Ir a um evento, guardar o celular no bolso ou até entregá-lo na entrada e simplesmente viver o momento. O comportamento, que parecia improvável há poucos anos, está ganhando força em diferentes países. É o que mostra um novo levantamento da Eventbrite, que identificou uma alta de 567% nos eventos “phone-free” (sem uso de celular) entre 2024 e 2025 no mundo.
Segundo o estudo, a busca por experiências mais autênticas vem sendo puxada principalmente por Geração Z e millennials. Entre os entrevistados, 49% afirmam querer experiências ao vivo menos “curadas” e mais reais, longe da lógica de registrar tudo para redes sociais.
Na prática, isso significa festas, shows, encontros literários e eventos sociais em que o uso do telefone é limitado ou desencorajado. A proposta é simples: reduzir distrações e ampliar a conexão entre as pessoas presentes.
Crescimento acelerado e adesão global
Além do salto no número de eventos, a Eventbrite também registrou crescimento de 121% no público participante, com expansão de 5 para 12 países. O dado indica que a tendência deixou de ser nichada e começa a ganhar escala internacional.
O Reino Unido aparece como principal polo desse movimento, com alta de 1.200% no número de eventos e crescimento de 1.441% na participação. Já nos Estados Unidos, o volume de encontros aumentou 388%, enquanto o público subiu 913%.
Por que tanta gente quer se desconectar?
O levantamento aponta que o fenômeno vai além de “detox digital”. Há uma mudança cultural em curso.
Entre jovens adultos, 79% dizem que espontaneidade é importante em eventos. Sem telas e gravações constantes, o ambiente tende a ser percebido como mais leve, imprevisível e genuíno.
Outro fator é o desgaste provocado pelo excesso de vida online. Nos Estados Unidos, 84% das pessoas afirmam recorrer a hábitos analógicos para melhorar o bem-estar, segundo dados citados pela empresa.
Da balada ao clube do livro
Os formatos são variados. Há festas sem celular, encontros silenciosos de leitura, experiências de bem-estar e eventos comunitários focados em presença total.
Para os organizadores, a proposta também cria diferencial competitivo: oferecer algo raro em tempos de hiperconectividade que é atenção plena e exclusividade. Afinal, se nada pode ser filmado ou postado, a experiência passa a valer justamente por ter sido vivida ali.
O crescimento dos eventos sem celular revela uma contradição do nosso tempo: quanto mais conectadas as pessoas estão, maior parece ser a valorização de momentos desconectados. O celular, antes símbolo de liberdade e interação, em muitos contextos virou sinônimo de distração, ansiedade social e performance constante.
Essa tendência indica que a próxima geração de entretenimento pode ser menos tecnológica do que se imaginava. Em vez de apostar apenas em realidade aumentada, transmissões ao vivo e experiências instagramáveis, parte do mercado começa a vender silêncio, foco e presença.
