CAOAK é um exemplo para novos DJs da cena nacional: confira entrevista exclusiva!

Por Marllon Gauche

Foto de abertura: divulgação

Todo artista que deseja ingressar no mercado da música eletrônica sabe que, mais do que produzir músicas ou mixar bem nas pistas, é preciso conquistar a confiança e o coração do público. Cesar Carvalho aka CAOAK, DJ e produtor de Curitiba, conseguiu realizar essa proeza de forma relativamente rápida, já que com mesmo pouco tempo de carreira tocou em diversas festas importantes e recebeu sempre uma resposta muito positiva de quem estava curtindo seu som.

Em suas apresentações, o artista busca sempre apresentar uma proposta sonora inovadora, trabalhando com vocais e percussão para envolver o público da forma mais natural possível. Através da demonstração de seu talento, Cesar conquistou a posição de residente de dois importantes núcleos locais, o Laguna Music e o Radiola Records, este último liderado por ninguém menos que Albuquerque.

Recentemente, CAOAK foi responsável por encerrar a pista na festa que trouxe pela primeira vez ao Brasil o chileno Kled Baken, artista que vem crescendo na cena minimal. Em entrevista exclusiva, Cesar falou com a gente sobre sua carreira, visão do cenário eletrônico de Curitiba e muito mais. Confira!

HM – Olá, CAOAK! Muito obrigado por falar com a gente. Você pode contar como caiu no mundo da música eletrônica? O que te atraiu e o que você vê de mais prazeroso como artista neste meio?

Olá House Mag, obrigado pelo espaço! É uma honra para mim poder falar um pouco sobre o projeto. Comecei lá em 2012 por influência de alguns amigos que já curtiam música eletrônica e começaram a me apresentar aquelas tracks clássicas como o remix do Solomun pra “Around”. A partir daí comecei a frequentar alguns clubs locais e algumas festas também.

Para mim era algo totalmente novo e acabei sendo conquistado de primeira, foi então que comecei a ir atrás de informações e formas de me tornar um DJ. Desde essa época o que me atraiu e ainda me atrai é poder levar momentos únicos para a pista e durante todo o set fazer com que as pessoas possam esquecer de tudo e focar só na diversão do momento.

HM – Como você busca equilibrar sua carreira de DJ e produtor? Você dedica algum tempo especial aos trabalhos de estúdio?

Sempre busco balancear as coisas, quando estou mais focado nas produções, acabo deixando a pesquisa de lado. Se tenho um grande fluxo de gigs no mês, procuro reservar uns dias para pesquisar, estou sempre ouvindo coisas novas até para poder ter mais referências na hora de produzir. Recentemente comecei a estudar um pouco mais de produção e música, então tento fazer esse estudo de manhã e, à tarde, aproveito para aplicar, mas como ninguém é de ferro, tem dias que só a pesquisa compensa [risos].

HM – E qual é a sua visão da cena de Curitiba? Novos DJs possuem mais espaço atualmente na região? O que você acredita que ajudaria a dar ainda mais destaque para a capital paranaense no cenário eletrônico?

Atualmente, Curitiba dentro do âmbito nacional é uma grande potência da música eletrônica, volta e meia temos bons festivais, como o EOL Festival, Warung Day, Tribaltech, e cada vez mais festas com line ups bem montados, seja por atrações famosas ou nomes em ascensão, mas sempre novidades de peso. Aqui na região vejo que quem leva a sério a profissão acaba sempre querendo mostrar a melhor track, a melhor técnica, reviver aquele som clássico e isso é muito bom, por que acaba incentivando sempre a mostrar o seu melhor pra pista.

Hoje vejo uma maior abertura para novos DJs, com maior acesso à informação essa gurizada já vem arrebentando tudo, muitas vezes trazendo um som consistente, então acho que fica mais fácil pros núcleos abraçarem essa galera nova. Acho que com a potência que temos, perdemos em não ter mais eventos que promovem workshops, palestras, alguns dias voltados só para música eletrônica e seus amantes.

HM – Hoje você é residente do núcleo Laguna Music e também do Radiola Records, por onde você já possui alguns lançamentos. Quão importante para sua carreira é ter o suporte destas labels?

É fundamental o suporte desses duas labels em minha carreira, graças a eles toquei em festas com nomes internacionais e adquiri uma bagagem musical muito grande, devo muito a ambos. Quem me apoiou primeiro foi a Laguna Music, a partir dessa conexão crescemos juntos e logo depois a Radiola acabou me tornando residente, isso expandiu demais minha visão sobre música de uma forma geral.

HM – Ao encarar a posição de residente, na sua opinião, qual é a o trabalho central que o artista deve desenvolver?

Acredito que antes de tudo o artista deve representar da melhor forma o selo, seja nas festas da label ou indo tocar em outro local, você precisa ter consciência que está levando a marca contigo. Quando toco em festas dos selos, sempre tento me adequar a proposta da festa e ao horário que vou tocar, misturando a essência da label ao meu estilo. E em festas de fora acho que isso tem um peso bem maior, então sempre tento levar a vibe do som das nossas festas pra galera curtir.

HM – Com a Laguna, você já teve a oportunidade de fechar a pista para Dennis Cruz, fazer o warm up para Popof e Sidney Charles, ou seja, você já assumiu diferentes slots da noite. Em qual você se sente mais confortável e pode apresentar melhor seu estilo?

Acho que em ambos me sinto confortável, fechar a pista é sempre irado porque posso mostrar mais meu estilo e o público já está na vibe da festa, então acaba sendo bem divertido. Também curto fazer warm up, sai da nossa zona de conforto é ótimo e gera uma evolução muito boa, ver a pista se formando e deixar a galera no ponto para o headliner assumir é gratificante demais.

HM – Entre os vários momentos importantes ao lado das labels, podemos mencionar datas como a Kubik e EOL ao lado da Laguna, e a Ilha de Lost e Miami Music Week ao lado da Radiola Records. Quais você aponta como os principais highlights desses relacionamentos?

Com a Laguna acredito que seja o EOL, por estar dentro de festival com esse peso acabou sendo uma das pistas mais emblemáticas. Já com a Radiola a Ilha de Lost tem seu peso, mas o highlight foi a estreia no Miami Music Week, foi a minha primeira viagem internacional e logo para tocar, então com certeza vai ficar na memória pra sempre.

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CAOAK no Miami Music Week – Foto: divulgação

HM – Apesar de já ter conquistado um espaço interessante, acredito que você ainda queira mais. Quais são seus principais objetivos para 2019? Obrigado pelo bate-papo!

Para o restante de 2019 quero me aprofundar nos estudos e cada vez mais evoluir dentro do estúdio, acho que dessa maneira é possível construir uma base mais sólida. Sempre tem aquele club ou festa que almejamos também, mas posso adiantar pra vocês que daqui uns dias darei inicio uma nova série de podcasts chamada “Crônicas Tupiniquins” onde o foco é gravar ao vivo os próximos sets e ir soltando para que a galera possa acompanhar um pouco mais do projeto. Valeu pela conversa e pela oportunidade, fiquem ligados!

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