quatro horas no NeoPop Festival foi eleito pela Be-At.TV como o melhor set do ano.
Em 2021, Dax lançou “Utopian Surrealism”, apontado pela Groove Magazine entre os cinco melhores álbuns do ano. Já em 2022, apresentou um trabalho inspirado pelos acontecimentos da guerra na Ucrânia, demonstrando uma faceta mais conceitual e experimental.
Seu lançamento mais recente, “War is Peace, Freedom is Slavery, Ignorance is Strength”, chegou em 2024 cercado de aclamação da crítica especializada. Inspirado na obra de George Orwell, o disco teve sua primeira prensagem esgotada em apenas uma semana.
Toda essa trajetória ajuda a explicar por que o retorno de Dax J desperta tanto interesse. Trata-se de um dos nomes mais interessantes do techno na atualidade – alguém que ajudou a moldar a estética do gênero nos últimos anos e que continua influenciando DJs, produtores e pistas ao redor do mundo.
Para o CAOS, a data representa mais um capítulo importante na relação do clube com a vanguarda da música eletrônica global. Para Campinas, é a oportunidade de reencontrar um artista que deixou uma marca profunda em sua última passagem.
E para quem esteve na Photon em 2025, talvez seja a chance de reviver uma daquelas noites que permanecem na memória muito depois de as luzes se acenderem.
Por assessoria
